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	<title>O Jardim do Diabo &#187; Reflexões</title>
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	<description>A mente desocupada é o Jardim do Diabo</description>
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		<title>Sentenças não apagam a verdade</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jun 2010 01:09:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[As veias abertas da América Latina]]></category>
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		<description><![CDATA[Em decisão de primeira instância,a juíza Lilian Cristiane Siman, da 5° Vara da Fazenda Pública de Porto  Alegre, condenou a Ford a pagar duas indenizações ao governo do Estado: a  primeira no valor de R$ 42 milhões e a segunda de R$ 92 milhões. Na decisão, a magistrada alega que a Ford foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em decisão de primeira instância,a juíza Lilian Cristiane Siman, da 5° Vara da Fazenda Pública de Porto  Alegre, condenou a Ford a pagar duas indenizações ao governo do Estado: a  primeira no valor de R$ 42 milhões e a segunda de R$ 92 milhões. Na decisão, a magistrada alega que a Ford foi responsável pelo  rompimento do contrato e que o governo do Estado cumpriu todos os pontos que haviam sido acordados.</p>
<p>Uma das (poucas) vantagens de se ter uma certa idade é que nos tornamos testemunhas de certos fatos da história.</p>
<p>Esse imenso, incomensurável e absurdo equívoco do então eleito governador Olívio Dutra, do PT, provocado pela arrogância e pela imaturidade, jamais será apagado, nem mesmo por uma sentença judicial. Esse episódio eu vi, e acompanhei muito de perto porque na época tinha algum contato no meio político. E vi, entre perplexo e consternado, o momento em que a Ford desistiu de tentar falar com o governo (que humilhou, com um certo sadismo, os executivos da empresa americana como se tivesse se vingando de todo o colonialismo falsamente imaginado nas <em>Veias abertas da América Latina</em>, de Eduardo Galeano).</p>
<p>O que se seguiu ao anúncio da Ford de transferir o imenso investimento para a Bahia foi patético: um clima de pânico se instaurou no primeiro escalão do governo do PT porque eles jamais imaginaram que aquilo pudesse acontecer. Pela cartilha do PT, o Rio Grande do Sul estava entregando seus tesouros para um bandido que havia conseguido um saque monumental. Não imaginaram que pudesse haver outra vítima ávida para ser saqueada.</p>
<p>Infelizmente, foi uma perda que afetará várias gerações de gaúchos, e que nenhuma sentença jurídica contestável poderá apagar da história.</p>
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		<title>Dica literária&#8230; ou culinária</title>
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		<pubDate>Mon, 17 May 2010 20:45:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Anthony Bourdain]]></category>
		<category><![CDATA[culinária]]></category>
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		<description><![CDATA[Sou apaixonado por livros. Eles são ótimos para pensarmos nossa  própria história e descobrirmos soluções. Ou arranjar novos problemas.  Mas eles também são excelentes quando não queremos pensar no nosso  mundinho ou nas nossas mazelas mesquinhas que costumamos aumentar  ridiculamente. São ótimos para fugir dos problemas. E não dão ressaca.
Também tenho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sou apaixonado por livros. Eles são ótimos para pensarmos nossa  própria história e descobrirmos soluções. Ou arranjar novos problemas.  Mas eles também são excelentes quando não queremos pensar no nosso  mundinho ou nas nossas mazelas mesquinhas que costumamos aumentar  ridiculamente. São ótimos para fugir dos problemas. E não dão ressaca.</p>
<p>Também tenho uma queda pela culinária. Brincar de <em>chef </em>é bem  mais barato, divertido e saboroso do que frequentar o psiquiatra. E tem  praticamente o mesmo efeito. E também é a melhor maneira de escapar de  uma das tarefas mais horrorosas do mundo: lavar a louça. <em>Eu cozinho</em> traz implícito, indiscutivelmente, <em>mas não lavo a louça</em>.</p>
<p>Por isso, quando descobri <a href="http://www.mood.com.br/literatura/30.asp" target="_blank"><em>Cozinha  Confidencial</em></a>, de Anthony Bourdain, do qual já falei aqui, tive  um daqueles longos momentos de felicidade pura, inebriante! Sempre que  posso, volto a visitar suas páginas. Enquanto os outros lavam a louça.</p>
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		<title>Dia das mães</title>
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		<pubDate>Sat, 08 May 2010 02:54:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[dia das mães]]></category>

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		<description><![CDATA[Massacrante essa inundação de propaganda repleta de apelos sentimentais sobre o dia das mães, não é mesmo?
