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	<title>O Jardim do Diabo &#187; Política</title>
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	<description>A mente desocupada é o Jardim do Diabo</description>
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		<title>Sentenças não apagam a verdade</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jun 2010 01:09:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[As veias abertas da América Latina]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Em decisão de primeira instância,a juíza Lilian Cristiane Siman, da 5° Vara da Fazenda Pública de Porto  Alegre, condenou a Ford a pagar duas indenizações ao governo do Estado: a  primeira no valor de R$ 42 milhões e a segunda de R$ 92 milhões. Na decisão, a magistrada alega que a Ford foi responsável pelo  rompimento do contrato e que o governo do Estado cumpriu todos os pontos que haviam sido acordados.</p>
<p>Uma das (poucas) vantagens de se ter uma certa idade é que nos tornamos testemunhas de certos fatos da história.</p>
<p>Esse imenso, incomensurável e absurdo equívoco do então eleito governador Olívio Dutra, do PT, provocado pela arrogância e pela imaturidade, jamais será apagado, nem mesmo por uma sentença judicial. Esse episódio eu vi, e acompanhei muito de perto porque na época tinha algum contato no meio político. E vi, entre perplexo e consternado, o momento em que a Ford desistiu de tentar falar com o governo (que humilhou, com um certo sadismo, os executivos da empresa americana como se tivesse se vingando de todo o colonialismo falsamente imaginado nas <em>Veias abertas da América Latina</em>, de Eduardo Galeano).</p>
<p>O que se seguiu ao anúncio da Ford de transferir o imenso investimento para a Bahia foi patético: um clima de pânico se instaurou no primeiro escalão do governo do PT porque eles jamais imaginaram que aquilo pudesse acontecer. Pela cartilha do PT, o Rio Grande do Sul estava entregando seus tesouros para um bandido que havia conseguido um saque monumental. Não imaginaram que pudesse haver outra vítima ávida para ser saqueada.</p>
<p>Infelizmente, foi uma perda que afetará várias gerações de gaúchos, e que nenhuma sentença jurídica contestável poderá apagar da história.</p>
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		<title>Fórum da Liberdade</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Apr 2010 02:39:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Grandes eventos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[IEE]]></category>
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		<description><![CDATA[Assistir ao Fórum da Liberdade é sempre um exercício revigorante para o intelecto. Principalmente quando existem idéias contraditórias e podemos tirar conclusões a partir de nossas próprias deduções. Ou podem tirar conclusões aqueles que possuem, no mínimo, dois neurônios realizando sinapses (o Tico e o Teco). Não pude assistir a todas as palestras, mas o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assistir ao Fórum da Liberdade é sempre um exercício revigorante para o intelecto. Principalmente quando existem idéias contraditórias e podemos tirar conclusões a partir de nossas próprias deduções. Ou podem tirar conclusões aqueles que possuem, no mínimo, dois neurônios realizando sinapses (o Tico e o Teco). Não pude assistir a todas as palestras, mas o que vi (e ouvi) foi suficiente para confirmar algumas convicções e ver repetidos alguns exageros.</p>
<p><strong>Tiro no pé</strong></p>
<p>O principal convidado do Fórum da Liberdade desse ano como representante das idéias socialistas foi o Professor João Quartim de Moraes, um estudioso de formação marxista e adepto da teoria de que, no futuro, o capitalismo desembocará, fatalmente, em uma sociedade socialista. Mas sua palestra (e seus argumentos) foram por demais claudicantes diante dos atuais fatos históricos, como a comparação entre os resultados práticos da Alemanha e da Coréia Comunistas frente às suas irmãs gêmeas capitalistas ou o sempre desconcertante hábito dos cubanos de fugirem do paraíso socialista em balsas de borracha através de mares infestados de tubarões para desembarcar na cruel, desumana e pavorosamente capitalista Miami.</p>
<p>Mas o grande tiro no pé acabou sendo dado pelo mega-executivo Carlos Ghosn, Presidente do Conselho de Administração e Diretor Executivo da Renault e da Nissan Motor. Convidado como expoente do mundo empresarial e defensor da economia de mercado, acabou elogiando envergonhadamente a intervenção dos governos na recente crise mundial, achando que agiram muito bem governantes franceses e americanos ao transferirem milhões de dólares dos contribuintes para as empresas automobilísticas ameaçadas de falência. Sua justificativa não poderia ter sido melhor invocada por esquerdistas de todos os matizes: o salvamento de empregos. Entre eles, obviamente, o próprio.</p>
<p><strong>As raposas e o galinheiro</strong></p>
