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	<title>O Jardim do Diabo &#187; Política</title>
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	<description>A mente desocupada é o Jardim do Diabo</description>
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		<title>Os desabamentos no Rio de Janeiro: a pergunta que faltou</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Jan 2011 19:50:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O recente episódio dos desabamentos na região serrana do Rio de Janeiro produziu cenas e histórias de uma dramaticidade chocante. As imagens de destruição, desespero e morte foram assombrosas e não há como não ficar impressionado e comovido com a angústia e o sofrimento daqueles que foram atingidos por essa catástrofe. Mas há uma questão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O</strong> recente episódio dos desabamentos na região serrana do Rio de Janeiro produziu cenas e histórias de uma dramaticidade chocante. As imagens de destruição, desespero e morte foram assombrosas e não há como não ficar impressionado e comovido com a angústia e o sofrimento daqueles que foram atingidos por essa catástrofe. Mas há uma questão que não se enquadra nos manuais do “politicamente correto” e que precisa ser encarada.</p>
<p>Muito se especulou sobre os motivos que desencadearam uma calamidade de tamanha proporção e assistimos a um aguerrido duelo de responsabilizações. De um lado, governo e autoridades culpando os níveis elevados de chuvas que caíram na região e as ocupações de terrenos ilegais nas encostas dos morros (como se a responsabilidade de fiscalizar e coibir ocupações ilegais não fosse do próprio poder público). De outro lado, comentaristas, críticos e palpiteiros em geral culpando o governo pela falta de planejamento para atuar em situações de calamidade e pelas ocupações de terrenos ilegais (como se fossem os governantes que tivessem comprado tijolos e cimento e construído as casas).</p>
<p>Só que, em meio a esse embate, faltou uma pergunta fundamental que não foi feita aos atingidos pela tragédia: “Mas por que, afinal, vocês construíram suas casas em uma zona de risco como essa?”. Antes que o indignado leitor se revolte com a insensibilidade da pergunta, vamos imaginar algumas respostas.</p>
<p>Uma delas, certamente, seria: “nós somos pobres e não tínhamos outro lugar para ir”. Até pode ser verdade em muitos casos. Mas uma grande quantidade de construções que foram atingidas pelas águas e pelos desmoronamentos era de classe média ou alta, incluindo aí hotéis e pousadas de luxo. E mesmo que fosse o caso de dificuldade econômica, o risco de perder a vida deveria falar mais alto.</p>
<p>Outra resposta (na linha de culpar o governo) seria: “nós não sabíamos que era perigoso. Ninguém nos avisou”. O que, na grande maioria dos casos, não é verdade. As pessoas mais simples e que moram no local possuem o conhecimento transmitido pela experiência e sabem perfeitamente o risco das ameaças naturais, até porque não é a primeira vez que inundações e deslizamentos atingem a região. Já as pessoas que não moram na região e que construíram sítios de lazer, hotéis ou pousadas, certamente foram assessoradas por engenheiros que fizeram os projetos e que têm o dever, por formação profissional, de conhecer as características e os riscos dos terrenos utilizados.</p>
<p>De fato, o que está sendo negligenciado não apenas neste caso, mas na própria cultura brasileira, é a indispensável figura da “responsabilidade individual”. As pessoas devem ser responsáveis por seus atos. Ninguém está livre de uma catástrofe natural e pouco domínio temos sobre o imponderável. Mas temos, sim, a responsabilidade sobre as decisões que tomamos. Quando escolhemos um terreno na beira do mar, na encosta de um morro ou na margem de um rio, temos que ter plena consciência dos riscos inerentes e estarmos preparados para as suas consequências.</p>
<p>É importante o papel do poder público na fiscalização, informação de perigos iminentes e na mobilização de ajuda em casos de calamidade. Mas nada supera a importância da consciência e da responsabilidade de cada cidadão sobre suas decisões individuais.</p>
<p>&#8230;</p>
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		<title>Poder absoluto</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Oct 2010 01:45:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Analistas, colunistas e mesmo eleitores que se auto-intitulam de &#8220;éticos&#8221; estão dizendo que a atual campanha eleitoral para o cargo de Presidente da República, nesse segundo turno, está descambando para a baixaria. É verdade. Mas por motivos diferentes do que se afirma. Não interessa nem a Serra, nem a Dilma abrirem as caixas de ferramentas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Analistas, colunistas e mesmo eleitores que se auto-intitulam de &#8220;éticos&#8221; estão dizendo que a atual campanha eleitoral para o cargo de Presidente da República, nesse segundo turno, está descambando para a baixaria. É verdade. Mas por motivos diferentes do que se afirma. Não interessa nem a Serra, nem a Dilma abrirem as caixas de ferramentas e passarem a trocar pancadaria. Ambos não estão empenhados em um torneio de pugilismo. Ambos estão empenhados em uma disputa por votos. E quem fornece os votos, em uma democracia, é o povo. E o povo brasileiro, em sua maioria, gosta de baixarias.</p>