Não, não é pela quantidade de comerciais. É porque minha mãe já se foi&#8230;
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Massacrante essa inundação de propaganda repleta de apelos sentimentais sobre o dia das mães, não é mesmo?</p>
<p>Não, não é pela quantidade de comerciais. É porque minha mãe já se foi&#8230;</p>
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		<title>Mar de Letras, bendito seja</title>
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		<pubDate>Sun, 02 May 2010 16:12:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Grandes eventos]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Mar de Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Philip Roth]]></category>

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		<description><![CDATA[26/04 a 01/05
1-No planejamento de 2010, elegi como uma das prioridades mais prioritárias(com o perdão da redundância) o Projeto Mar de Letras. E não apenas pelo ócio reparador, pelo exercício intelectual edificante ou pelas eventuais produções literárias. O Projeto Mar de Letras é uma espécie de ponta de lança, de projeto piloto de um desejo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>26/04 a 01/05</p>
<p>1-No planejamento de 2010, elegi como uma das prioridades mais prioritárias(com o perdão da redundância) o Projeto Mar de Letras. E não apenas pelo ócio reparador, pelo exercício intelectual edificante ou pelas eventuais produções literárias. O Projeto Mar de Letras é uma espécie de ponta de lança, de projeto piloto de um desejo maior, uma nova fase após a conturbada jornada de menino-prodígio, jovem-trabalhador-exemplar, filhinho-de-papai, empresário peixe-fora-d&#8217;água e alma perdida. Metade do plano já funcionou.</p>
<p>2-Cheguei na praia, 2a feira, debaixo de chuva e, mesmo que o tempo tenha ameaçado dar uma trégua para que eu pudesse dar aquele velho pulo no centro e comprar algumas bobagens, na volta desabou um temporal que me fez chegar ao apartamento completamente encharcado. Porém, a noite, o céu limpou e fui dormir com estrelinhas espalhadas pelo firmamento. Muito meigo por parte de São Pedro, depois daquela bomba d`àgua que ele me jogou na cabeça.</p>
<p>3-Semelhante ao Mar de Letras de Março, esse também está completamente focado no novo livro que estou escrevendo sob encomenda. É uma pena porque, de todos os objetivos inerentes ao espírito lúdico e intelectualmente produtivo que imaginei para o Mar de Letras, só resta o trabalho árduo de escrever e escrever. Pior que é escrever a história dos outros, e não a de todos e minha também, que é o nome que se dá para ficção. Mas ainda assim é bem melhor do que digitar códigos de barra na internet ou decidir quais os fornecedores que serão brindados com o grampo por falta de dinheiro.</p>
<p>4-Esqueci de dizer que, além da obrigatoriedade de trabalhar quase que exclusivamente no livro da Fritz&amp;Frida, esse Mar de Letras começou meio capenga. Como não consegui adiantar todos os compromissos de uma semana, tive que passar na empresa na 2a feira de manhã. Trabalhei até o meio-dia e, na saída, passei no Makro Atacado imaginando algumas possibilidades gastronômicas para a semana especial que se prefigurava. Até um pacote com mexilhões, anéis de lula, pedaços de polvo e camarão eu comprei, imaginando algo parecido com a soberba Casuela de Calamares que fiz certo dia para a Lika. Espero que não fique só na imaginação. Até um Merlot de boa cepa veio junto como incentivo.</p>
<p>5-Segunda a noite comi um pedaço de pizza que trouxe de Porto Alegre, levemente incrementada com mais uns pedaços de queijo e uma lata de sardinha ao molho de tomate. Gastronomicamente, um início pobre, confesso. Pretendo, para os próximos Mares de Letra, elegar a gastronomia como parte integrante e prioritária do projeto.</p>
<p>6-Para aumentar minha produtividade na produção dos textos do novo, decidi que o cardápio do meio-dia se resumiria a um sanduiche. O motivo não é tanto a perda de tempo na confecção de um cardápio mais elaborado, mas os efeitos colaterais da degustação de uma refeição mais substanciosa acompanhada, invariavelmente, de cerveja ou vinho. A produção intelectual do início da tarde fica algo prejudicada. No entanto, esse plano falhou miseravelmente na terça-feira. Acontece que, no retorno da minha caminhada da manhã, já perto do meio-dia, passei em frente a um dos quiosques da beira-mar de Capão e um aroma irrestível penetrou em minhas narinas e me arrastou até o lugar de onde ele vinha: uma churrasqueira. Isso mudou imediatamente meus planos para o jantar, que era um espagueti a bolonhesa com iscas de peito de frango (tudo ingredientes que já estavam na geladeira). Fiz o espagueti no almoço e tirei do congelador um belo pedaço de maminha que irá para a churrasqueira à noite.</p>
<p>7-Fazia tempo que não faltava luz em Capão da Canoa. Ao menos não por mais de duas horas, como aconteceu na terça-feira. Interessante que sempre que falta luz relembro que esse é, sem dúvida nenhuma, uma das invenções mais imprescindíveis do ser humano. Mas, ao mesmo tempo, sua ausência revela uma porção de coisas que estavam ocultas (ou, no caso, melhor seria dizer ofuscadas). Por exemplo, terça era noite de lua cheia. E é sempre um espetáculo fantástico ver a lua surgindo no horizonte, atrás do mar, linda e brilhante. Mas, com todas as luzes de Capão apagadas, ela brilhou ainda mais imponente. Avassalador. Daquelas coisas de assistir de joelhos, agradecendo a verdadeira dádiva.</p>