<p>O painel sobre capitalismo, que deveria ser um dos mais importantes e merecedor, por certo, de sólida e vigorosa argumentação, acabou sendo entregue a dois banqueiros (Armínio Fraga, ex-Presidente do Banco Central, e Pedro Moreira Salles, Presidente do novo colosso bancário Itaú-Unibanco) e a um executivo estrangeiro que veio fazer média porque está abrindo negócios no Brasil.</p>
<p>Não foi apenas um painel monótono: comandado por dois representantes de um setor da economia que é visto com desconfiança por boa parte da sociedade, acabou pecando pela falta de credibilidade.</p>
<p><strong>Divertido mas nada a ver</strong></p>
<p>O palestrante que mais mexeu com a platéia, entre aqueles a que assisti, foi o renomado articulista de Veja e defensor meio circense dos administradores do Brasil, Stephen Kanitz. Gastou seu tempo fazendo propaganda de si próprio e tentando provar que os verdadeiros heróis da nação brasileira são os administradores. Foi o momento Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgino Mufumbo do fórum.</p>
<p><strong>Boas idéias</strong></p>
<p>Mas teve coisas boas (e outras coisas ainda melhores) nas palestras a que assisti.</p>
<p>O discurso de Marcel Granier, presidente da RCTV, a emissora perseguida e fechada por Hugo Chavez na Venezuela, foi emocionante. Ao invés de demonstrar ódio e atacar Chavez, Granier exaltou a importância da liberdade de imprensa e o trabalho árduo (e perigoso) no qual estão envolvidos todos aqueles que tentam resistir à ditadura chavista. E ressaltou a difícil tarefa de vencer o medo.</p>
<p>Juan Fernando Carpio Tobar-Subía, professor de economia no Equador, fez uma palestra magistral. Densa, cheia de informações e exemplos e, ao mesmo tempo, divertida. É dele uma afirmação instigante: é repetida com insistência a tese da exploração dos países mais pobres pelos países mais ricos, principalmente em relação ao comércio de commodities e matérias primas. Afirma-se que os países ricos compram produtos baratos (ferro, alumínio, petróleo, carne, bananas) e revendem produtos industrializados caríssimos. Pois Fernando Carpio afirma que exploração de verdade é alguém oferecer um cacho de bananas ou um barril de óleo gosmento em troca de um Ipod.</p>
<p>Outro fato interessante que aconteceu foi a confissão, mesmo que disfarçada, feita por Quartim de Moraes, o socialista, de que a Rússia, em determinado momento de crise de produção de alimentos e de fome generalizada, permitiu que algumas comunidades de camponeses passassem a produzir alimentos sem o controle do Estado, em um sistema de liberdade, entregando apenas parte da produção como imposto, ao invés de entregar toda a produção e depois receber de volta cotas de racionamento de alimentos. O aumento de produtividade foi tremendo! Lembrou um pouco os cubanos que criam porcos e galinhas nos seus apartamentos, escondidos do governo, para terem uma alimentação melhor.</p>
<p>Outra questão que surgiu em mais de uma palestra do Fórum da Liberdade foi considerações sobre a pobreza no mundo, principalmente na palestra de Eduardo Marty, um argentino muito bem articulado. Todos os dados comprovam que houve um significativo aumento da riqueza em todos os continentes. E que esse crescimento foi bem mais acentuado nos países que optaram por sistemas econômicos de mercado. O padrão de vida de um cidadão de classe média nos dias atuais é superior ao de um rei da Idade Média.</p>
<p>Por falar nessa questão, Fernando Carpio propôs um exercício de raciocínio interessante. Ele pediu que se imaginasse esse rei medieval entrando em uma máquina do tempo e vindo aos dias atuais. Aqui, ele visitaria a casa de um cidadão rico e a de um cidadão pobre. O que mais impressionaria esse visitante do tempo? As diferenças ou as semelhanças entre as duas residências? É claro que seriam as semelhanças. Esse rei, que nunca viu uma geladeira ou um fogão a gás, encontraria ambos nas duas casas. De marcas e qualidade diferentes, é certo, mas ambos estariam presentes, tanto para o rico quanto para o pobre. Encontraria também, para seu total espanto, coisas incríveis como televisão e rádio. E encontraria em ambas as residêncais a maior invenção de todos os tempos, o utensílio mais útil e revolucionário que se pode imaginar: o banheiro. Para um rei que fazia suas necessidades em um penico e as guardava debaixo da cama, o banheiro é muito mais revolucionário do que o Ipod ou a internet.</p>
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		<title>O outro lado</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Apr 2010 12:35:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Hamlet]]></category>
		<category><![CDATA[Manhattan Connection]]></category>
		<category><![CDATA[Piada]]></category>

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		<description><![CDATA[Hamlet, mergulhado na sua tragédia, diz: &#8220;Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia&#8221;. Filosofando, claro. Mas não quero falar de filosofia, e sim do &#8220;outro lado&#8221;. Ou &#8220;outros lados&#8221;, que sempre acompanham qualquer acontecimento, em especial os grandiosos ou trágicos.