<p>Antes que surjam os protestos dos &#8220;éticos&#8221;, que têm predileção por versões politicamente corretas e sentem uma certa aversão à realidade nua e crua, relembro alguns dos programas campeões de audiência no Brasil: Big Brother e Zorra Total, da Globo; Brasil Urgente e Márcia Goldsmith, da Band; Pânico na TV e Super Pop, da Rede TV, Casos de Família, do SBT, e paro por aqui porque meu estômago já está se revirando. Mas as emissoras de TV também não estão no negócio de fabricar lixo: exploram o ramo de conquistar o voto do controle remoto dos telespectadores. Há muito que nem emissoras de TV, nem políticos, são norteados por princípios éticos ou estéticos. Sua bússola são as pesquisas de opinião. Em outras palavras, o desejo do povo.</p>
<p>Os principais assuntos eleitos pelos candidatos, nessa reta final da campanha, para criar mais calor do que luz foram as privatizações e o aborto. Dilma acusa Serra de ser um &#8220;privatista&#8221;. Serra acusa Dilma de ser favorável ao aborto. Como o que importa não é discutir princípios e defender convicções mas sim arrancar votos dos adversários, a atitude dos candidatos foi a esperada. Nada de analisar as questões em profundidade e discutir argumentos que pudessem levar os eleitores a pensar no assunto e a questionarem suas próprias convicções. Nada disso. As pesquisas dizem que o eleitor não gosta de privatizações? Serra esquece sua atuação no governo FHC e nega com veemência que seja um privatista. As pesquisas dizem que a maioria do povo é contra o aborto? Dilma contradiz todos seus discursos anteriores e jura que é contra o aborto.</p>
<p>E assim seguem os debates. Não uma discussão de princípios, ideias ou valores, mas uma acirrada disputa para ver quem consegue prometer mais da mesma coisa: o que as pesquisas exigem.</p>
<p>Então tanto faz como tanto fez quem seja eleito? Sob certos aspectos, sim. Apesar de tanto Dilma quanto Serra se declararem de esquerda, há uma nítida diferença de intensidade (para não dizer de radicalismo) na ideologia de ambos. Mas até mesmo o maior radicalismo de Dilma fica atenuado quando lembramos que o governo de Lula se sustenta numa aliança com uma das parcelas mais conservadoras, retrógradas e patrimonialistas da política brasileira, representada pelos caciques do PMDB como José Sarney, Jader Barbalho e Renan Calheiros (para não falar na figura lamentável de Fernando Collor de Mello, também aliado ferrenho das beneces do poder lulista).</p>
<p>A grande diferença entre os dois candidatos parece que se encontra mesmo na sua biografia. Serra tem uma trajetória em cargos executivos e legislativos (Deputado, Prefeito e Governador), conquistados através do voto, que lhe conferem uma bagagem muito mais ampla. Seguramente ele é um hábil administrador acostumado a lidar com as articulações políticas indispensáveis para o exercício do cargo de Presidente do Brasil. Dilma, apesar de ter ocupado vários cargos executivos, sempre foi nomeada e jamais disputou uma eleição. Sem falar que Serra parece mais ponderado e menos sujeito a mudanças tempestuosas.</p>
<p>Só que tudo isso é teoria. Uma vez instalada no poder, não é raro uma pessoa mostrar uma face de sua personalidade que esteve cuidadosamente oculta durante o período de promessas e agrados ao eleitorado.</p>
<p>Mas se fosse necessário eleger apenas um bom motivo para escolher um dos candidatos, frear a megalomania que se instalou com o lulismo, capaz de ofuscar os mais escabrosos desvios de conduta e os mais escandalosos casos de corrupção, é razão mais do que suficiente para eleger José Serra.</p>
<p>Uma das frases mais definitivas, quando se fala de governos, é a que proferiu Lor Acton: &#8220;o poder corrompe; o poder absoluto corrompe absolutamente&#8221;. A forma como o PT infiltrou-se na máquina pública, a sede de poder demonstrada por Lula e os índices de aprovação popular atribuídos a ele nos aproxima perigosamente de um projeto de poder absoluto.</p>
<p>Frear essa escalada de poder será saudável para a democracia e para as instituições brasileiras.</p>
<p>&#8230;</p>
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		<title>O problema não é os políticos</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Aug 2010 14:03:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Zero Hora fez uma interessante reportagem mostrando como vários políticos processados a até condenados por corrupção, desvio de dinheiro público e outros crimes são reeleitos pelo voto popular.