<p>8-Também descobri, com a falta de luz, que não tenho em casa nem lanterna, nem uma mísera vela. Ainda bem que uma pequena luminária que uso no meu notebook e que funciona conectada à porta USB, quebrou o galho. E à lua cheia, claro, que iluminou parte da minha sala como se fosse dia.</p>
<p>9-Outra coisa da qual estava afastado (e que, de vez em quando, me traz muitas saudades) era meu violão. Desta vez não esqueci de trazer o afinador eletrônico (que substitui, como uma muleta, minha incapacidade deprimente de distinguir tons) e meu livrinho de músicas. Os dedos vacilaram nas pestanas e começaram a doer logo após os primeiros acordes. Mas o coração pulou faceirinho uma barbaridade.</p>
<p>10-Vi, pela janela, um velhinho atravessar a rua com seu passo claudicante. Usava um casaco de crochê mostarda, um gorro preto de lã, sandálias e meias escuras. Arrastava as pernas com dificuldade, olhando para os lados e para o chão à sua frente com desconfiança. Do outro lado da rua, na calçada, uma menina loirinha de uns treze anos, vestindo uma bermuda de malha azul brilhante e uma camisetinha branca sem mangas, avançava rápida sobre seu par de patins. Nunca antes esse contraste me pareceu tão aterrorizante. Será que é porque nunca antes eu tive cinquenta e um anos?????????????</p>
<p>11-Depois das chuvas, os dias têm sido lindíssimos. Claros, ensolarados, com uma temperatura de país civilizado. Não bastasse isso, o mar está liso e azulado, com as longas linhas de ondas quebrando muito brancas. As caminhadas da manhã são revigorantes. Terça, havia um vento sudoeste frio e irritante, que tive que driblar voltando da caminhada pela avenida Paraguaçú. Mas ver o movimento, as vitrines coloridas e a agitação de tamanho exato do centro de Capão da Canoa também tem sua beleza. Acho que estou ficando velho e sentimental&#8230;</p>
<p>12-Na nova versão cinematográfica de Sherlock Holmes, o famoso detetive afirma: &#8220;É inconveniente tentar criar teorias com fatos incompletos. Fatalmente você deturpará os fatos para provar sua teoria, ao invés de procurar uma teoria que explique os fatos, como manda a boa ciência&#8221;. Eis uma das pragas modernas: todas as pessoas estão cheias de teorias e pouco se lixam para os fatos. A realidade, quando se trata de desejos e necessidades, é totalmente irrelevante. Daí para se chegar a conclusão de que todos tem a sua própria verdade foi um tapa. E deu nessa merda na qual estamos atolados. O fato é que não poderia ter dado em outra coisa.</p>
<p>13-Descobri hoje, na propaganda política obrigatória e indesejável, que o Partido Progressista faz parte da base do Governo Lula. Dizia um dos políticos que ocupava a telinha que o governo do PT defendia pontos importantes da cartilha do partido. Quem é o PP? Não sei. Mas descobri também que um de seus principais membros é Paulo Maluf. Depois, querem que se leve a política a sério no Brasil&#8230;</p>
<p>14-&#8221;A hipocrisia é nosso último reduto de privacidade&#8221;, diz Cindy, uma scort-girl, no livro &#8220;Fletcher venceu&#8221;, de Gregory McDonald. Sim, estou lendo um livro de Fletcher, um jornalista atrapalhado que desrespeita tudo que é regra e gosta de brincar de detetive. É uma paródia, de gosto duvidoso e qualidade literária pobre. Espero que não seja a decadência, mas apenas um prato leve entre leituras mais pesadas. Na verdade, cansei um pouco de ver Philip Roth falando de suas paranóias com a velhice e sua fixação com a morte.</p>
<p>15-Sábado, último dia de Mar de Letras, acordei muito cedo para assistir ao nascer do sol. Cevei um mate, ajeitei a cadeira na frente da janela, sentei e aguardei o espetáculo. Por mais que eu estivesse preparado, não imaginaria algo tão esplêndido. Magnífico. Maravilhoso. Fantástico. Espetacular. Extasiante. Monumental. Incrível. Mágico. Inebriante. Etc, etc, etc&#8230; Sei que a alegria e a felicidade faz uma literatura muito mais pobre do que a dor e a angústia. Já dizia Vinícius de Morais, nosso querido e eternamente embriagado poetinha: &#8220;mas pra fazer um samba com beleza / é preciso um bocado de tristeza / é preciso um bocado de tristeza / se não não se faz um samba, não&#8221;. Ah, foda-se a tristeza e até a boa literatura. Nessa hora, quero mesmo é poder sentir toda essa felicidade que a vida me reservou (ou eu conquistei, sei lá). Só sei que vale a pena lutar por ela, mesmo tendo que sacrificar outras coisas. Inclusive a boa literatura.</p>
<div id="attachment_355" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/05/DSC04015_640x4801.jpg"><img class="size-full wp-image-355" title="DSC04015_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/05/DSC04015_640x4801.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">A lua surgindo no horizonte</p></div>
<div id="attachment_356" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/05/DSC04050_640x4801.jpg"><img class="size-full wp-image-356" title="DSC04050_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/05/DSC04050_640x4801.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">O nascer do sol... indescritível</p></div>
<p>&#8230;</p>
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		<title>HD TV: verdades e mentiras</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Apr 2010 04:02:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Todos sabem que vendedor é uma profissão que exige uma grande dose de persuasão. E boa parte dela está baseada na sua capacidade de mentir ou, na melhor das hipóteses, de esconder informações que não interessem ao seu obejtivo maior que é vender a qualquer custo.