Assistindo a um pedaço de Manhattan Connection neste [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hamlet, mergulhado na sua tragédia, diz: &#8220;Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia&#8221;. Filosofando, claro. Mas não quero falar de filosofia, e sim do &#8220;outro lado&#8221;. Ou &#8220;outros lados&#8221;, que sempre acompanham qualquer acontecimento, em especial os grandiosos ou trágicos.</p>
<p>Assistindo a um pedaço de Manhattan Connection neste final de semana, acompanhei uma discussão sobre o aumento das medidas de segurança implantadas nos aeroportos dos Estados Unidos, reforçadas a cada novo atentado terrorista. Ricardo Amorim dizia que um dos efeitos colaterais do atentado de 11 de setembro (entre tantos outros) foi a diminuição do uso do transporte aéreo por muitos americanos. E isso não apenas devido ao medo de novos atentados, mas às próprias dificuldades e transtornos causados pelo aumento das medidas de segurança nos aeroportos. Como os índices de acidentes e mortes nos transportes terrestres (principalmente nas estradas) é muito maior do que no transporte aéreo, Amorim afirmava que a Al Qaeda havia matado mais americanos nas estradas do que nas torres gêmeas.</p>
<p>E nos vangloriamos de nossa inteligência e racionalidade.</p>
<p>&#8212;*&#8212;</p>
<p>Esse blog, fiel ao seu ecletismo, também publica piadas. Quando elas, claro, têm um &#8220;outro lado&#8221;:</p>
<p>A moça se derrama em lágrimas diante do juiz. O magistrado, condoído diante de tanta dor, pergunta delicadamente:</p>
<p>-Mas quando a senhorita percebeu que havia sido um estupro?</p>
<p>-Quando o cheque voltou, meretríssimo! &#8211; Buááááááááá</p>
<p>&#8230;</p>
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		<title>Retrospectiva 2009</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jan 2010 21:15:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Hugo Chavez]]></category>
		<category><![CDATA[Ironia]]></category>
		<category><![CDATA[Manoel Zelaya]]></category>

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		<description><![CDATA[Apesar da excelente performance de Silvio Berlusconi, dois outros candidatos disputam o título de Maior Fanfarrão de 2009.
O mais histriônico (e menos inofensivo) é Hugo Chavez, com sua incansável Ópera Bufa “A Revolução Bolivariana”. Apesar da canastrice e do enredo da século retrasado, ele conta com muitos admiradores e um séquito de bajuladores, grande parte [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Apesar da excelente performance de Silvio Berlusconi, dois outros candidatos disputam o título de Maior Fanfarrão de 2009.</p>
<p>O mais histriônico (e menos inofensivo) é Hugo Chavez, com sua incansável Ópera Bufa “A Revolução Bolivariana”. Apesar da canastrice e do enredo da século retrasado, ele conta com muitos admiradores e um séquito de bajuladores, grande parte deles no Brasil.</p>
<p>Correndo por fora aparece Manoel Zelaya, cujo chapéu de mafioso colombiano só não perde em ridículo para os trajes antropofágicos de Evo Morales. Na verdade, Manoel Zelaya seria apenas mais um tiranete desimportante e fracassado se não fosse a notoriedade que lhe foi concedida pelo Brasil, ao abrigá-lo na sua embaixada e endossar-lhe as pretensões golpistas. Mas o que lhe vale a indicação para a Medalha de Ouro de Maior Fanfarrão do Ano de 2009 não são seus discursos populistas ou sua imitação rasteira do J.R. da série Dallas: é a foto que mostra o estadista de botequim esparramado num sofá da embaixada brasileira, com o chapéu sobre o rosto, num retrato perfeito de sua estampa de bufão.</p>
<p>Diferente da acirrada disputa que pode lhes conceder o primeiro lugar no pódio, os povos dos países dos dois concorrentes têm destinos bem distintos. Honduras, ao destituir o presidente golpista e convocar novas eleições, honra sua Constituição e consolida sua democracia. Já a Venezuela, ao conceder através de plebiscito o direito a Hugo Chavez de se candidatar eternamente ao cargo de Presidente, soterra a democracia sob a mortalha do populismo caudilhesco.</p>
<p>Minha mãe tinha uma boa frase para isso: bem feito!</p>
<p><img title="Hugo-Chavez" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/01/Hugo-Chavez.jpg" alt="" width="449" height="294" /></p>
<p><img title="Zelaya na embaixada" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/01/Zelaya-na-embaixada.jpg" alt="" width="449" height="294" /></p>
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