A conclusão é óbvia: não basta trocar os políticos, tem que trocar também o povo.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Zero Hora fez uma interessante reportagem mostrando como vários políticos processados a até condenados por corrupção, desvio de dinheiro público e outros crimes são reeleitos pelo voto popular.</p>
<p>A conclusão é óbvia: não basta trocar os políticos, tem que trocar também o povo.</p>
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		<title>Povo criativo</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 20:23:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Motivado pelas manchetes dos últimos dias em jornais, revistas e TV, fiquei pensando sobre as ufanísticas mensagens de nosso governo com o objetivo, obviamente, não de puxar o saco do eleitorado em troca de votos mas sim de reforçar a autoestima do nobre povo brasileiro. Entre essas glorificações midiáticas encontra-se o repetido bordão &#8220;brasileiro não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Motivado pelas manchetes dos últimos dias em jornais, revistas e TV, fiquei pensando sobre as ufanísticas mensagens de nosso governo com o objetivo, obviamente, não de puxar o saco do eleitorado em troca de votos mas sim de reforçar a autoestima do nobre povo brasileiro. Entre essas glorificações midiáticas encontra-se o repetido bordão &#8220;brasileiro não desiste nunca&#8221;. E, invariavelmente, uma exaltação à criatividade do povo.</p>
<p>Pois fiquei pensando e concluí que realmente o brasileiro tem um jeito bastante criativo de resolver seus problemas. Filha com pequenos contratempos financeiros resolve a situação convidando o namorado para juntos, num ato não apenas criativo mas também solidário, matarem seus pais a pauladas. Diretor de redação de um grande jornal brasileiro resolve uma desilusão amorosa dando dois tiros nas costas da namorada que o abandonara. Pai incomodado com o choro irritante da filha resolve a questão estrangulando-a e depois atirando o corpo da janela do sexto andar. Jogador de futebol e ídolo de seu time, desgostoso com uma paternidade indesejada, resolve o caso mandando matar a mãe inconveniente, esquartejá-la e atirar os pedaços para o jantar de cachorros pitbull.</p>
<p>Talvez incomodado com essa criatividade, digamos, um pouco exagerada, o Presidente Lula resolveu inventar uma lei que visa evitar excessos como esses: será proibido que os pais dêem palmadas educativas nas bundinhas dos filhos.</p>
<p>Sei não, mas provavelmente minha falecida avó diria que o problema não é muita palmada, mas pouca. Ou, no bom português lá de Tupanciretã: falta de laço.</p>
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		<title>Sentenças não apagam a verdade</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jun 2010 01:09:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em decisão de primeira instância,a juíza Lilian Cristiane Siman, da 5° Vara da Fazenda Pública de Porto  Alegre, condenou a Ford a pagar duas indenizações ao governo do Estado: a  primeira no valor de R$ 42 milhões e a segunda de R$ 92 milhões. Na decisão, a magistrada alega que a Ford foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em decisão de primeira instância,a juíza Lilian Cristiane Siman, da 5° Vara da Fazenda Pública de Porto  Alegre, condenou a Ford a pagar duas indenizações ao governo do Estado: a  primeira no valor de R$ 42 milhões e a segunda de R$ 92 milhões. Na decisão, a magistrada alega que a Ford foi responsável pelo  rompimento do contrato e que o governo do Estado cumpriu todos os pontos que haviam sido acordados.</p>
<p>Uma das (poucas) vantagens de se ter uma certa idade é que nos tornamos testemunhas de certos fatos da história.</p>
<p>Esse imenso, incomensurável e absurdo equívoco do então eleito governador Olívio Dutra, do PT, provocado pela arrogância e pela imaturidade, jamais será apagado, nem mesmo por uma sentença judicial. Esse episódio eu vi, e acompanhei muito de perto porque na época tinha algum contato no meio político. E vi, entre perplexo e consternado, o momento em que a Ford desistiu de tentar falar com o governo (que humilhou, com um certo sadismo, os executivos da empresa americana como se tivesse se vingando de todo o colonialismo falsamente imaginado nas <em>Veias abertas da América Latina</em>, de Eduardo Galeano).</p>