Com a proximidade da Copa do Mundo, e um pouco [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Todos sabem que vendedor é uma profissão que exige uma grande dose de persuasão. E boa parte dela está baseada na sua capacidade de mentir ou, na melhor das hipóteses, de esconder informações que não interessem ao seu obejtivo maior que é vender a qualquer custo.</p>
<p>Com a proximidade da Copa do Mundo, e um pouco decepcionado com o péssimo sinal que recebo da Sky, minha operadora de TV a cabo, resolvi pesquisar se valia a pena assinar um pacote com canais HD (de alta definição). A primeira coisa que descobri é que a oferta de canais transmitindo em HD é muito pequena. Depois, descobri que a desinformação dos vendedores, tanto das operadoras de TV paga quanto das lojas que comercializam aparelhos, é de chorar. E descobri, finalmente, que esses vendedores compensam sua falta de conhecimento com um bem arquitetado conjunto de informações falsas cujo objetivo é vender pacotes de canais HD e TVs Full HD.</p>
<p>Antes de analisarmos os fatos verdadeiros, vamos recordar algumas definições técnicas. O principal fator que caracteriza a qualidade de uma transmissão de imagem é chamado de <em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/HDTV" target="_blank">definição</a></em>. Como se forma a imagem em uma TV? A grosso modo, ela é desenhada em &#8220;linhas&#8221; na tela, começando da esquerda para a direita e de cima para baixo. Mas não são linhas contínuas, como se você pegasse uma régua e fizesse um traço a caneta. As linhas são formadas por pontos, como se você colocasse vários pontinhos, um ao lado do outro. Então imagine que você vai colocar uma cena na tela da TV e começa no canto superior esquerdo. Você coloca um monte de pontinhos, um ao lado do outro, até formar a primeira linha. Então, começa a colocar os pontinhos na segunda linha e assim por diante, até completar a imagem em toda a tela. Como você vê, dá um trabalho danado desenhar cada lance de uma partida de futebol ou de um filme, mesmo de um jogo entre pernas-de-pau ou um filme ruim à beça.</p>
<p>Cada um desses pontinhos se chama pixels. É fácil concluir que quanto mais linhas de pontinhos, ou seja, quanto mais pixels, mais nítida será a imagem. As TVs antigas (analógicas) tinham imagens formadas por 400 linhas horizontais e 525 linhas verticais (que se escreve 525&#215;400). Com o crescimento dos televisores (que antigamente tinham, no máximo, 21 polegadas), essa quantidade de pontinhos (pixels) não era mais suficiente para &#8220;encher&#8221; a tela. Então, junto com as tecnologias LED e Plasma, surgiram várias definições maiores, sendo classificadas como SD (standard definition) imagens formadas por 480 linhas e, a partir de 720 linhas, como HD (hight definition). Os padrões atuais de TVs de LCD e Plasma mais comuns encontradas nas lojas são de 1020&#215;720, 1366&#215;726 e 1920&#215;1080 (a famosa Full HD). Além da quantidade de linhas, também é importante saber como essas imagens são formadas, se de forma entrelaçada ou progressiva. Uma explicação mais detalhada pode ser encontra <a href="http://eletronicos.hsw.uol.com.br/televisao-digital.htm" target="_blank">nesse </a>artigo. E é importante pensar que uma definição de 340 linhas em uma tela de celular pode ser excelente e que uma definição de 720 linhas em uma TV de 50 polegadas não é grande coisa.</p>
<p>Feita essa pequena (e necessária) introdução, vamos aos fatos. A primeira coisa que vendedores de TV a cabo e, principalmente, de televisores, nos levam a crer é que TV digital é sinônimo de alta definição (e que, portanto, para assistirmos a Sky ou NET digital precisamos ter uma TV digital). Depois, eles nos induzem a pensar que alta definição é sinônimo de 1920&#215;1080 pixels (isto é, 1920 linhas verticais e 1080 linhas horizontais progressivas, chamada de full HD).  Nesse embalo, as operadoras de TV por assinatura dizem que transmitem sua programação HD em 1080 linhas e, obviamente, os vendedores de TV empurram a idéia de que apenas com uma TV Full HD (bem mais cara) você poderá assistir a esses programas com uma ótima definição. Tudo mentira.</p>
<p>Primeiro, transmissão digital não é sinônimo de alta definição (e nem mesmo de grande qualidade). É apenas uma forma de transmissão de sinais diferente da TV analógica. Isso explica uma coisa que todos vêem mas não conseguem entender: porque a imagem da Sky, que é digital (e tão alardeada nas propagandas), recebida numa TV digital de 40 polegadas ou mais, é pior do que a imagem normal da TV aberta recebida numa TV analógica de 21 polegadas? Muito simples. Porque a imagem da Sky, apesar de ser digital, é transmitida em definição standard, e fica uma porcaria em uma TV com tela grande (tem poucos pixels e não consegue &#8220;encher&#8221; a tela).</p>
<p>Segundo, nenhuma operadora de TV a cabo transmite imagens com 1080 linhas progressivas (full HD). São, sim, imagens de alta definição (HD), mas com, no máximo, 720 linhas (e, em geral, menos do que isso). Portanto, com uma TV de 1336&#215;726 (padrão da maioria das TV digitais) você estará perfeitamente aparelhado para assistir a TV de alta definição, sem precisar trocar seu aparelho por uma full HD como o fazem crer os vendedores de televisão. Se você comprar uma Full HD, gastará uma boa grana a mais e terá um equipamento cujos recursos não utilizará. Aliás, pasme, mas nem seu DVD de última geração, com upscale, True Motion e o escambau, transmite com 1080 linhas. Os únicos aparelhos comerciais, atualmente, que produzem imagens full HD são os Blu-Ray e alguns jogos do Play Station 3. Um ótimo artigo que explica bem isso pode ser encontrado <a href="http://eletronicos.hsw.uol.com.br/televisao-digital.htm" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p>Portanto, a vendedora da Sky ou da NET que disser que, assinando seus pacotes HD, você estará recebendo imagens com 1080 linhas, estará mentindo. Vendedor de TV que disser que você precisa comprar uma TV full HD para assistir aos canais HD da TV por assinatura, estará mentindo ainda mais (porque essa mentira custará caro).</p>