<p>O que se seguiu ao anúncio da Ford de transferir o imenso investimento para a Bahia foi patético: um clima de pânico se instaurou no primeiro escalão do governo do PT porque eles jamais imaginaram que aquilo pudesse acontecer. Pela cartilha do PT, o Rio Grande do Sul estava entregando seus tesouros para um bandido que havia conseguido um saque monumental. Não imaginaram que pudesse haver outra vítima ávida para ser saqueada.</p>
<p>Infelizmente, foi uma perda que afetará várias gerações de gaúchos, e que nenhuma sentença jurídica contestável poderá apagar da história.</p>
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		<title>Fórum da Liberdade</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Apr 2010 02:39:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Assistir ao Fórum da Liberdade é sempre um exercício revigorante para o intelecto. Principalmente quando existem idéias contraditórias e podemos tirar conclusões a partir de nossas próprias deduções. Ou podem tirar conclusões aqueles que possuem, no mínimo, dois neurônios realizando sinapses (o Tico e o Teco). Não pude assistir a todas as palestras, mas o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assistir ao Fórum da Liberdade é sempre um exercício revigorante para o intelecto. Principalmente quando existem idéias contraditórias e podemos tirar conclusões a partir de nossas próprias deduções. Ou podem tirar conclusões aqueles que possuem, no mínimo, dois neurônios realizando sinapses (o Tico e o Teco). Não pude assistir a todas as palestras, mas o que vi (e ouvi) foi suficiente para confirmar algumas convicções e ver repetidos alguns exageros.</p>
<p><strong>Tiro no pé</strong></p>
<p>O principal convidado do Fórum da Liberdade desse ano como representante das idéias socialistas foi o Professor João Quartim de Moraes, um estudioso de formação marxista e adepto da teoria de que, no futuro, o capitalismo desembocará, fatalmente, em uma sociedade socialista. Mas sua palestra (e seus argumentos) foram por demais claudicantes diante dos atuais fatos históricos, como a comparação entre os resultados práticos da Alemanha e da Coréia Comunistas frente às suas irmãs gêmeas capitalistas ou o sempre desconcertante hábito dos cubanos de fugirem do paraíso socialista em balsas de borracha através de mares infestados de tubarões para desembarcar na cruel, desumana e pavorosamente capitalista Miami.</p>
<p>Mas o grande tiro no pé acabou sendo dado pelo mega-executivo Carlos Ghosn, Presidente do Conselho de Administração e Diretor Executivo da Renault e da Nissan Motor. Convidado como expoente do mundo empresarial e defensor da economia de mercado, acabou elogiando envergonhadamente a intervenção dos governos na recente crise mundial, achando que agiram muito bem governantes franceses e americanos ao transferirem milhões de dólares dos contribuintes para as empresas automobilísticas ameaçadas de falência. Sua justificativa não poderia ter sido melhor invocada por esquerdistas de todos os matizes: o salvamento de empregos. Entre eles, obviamente, o próprio.</p>
<p><strong>As raposas e o galinheiro</strong></p>
<p>O painel sobre capitalismo, que deveria ser um dos mais importantes e merecedor, por certo, de sólida e vigorosa argumentação, acabou sendo entregue a dois banqueiros (Armínio Fraga, ex-Presidente do Banco Central, e Pedro Moreira Salles, Presidente do novo colosso bancário Itaú-Unibanco) e a um executivo estrangeiro que veio fazer média porque está abrindo negócios no Brasil.</p>
<p>Não foi apenas um painel monótono: comandado por dois representantes de um setor da economia que é visto com desconfiança por boa parte da sociedade, acabou pecando pela falta de credibilidade.</p>
<p><strong>Divertido mas nada a ver</strong></p>