<p>É recomendável lembrar que, se a definição é o fator mais importante ao escolher uma TV digital, ele não é o único. Outros parâmetros como tempo de resposta, taxa de contraste e outros também são importantes.</p>
<p>Mas, afinal, há uma diferença significativa entre os canais normais e os canais HD (em alta definição)? A resposta é sim. E muita, quando há riqueza de detalhes. Numa partida de tênis ou num show, aparece ao fundo uma platéia toda borrada nas TVs normais. Você nem consegue identificar se quem está assistindo é uma moça loirinha ou um orangotango peludo. Numa transmissão em alta definição, você saberá não apenas a cor do cabelo da loirinha, mas também a cor dos seus olhos e se ela está piscando para você. É impressionante a qualidade e a nitidez de detalhes em grande parte da programação em HD, principalmente quando provenientes de fontes qualificadas.</p>
<p>Se você puder, desfrute dessa nova e incrível experiência de imagem e som proporcionada pelas novas tecnologias. Mas não se deixe fazer de bobo.</p>
<p>&#8230;</p>
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		<title>Fórum da Liberdade</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Apr 2010 02:39:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Stephen Kanitz]]></category>

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		<description><![CDATA[Assistir ao Fórum da Liberdade é sempre um exercício revigorante para o intelecto. Principalmente quando existem idéias contraditórias e podemos tirar conclusões a partir de nossas próprias deduções. Ou podem tirar conclusões aqueles que possuem, no mínimo, dois neurônios realizando sinapses (o Tico e o Teco). Não pude assistir a todas as palestras, mas o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assistir ao Fórum da Liberdade é sempre um exercício revigorante para o intelecto. Principalmente quando existem idéias contraditórias e podemos tirar conclusões a partir de nossas próprias deduções. Ou podem tirar conclusões aqueles que possuem, no mínimo, dois neurônios realizando sinapses (o Tico e o Teco). Não pude assistir a todas as palestras, mas o que vi (e ouvi) foi suficiente para confirmar algumas convicções e ver repetidos alguns exageros.</p>
<p><strong>Tiro no pé</strong></p>
<p>O principal convidado do Fórum da Liberdade desse ano como representante das idéias socialistas foi o Professor João Quartim de Moraes, um estudioso de formação marxista e adepto da teoria de que, no futuro, o capitalismo desembocará, fatalmente, em uma sociedade socialista. Mas sua palestra (e seus argumentos) foram por demais claudicantes diante dos atuais fatos históricos, como a comparação entre os resultados práticos da Alemanha e da Coréia Comunistas frente às suas irmãs gêmeas capitalistas ou o sempre desconcertante hábito dos cubanos de fugirem do paraíso socialista em balsas de borracha através de mares infestados de tubarões para desembarcar na cruel, desumana e pavorosamente capitalista Miami.</p>
<p>Mas o grande tiro no pé acabou sendo dado pelo mega-executivo Carlos Ghosn, Presidente do Conselho de Administração e Diretor Executivo da Renault e da Nissan Motor. Convidado como expoente do mundo empresarial e defensor da economia de mercado, acabou elogiando envergonhadamente a intervenção dos governos na recente crise mundial, achando que agiram muito bem governantes franceses e americanos ao transferirem milhões de dólares dos contribuintes para as empresas automobilísticas ameaçadas de falência. Sua justificativa não poderia ter sido melhor invocada por esquerdistas de todos os matizes: o salvamento de empregos. Entre eles, obviamente, o próprio.</p>
<p><strong>As raposas e o galinheiro</strong></p>
<p>O painel sobre capitalismo, que deveria ser um dos mais importantes e merecedor, por certo, de sólida e vigorosa argumentação, acabou sendo entregue a dois banqueiros (Armínio Fraga, ex-Presidente do Banco Central, e Pedro Moreira Salles, Presidente do novo colosso bancário Itaú-Unibanco) e a um executivo estrangeiro que veio fazer média porque está abrindo negócios no Brasil.</p>
<p>Não foi apenas um painel monótono: comandado por dois representantes de um setor da economia que é visto com desconfiança por boa parte da sociedade, acabou pecando pela falta de credibilidade.</p>
<p><strong>Divertido mas nada a ver</strong></p>
<p>O palestrante que mais mexeu com a platéia, entre aqueles a que assisti, foi o renomado articulista de Veja e defensor meio circense dos administradores do Brasil, Stephen Kanitz. Gastou seu tempo fazendo propaganda de si próprio e tentando provar que os verdadeiros heróis da nação brasileira são os administradores. Foi o momento Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgino Mufumbo do fórum.</p>
<p><strong>Boas idéias</strong></p>
<p>Mas teve coisas boas (e outras coisas ainda melhores) nas palestras a que assisti.</p>
<p>O discurso de Marcel Granier, presidente da RCTV, a emissora perseguida e fechada por Hugo Chavez na Venezuela, foi emocionante. Ao invés de demonstrar ódio e atacar Chavez, Granier exaltou a importância da liberdade de imprensa e o trabalho árduo (e perigoso) no qual estão envolvidos todos aqueles que tentam resistir à ditadura chavista. E ressaltou a difícil tarefa de vencer o medo.</p>
<p>Juan Fernando Carpio Tobar-Subía, professor de economia no Equador, fez uma palestra magistral. Densa, cheia de informações e exemplos e, ao mesmo tempo, divertida. É dele uma afirmação instigante: é repetida com insistência a tese da exploração dos países mais pobres pelos países mais ricos, principalmente em relação ao comércio de commodities e matérias primas. Afirma-se que os países ricos compram produtos baratos (ferro, alumínio, petróleo, carne, bananas) e revendem produtos industrializados caríssimos. Pois Fernando Carpio afirma que exploração de verdade é alguém oferecer um cacho de bananas ou um barril de óleo gosmento em troca de um Ipod.</p>
<p>Outro fato interessante que aconteceu foi a confissão, mesmo que disfarçada, feita por Quartim de Moraes, o socialista, de que a Rússia, em determinado momento de crise de produção de alimentos e de fome generalizada, permitiu que algumas comunidades de camponeses passassem a produzir alimentos sem o controle do Estado, em um sistema de liberdade, entregando apenas parte da produção como imposto, ao invés de entregar toda a produção e depois receber de volta cotas de racionamento de alimentos. O aumento de produtividade foi tremendo! Lembrou um pouco os cubanos que criam porcos e galinhas nos seus apartamentos, escondidos do governo, para terem uma alimentação melhor.</p>
<p>Outra questão que surgiu em mais de uma palestra do Fórum da Liberdade foi considerações sobre a pobreza no mundo, principalmente na palestra de Eduardo Marty, um argentino muito bem articulado. Todos os dados comprovam que houve um significativo aumento da riqueza em todos os continentes. E que esse crescimento foi bem mais acentuado nos países que optaram por sistemas econômicos de mercado. O padrão de vida de um cidadão de classe média nos dias atuais é superior ao de um rei da Idade Média.</p>
<p>Por falar nessa questão, Fernando Carpio propôs um exercício de raciocínio interessante. Ele pediu que se imaginasse esse rei medieval entrando em uma máquina do tempo e vindo aos dias atuais. Aqui, ele visitaria a casa de um cidadão rico e a de um cidadão pobre. O que mais impressionaria esse visitante do tempo? As diferenças ou as semelhanças entre as duas residências? É claro que seriam as semelhanças. Esse rei, que nunca viu uma geladeira ou um fogão a gás, encontraria ambos nas duas casas. De marcas e qualidade diferentes, é certo, mas ambos estariam presentes, tanto para o rico quanto para o pobre. Encontraria também, para seu total espanto, coisas incríveis como televisão e rádio. E encontraria em ambas as residêncais a maior invenção de todos os tempos, o utensílio mais útil e revolucionário que se pode imaginar: o banheiro. Para um rei que fazia suas necessidades em um penico e as guardava debaixo da cama, o banheiro é muito mais revolucionário do que o Ipod ou a internet.</p>
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		<title>O outro lado</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Apr 2010 12:35:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Hamlet]]></category>
		<category><![CDATA[Manhattan Connection]]></category>
		<category><![CDATA[Piada]]></category>

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		<description><![CDATA[Hamlet, mergulhado na sua tragédia, diz: &#8220;Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia&#8221;. Filosofando, claro. Mas não quero falar de filosofia, e sim do &#8220;outro lado&#8221;. Ou &#8220;outros lados&#8221;, que sempre acompanham qualquer acontecimento, em especial os grandiosos ou trágicos.
Assistindo a um pedaço de Manhattan Connection neste [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hamlet, mergulhado na sua tragédia, diz: &#8220;Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia&#8221;. Filosofando, claro. Mas não quero falar de filosofia, e sim do &#8220;outro lado&#8221;. Ou &#8220;outros lados&#8221;, que sempre acompanham qualquer acontecimento, em especial os grandiosos ou trágicos.</p>
<p>Assistindo a um pedaço de Manhattan Connection neste final de semana, acompanhei uma discussão sobre o aumento das medidas de segurança implantadas nos aeroportos dos Estados Unidos, reforçadas a cada novo atentado terrorista. Ricardo Amorim dizia que um dos efeitos colaterais do atentado de 11 de setembro (entre tantos outros) foi a diminuição do uso do transporte aéreo por muitos americanos. E isso não apenas devido ao medo de novos atentados, mas às próprias dificuldades e transtornos causados pelo aumento das medidas de segurança nos aeroportos. Como os índices de acidentes e mortes nos transportes terrestres (principalmente nas estradas) é muito maior do que no transporte aéreo, Amorim afirmava que a Al Qaeda havia matado mais americanos nas estradas do que nas torres gêmeas.</p>
<p>E nos vangloriamos de nossa inteligência e racionalidade.</p>
<p>&#8212;*&#8212;</p>
<p>Esse blog, fiel ao seu ecletismo, também publica piadas. Quando elas, claro, têm um &#8220;outro lado&#8221;:</p>
<p>A moça se derrama em lágrimas diante do juiz. O magistrado, condoído diante de tanta dor, pergunta delicadamente:</p>
<p>-Mas quando a senhorita percebeu que havia sido um estupro?</p>
<p>-Quando o cheque voltou, meretríssimo! &#8211; Buááááááááá</p>
<p>&#8230;</p>