<p>O palestrante que mais mexeu com a platéia, entre aqueles a que assisti, foi o renomado articulista de Veja e defensor meio circense dos administradores do Brasil, Stephen Kanitz. Gastou seu tempo fazendo propaganda de si próprio e tentando provar que os verdadeiros heróis da nação brasileira são os administradores. Foi o momento Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgino Mufumbo do fórum.</p>
<p><strong>Boas idéias</strong></p>
<p>Mas teve coisas boas (e outras coisas ainda melhores) nas palestras a que assisti.</p>
<p>O discurso de Marcel Granier, presidente da RCTV, a emissora perseguida e fechada por Hugo Chavez na Venezuela, foi emocionante. Ao invés de demonstrar ódio e atacar Chavez, Granier exaltou a importância da liberdade de imprensa e o trabalho árduo (e perigoso) no qual estão envolvidos todos aqueles que tentam resistir à ditadura chavista. E ressaltou a difícil tarefa de vencer o medo.</p>
<p>Juan Fernando Carpio Tobar-Subía, professor de economia no Equador, fez uma palestra magistral. Densa, cheia de informações e exemplos e, ao mesmo tempo, divertida. É dele uma afirmação instigante: é repetida com insistência a tese da exploração dos países mais pobres pelos países mais ricos, principalmente em relação ao comércio de commodities e matérias primas. Afirma-se que os países ricos compram produtos baratos (ferro, alumínio, petróleo, carne, bananas) e revendem produtos industrializados caríssimos. Pois Fernando Carpio afirma que exploração de verdade é alguém oferecer um cacho de bananas ou um barril de óleo gosmento em troca de um Ipod.</p>
<p>Outro fato interessante que aconteceu foi a confissão, mesmo que disfarçada, feita por Quartim de Moraes, o socialista, de que a Rússia, em determinado momento de crise de produção de alimentos e de fome generalizada, permitiu que algumas comunidades de camponeses passassem a produzir alimentos sem o controle do Estado, em um sistema de liberdade, entregando apenas parte da produção como imposto, ao invés de entregar toda a produção e depois receber de volta cotas de racionamento de alimentos. O aumento de produtividade foi tremendo! Lembrou um pouco os cubanos que criam porcos e galinhas nos seus apartamentos, escondidos do governo, para terem uma alimentação melhor.</p>
<p>Outra questão que surgiu em mais de uma palestra do Fórum da Liberdade foi considerações sobre a pobreza no mundo, principalmente na palestra de Eduardo Marty, um argentino muito bem articulado. Todos os dados comprovam que houve um significativo aumento da riqueza em todos os continentes. E que esse crescimento foi bem mais acentuado nos países que optaram por sistemas econômicos de mercado. O padrão de vida de um cidadão de classe média nos dias atuais é superior ao de um rei da Idade Média.</p>
<p>Por falar nessa questão, Fernando Carpio propôs um exercício de raciocínio interessante. Ele pediu que se imaginasse esse rei medieval entrando em uma máquina do tempo e vindo aos dias atuais. Aqui, ele visitaria a casa de um cidadão rico e a de um cidadão pobre. O que mais impressionaria esse visitante do tempo? As diferenças ou as semelhanças entre as duas residências? É claro que seriam as semelhanças. Esse rei, que nunca viu uma geladeira ou um fogão a gás, encontraria ambos nas duas casas. De marcas e qualidade diferentes, é certo, mas ambos estariam presentes, tanto para o rico quanto para o pobre. Encontraria também, para seu total espanto, coisas incríveis como televisão e rádio. E encontraria em ambas as residêncais a maior invenção de todos os tempos, o utensílio mais útil e revolucionário que se pode imaginar: o banheiro. Para um rei que fazia suas necessidades em um penico e as guardava debaixo da cama, o banheiro é muito mais revolucionário do que o Ipod ou a internet.</p>
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		<title>O outro lado</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Apr 2010 12:35:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Hamlet, mergulhado na sua tragédia, diz: &#8220;Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia&#8221;. Filosofando, claro. Mas não quero falar de filosofia, e sim do &#8220;outro lado&#8221;. Ou &#8220;outros lados&#8221;, que sempre acompanham qualquer acontecimento, em especial os grandiosos ou trágicos.