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		<title>Mar de Letras again</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Mar 2010 02:13:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Grandes eventos]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Altair Martins]]></category>
		<category><![CDATA[Guri de Uruguaiana]]></category>
		<category><![CDATA[Mar de Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Marcelo Bakes]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Sandra Bulock]]></category>

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		<description><![CDATA[14 a 20/03/2010
1-Eis-me novamente em Capão para mais uma edição do Mar de Letras. Depois das últimas confissões sobre o prazer quase transcendental que esse retiro ócio-literário-espiritual me proporciona, desnecessário repetí-las. Apenas para não deixar passar em branco esse momento de intenso sentimento, vou abandonar momentaneamente a linguagem literária para reafirmar essa sensação de uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>14 a 20/03/2010</p>
<p>1-Eis-me novamente em Capão para mais uma edição do <em>Mar de Letras</em>. Depois das últimas confissões sobre o prazer quase transcendental que esse retiro ócio-literário-espiritual me proporciona, desnecessário repetí-las. Apenas para não deixar passar em branco esse momento de intenso sentimento, vou abandonar momentaneamente a linguagem literária para reafirmar essa sensação de uma forma mais, como direi, popular: é bom pra caralho!</p>
<p>2-Bueno, deixe-me retirar o ócio e o espiritual. O Mar de Letras de janeiro tinha uma forte carga de relax após os quatro anos da Faculdade de Letras. Eu estava com um fartão da PUC (agora estou com saudades, fazer o quê&#8230;), e queria mesmo vadiar, apenas vadiar. Por isso caminhei muito, li muito, vi vários filmes e produzi uma razoável quantidade de textos descomprometidos. Dessa vez, porém, estou aqui com um compromisso e já bastante atrasado. Em dezembro, fechei contrato para a produção de mais uma história empresarial de uma importante indústria de alimentos do Vale dos Sinos. Com as festas de final de ano, as várias férias (esse foi um ano generoso!) e mais carnaval e otras cositas, acabei ficando atrasado com meu cronograma. Consegui fazer várias entrevistas e recolher boa quantidade de material, mas a produção literária estava um fiasco. Então, esse Mar de Letras foi uma concentração para recuperar o atraso. Deu certo.</p>
<p>3-Mas, em contrapartida, todo o resto foi pobre de doer.</p>
<p>4-Em termos de leitura, avancei mais algumas páginas do livro que eu já estava lendo, <em>maisquememória</em>, do Marcelo Bakes, mas sem dedicação nem entusiasmo. É um livro estranho, que merece o rótulo de interessante mas que não me fez perder o sono nenhuma noite. Consegui ler um conto do Altair Martins, publicado no jornal literário Rascunho que assino (e pouco leio), uma reportagem antiga sobre uma viagem de moto de um maluco até Ushuaia (maluco não por ter ido até lá de moto, mas por ter feito isso em três dias e meio, com uma média de quase mil quilômetros por dia!). Ah, e li também um rótulo de um vidro de azeite de oliva. Pouco, muito pouco. Também tentei ler uns dois artigos da <em>Speak-Up</em>, uma espécie de curso de inglês em formato de revista, mas o resultado foi tão lamentável que nem conta. Apaga aí.</p>
<p>5-Em termos culinários, foi pior ainda. Tirando os churrascos de segunda, quinta e sexta, o resto foi alguns sanduíches sem imaginação, uma galinha assada no forno com menos imaginação ainda e uma omelete sem comentários. Arrisquei uma salada de siri, usando um pouco da carne que havia comprado para fazer umas casquinhas no sábado para minha amada e a sogra, mas o resultado foi decepcionante. Não das casquinhas, bem entendido. Mas, pensando bem, que chances tinha uma salada de siri de sair uma coisa que prestasse?</p>
<p>6-No departamento cinematográfico, as coisas não foram muito melhores. Remei dois dias num filme chato de doer que simplesmente não engrenava. O nome do dito era <em>O solista</em>, com o Downey Junior e o Jamie Fox. Os atores não são ruins, mas o roteiro se arrastava para lugar nenhum. Simplesmente abandonei o maldito. Praga de alguma associação anti-pirataria?</p>
<p>7-Também tentei o <em>The blind side</em> (pessimamente traduzido em português para <em>Um sonho possível</em>), filme que deu um espantoso Oscar para Sandra Bulock na edição desse ano. Em tese, o filme se baseia numa história real. Mas é tão inverossímel que só pode mesmo ter acontecido na realidade. Na ficção, não convence.</p>
<p>8-Quanto ao Oscar da Sandra, certamente foi uma piada da Academia. Logo, logo eles devem chamar a Meryl Streep, pedir desculpas e dizer que as piadas da cerimônia estão mesmo ficando cada vez mais sem graça.</p>
<p>9-Para não dizer que foi tudo lamentável, cinematograficamente falando, dei boas risadas com o DVD do show do Guri de Uruguaiana, uma competente criação do Jairo Kobe. Ver o Michael Jackson e o Elvis Presley interpretando o <em>Canto Alegretense</em> foi de lascar. E as participações do Rui Biriva e do Daniel Torres estavam excelentes.</p>
<p>10-O tempo ajudou e consegui manter longas e deliciosas caminhadas à beira mar. Como o mar estava limpo e a areia livre do enxame de porcos que caminham sobre duas patas e transformam a praia num lixão a céu aberto durante a temporada, foi só alegria. Deu até para filosofar sobre o incrível contraste entre a obra de Deus e a obra dos homens, expostas lado a lado. Mas ficou tão piegas que vou poupar vocês, estimados leitores.</p>