Assistindo a um pedaço de Manhattan Connection neste [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hamlet, mergulhado na sua tragédia, diz: &#8220;Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia&#8221;. Filosofando, claro. Mas não quero falar de filosofia, e sim do &#8220;outro lado&#8221;. Ou &#8220;outros lados&#8221;, que sempre acompanham qualquer acontecimento, em especial os grandiosos ou trágicos.</p>
<p>Assistindo a um pedaço de Manhattan Connection neste final de semana, acompanhei uma discussão sobre o aumento das medidas de segurança implantadas nos aeroportos dos Estados Unidos, reforçadas a cada novo atentado terrorista. Ricardo Amorim dizia que um dos efeitos colaterais do atentado de 11 de setembro (entre tantos outros) foi a diminuição do uso do transporte aéreo por muitos americanos. E isso não apenas devido ao medo de novos atentados, mas às próprias dificuldades e transtornos causados pelo aumento das medidas de segurança nos aeroportos. Como os índices de acidentes e mortes nos transportes terrestres (principalmente nas estradas) é muito maior do que no transporte aéreo, Amorim afirmava que a Al Qaeda havia matado mais americanos nas estradas do que nas torres gêmeas.</p>
<p>E nos vangloriamos de nossa inteligência e racionalidade.</p>
<p>&#8212;*&#8212;</p>
<p>Esse blog, fiel ao seu ecletismo, também publica piadas. Quando elas, claro, têm um &#8220;outro lado&#8221;:</p>
<p>A moça se derrama em lágrimas diante do juiz. O magistrado, condoído diante de tanta dor, pergunta delicadamente:</p>
<p>-Mas quando a senhorita percebeu que havia sido um estupro?</p>
<p>-Quando o cheque voltou, meretríssimo! &#8211; Buááááááááá</p>
<p>&#8230;</p>
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		<title>Retrospectiva 2009</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jan 2010 21:15:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Hugo Chavez]]></category>
		<category><![CDATA[Ironia]]></category>
		<category><![CDATA[Manoel Zelaya]]></category>

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		<description><![CDATA[Apesar da excelente performance de Silvio Berlusconi, dois outros candidatos disputam o título de Maior Fanfarrão de 2009.
O mais histriônico (e menos inofensivo) é Hugo Chavez, com sua incansável Ópera Bufa “A Revolução Bolivariana”. Apesar da canastrice e do enredo da século retrasado, ele conta com muitos admiradores e um séquito de bajuladores, grande parte [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Apesar da excelente performance de Silvio Berlusconi, dois outros candidatos disputam o título de Maior Fanfarrão de 2009.</p>
<p>O mais histriônico (e menos inofensivo) é Hugo Chavez, com sua incansável Ópera Bufa “A Revolução Bolivariana”. Apesar da canastrice e do enredo da século retrasado, ele conta com muitos admiradores e um séquito de bajuladores, grande parte deles no Brasil.</p>
<p>Correndo por fora aparece Manoel Zelaya, cujo chapéu de mafioso colombiano só não perde em ridículo para os trajes antropofágicos de Evo Morales. Na verdade, Manoel Zelaya seria apenas mais um tiranete desimportante e fracassado se não fosse a notoriedade que lhe foi concedida pelo Brasil, ao abrigá-lo na sua embaixada e endossar-lhe as pretensões golpistas. Mas o que lhe vale a indicação para a Medalha de Ouro de Maior Fanfarrão do Ano de 2009 não são seus discursos populistas ou sua imitação rasteira do J.R. da série Dallas: é a foto que mostra o estadista de botequim esparramado num sofá da embaixada brasileira, com o chapéu sobre o rosto, num retrato perfeito de sua estampa de bufão.</p>
<p>Diferente da acirrada disputa que pode lhes conceder o primeiro lugar no pódio, os povos dos países dos dois concorrentes têm destinos bem distintos. Honduras, ao destituir o presidente golpista e convocar novas eleições, honra sua Constituição e consolida sua democracia. Já a Venezuela, ao conceder através de plebiscito o direito a Hugo Chavez de se candidatar eternamente ao cargo de Presidente, soterra a democracia sob a mortalha do populismo caudilhesco.</p>
<p>Minha mãe tinha uma boa frase para isso: bem feito!</p>
<p><img title="Hugo-Chavez" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/01/Hugo-Chavez.jpg" alt="" width="449" height="294" /></p>
<p><img title="Zelaya na embaixada" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/01/Zelaya-na-embaixada.jpg" alt="" width="449" height="294" /></p>
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