<p>11-Escrevo essas tortuosas linhas na sexta-feira, depois de um churrasquinho amigo e de terminar de ver o filme da Sandra Bulock, e já recordo que amanhã é dia de voltar para a cidade. Algumas lamentações até caberiam, mas seria uma ingratidão.</p>
<p>12-Nesse entrevero, troquei vários telefonemas com minha amada que está na maior ansiedade. Depois de dez anos com seu valente Ka, ela está trocando de carro. Merecido, muito merecido. É uma mulher adorável, cheia de entusiasmo e batalhadora. Merece até o excepcional (e modesto) parceiro que tem.</p>
<p>13-Como nem tudo é perfeito, acabo de lembrar que a pia está cheia de louça, talheres, copos e espetos. Minha saudade da minha amada aumentou.</p>
<p>14-Por mais inacreditável que pareça (e é realmente inacreditável), depois da fraca produção literária da segunda-feira decidi que teria que mudar minha rotina para que pudesse chegar ao menos perto do objetivo deste Mar de Letras. Então, acordei às sete e meia na terça e, na quarta, quinta e hoje, às sete. Eu disse que era inacraditável. Eu próprio não acredito. E amanhã, sábado, pretendo acordar às sete de novo. Acredito menos ainda.</p>
<p>15-Pois acordei de novo às sete! Foi demais! Nem São Pedro aguentou. Choveu uma barbaridade.</p>
<p>16-Mas chuva só é castigo para quem fica. Como eu ia embora da praia, logo saiu um sol de rachar.</p>
<p>17-Nada que abalasse meu bom humor ou diminuísse essa minha espécie de felicidade existencial. Ah, que bem me faz um <em>Mar de Letras</em>!</p>
<p>&#8230;</p>
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		<title>Devassa de mentirinha</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 16:09:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[devassa]]></category>
		<category><![CDATA[Paris Hilton]]></category>
		<category><![CDATA[Schincariol]]></category>

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		<description><![CDATA[O Conar (Conselho nacional de Autoregulamentação Publicitária) proibiu a veiculação de comercial da cerveja Devassa, nova marca da cervejaria Schincariol, estrelado pela polêmica Paris Hilton. O argumento é de que a campanha comercial teria &#8220;apelo sensual excessivo&#8221; e seria &#8220;desrespeitosa à condição feminina e de natureza sexista&#8221;.
Não gosto da Paris Hilton e muito menos da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Conar (Conselho nacional de Autoregulamentação Publicitária) proibiu a veiculação de comercial da cerveja Devassa, nova marca da cervejaria Schincariol, estrelado pela polêmica Paris Hilton. O argumento é de que a campanha comercial teria &#8220;apelo sensual excessivo&#8221; e seria &#8220;desrespeitosa à condição feminina e de natureza sexista&#8221;.</p>
<p>Não gosto da Paris Hilton e muito menos da Schincariol. Mas, como ser humano normal, fiquei automaticamente curioso para saber que excessos de libertinagem essa escandalosa propaganda havia cometido que justificasse a aplicação de algo tão deplorável e fora de moda quanto a censura.</p>
<p>Felizmente, a internet veio nos libertar do jugo autoritário dos donos da verdade e da virtude. Bastou digitar algumas palavras e dar um clique e encontrei a escorraçada propaganda <a href="http://www.youtube.com/watch?v=8wpUJNkKCE4" target="_blank">aqui</a>. Me ajeitei na cadeira e me preparei para uma experiência proibida, tórrida, talvez, quem sabe, até devassa.</p>
<p>Que decepção! O comercial mostra a Paris Hilton completamente vestida, num quarto de hotel envidraçado, esfregando uma lata de cerveja pelo corpo com a sensualidade de um chipanzé amestrado, enquanto um bando de admiradores pouco convincentes fica apreciando a cena de longe. Perto do que se vê na televisão brasileira, bem poderia ser o comercial de uma paróquia convocando seus fiéis para um comportamento mais recatado.</p>
<p>Só há duas explicações. Ou o pessoal da Ambev, usando o poder absurdo que possui, resolveu dar uma rasteira na concorrente, ou o pessoal da Schin se deu conta de que uma proibição do Conar e toda a polêmica gerada pela medida quixotesca daria um recall maior do que a veiculação normal deste comercial fraquinho.</p>
<p>Por via das dúvidas, vou continuar bebendo Bohemia.</p>
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		<title>Estamos avisados</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 20:15:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amigos]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia de botequim]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[paraíso]]></category>

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		<description><![CDATA[Sábado, voltamos da Praia da Barra, em Garopaba, após uma semana e meia mergulhados numa deliciosa imitação do paraíso.
Domingo, fomos ao enterro do pai de um grande amigo nosso, que morreu de forma inesperada.
Registro esse contraste não para provocar filosofadas de botequim sobre a finitude da vida ou a fragilidade de nossa condição humana. É [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sábado, voltamos da Praia da Barra, em Garopaba, após uma semana e meia mergulhados numa deliciosa imitação do paraíso.</p>
<p>Domingo, fomos ao enterro do pai de um grande amigo nosso, que morreu de forma inesperada.</p>
<p>Registro esse contraste não para provocar filosofadas de botequim sobre a finitude da vida ou a fragilidade de nossa condição humana. É para lembrar de não ficarmos reclamando por bobagens nem adiando projetos por preguiça ou covardia.</p>
<p>Sei que não funciona. Mas estamos avisados.</p>
<p>&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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