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	<title>O Jardim do Diabo &#187; Reflexões</title>
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	<description>A mente desocupada é o Jardim do Diabo</description>
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		<title>Costela no Espeto News</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Dec 2011 20:25:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Para ver em PDF, clique aqui: Costela no espeto News &#8211; ed 1
&#8230;
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			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_907" class="wp-caption alignnone" style="width: 733px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/12/Costela-no-espeto-News-ed-1-640x4805.jpg"><img class="size-large wp-image-907" title="Costela no espeto News - ed 1 - 640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/12/Costela-no-espeto-News-ed-1-640x4805-723x1024.jpg" alt="" width="723" height="1024" /></a><p class="wp-caption-text">Comemoração do Mazembe Day, na África</p></div>
<h2><strong>Para ver em PDF, clique aqui: <a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/12/Costela-no-espeto-News-ed-12.pdf">Costela no espeto News &#8211; ed 1</a></strong></h2>
<p><strong>&#8230;</strong></p>
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		<title>Mar de Letras &#8211; afinal, o que é?</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Sep 2011 14:14:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Mar de Letras]]></category>

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		<description><![CDATA[Alguns amigos ainda me perguntam o que, afinal de contas, é o projeto Mar de Letras. Relembrando sua origem, fui parar no distante mês de julho de 2007, há mais de cinco anos atrás. Na época, eu estava em uma espécie de atoleiro literário. O último livro que eu publicara havia sido a novela juvenil [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alguns amigos ainda me perguntam o que, afinal de contas, é o projeto Mar de Letras. Relembrando sua origem, fui parar no distante mês de julho de 2007, há mais de cinco anos atrás. Na época, eu estava em uma espécie de atoleiro literário. O último livro que eu publicara havia sido a novela juvenil <em>A luz que guia também pode cegar</em>, em agosto de 2004. Iniciei dois projetos, um livro de contos chamado <em>As razões de Rita</em> (cuja ideia eu havia desenvolvido na Oficina de Criação Literária do Assis Brasil, em 2000) e um romance extremamente ambicioso que pretendia contar uma parte da história brasileira, após 1960, de um ponto de vista que ainda não foi contado, chamado <em>A metade sã da maçã</em>. Mas nenhum avançava. O livro de contos estava praticamente pronto, mas eu tinha dúvidas de sua qualidade literária. E o romance épico estava muito além da minha disponibilidade de tempo para um projeto de tal envergadura. Então, sufocado nessa aridez criativa, comecei a buscar alternativas para fugir da rotina da empresa que me tolhia a criatividade e encontrar uma forma de voltar a produzir literatura. Em outubro de 2006 eu havia comprado um pequeno apartamento em Capão da Canoa e a atração que sua janela exercia era simplesmente irresistível. Então, somei A+B e surgiu o projeto Mar de Letras, assim poeticamente explicado:</p>
<p><em>Chega de angústias e lamentações, de cobranças e sentimentos de culpa. Está na hora de não fazer algo. Seguir os instintos. Deixar rolar. Perceber o sinal, o grito, o chamado, a oportunidade. Ou nada disto, muito antes pelo contrário. Beber e vadiar. Pensar, caminhar, esquecer. Quem sou eu, de onde vim, para onde vou? Who knows? Who cares? Quem disse que eu devo ser alguém, ter alguma importância, fazer alguma diferença? Fui eu que pensei isso sozinho ou Shakespeare e Grouxo Marx me assopraram no ouvido? Ah, o velho direito ao foda-se&#8230;</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>O mar está lá. A janela está lá. A longa faixa de areia branca para ser marcada com passos reflexivos, o espaço idílico, o visual fantástico, quase irreal, está lá. Mas não é para funcionar como desculpa ou obrigação. Apenas acolher, aconchegar, embalar, incentivar. Útero e palco. Apenas ir. Sem planos e metas, sem obrigações ou compromissos.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Revisitar meus textos. É neles que me encontro, me vejo e me projeto, fui no agora, sou no agora e serei agora também. Detetive de mim mesmo, buscando minha identidade nas lembranças esquecidas, nos livros relembrados, no diagrama das dores e amores, dos amigos e tribos, nos grupos que freqüentei e nos que evitei, nos que me esnobaram e os que esnobei. Pensar meu pai, sua história como parte da História, sua história entrelaçada à minha, minha história refletindo a dele. Pensar minha mãe nos conflitos marcantes e na identidade arraigada que tatua uma parte fundamental de mim, talvez a mais fundamental, temo em pensar&#8230;</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Conjeturar meus contos que são fugas ou projeções, sim, mas que são acima de tudo desafio. Um desafio que me motiva, me incendeia, me enternece, me alegra indizivelmente. Caminhar pela beira da praia tentando construir um personagem, formatar uma trama, refletir sobre um tema às raias do absurdo ou da filosofia. Ou só caminhar. Pensar naquelas palavras que se alinham, nas frases que se entrelaçam, no jogo sonoro que é beleza mas também significado. Ou só pensar numa costela assada, numa cerveja gelada e numa <em>derrière</em> estonteante.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Vou. Preciso ir. Talvez já devesse ter ido. Bandini foi. Gabi foi. Tantos outros atenderam ao chamado que não veio do além, mas de si mesmos.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Fui.</em></p>
<p>E continuo indo&#8230;</p>
<div id="attachment_803" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/09/DSC08591_640x480.jpg"><img class="size-full wp-image-803" title="DSC08591_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/09/DSC08591_640x480.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">A janela do Mar de Letras, ao amanhecer...</p></div>
<div id="attachment_804" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/09/DSC04015_640x480.jpg"><img class="size-full wp-image-804" title="DSC04015_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/09/DSC04015_640x480.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">... e ao anoitecer</p></div>
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		<title>Tirando a poeira</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Aug 2011 19:15:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[corrupção]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma Roussef]]></category>
		<category><![CDATA[legalidade]]></category>
		<category><![CDATA[Leonel Brizola]]></category>

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		<description><![CDATA[Eis que novamente deixo meu louvável blog meio abandonado. E, como sempre, desculpas não faltam. A mais importante delas é que algumas coisas realmente importantes andaram acontecendo nos últimos seis meses e uma etapa de mudanças que inicie em 1999 finalmente chega ao fim. Mas conto isso outra hora, provavelmente publicando o texto do Mar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eis que novamente deixo meu louvável blog meio abandonado. E, como sempre, desculpas não faltam. A mais importante delas é que algumas coisas realmente importantes andaram acontecendo nos últimos seis meses e uma etapa de mudanças que inicie em 1999 finalmente chega ao fim. Mas conto isso outra hora, provavelmente publicando o texto do Mar de Letras de agosto que está longo como gostam meus amigos mais afáveis e que explica essa história.</p>
<p>&#8211;X—</p>
<p>Ando impressionado com a onda gigantesca de descobertas de corrupção no governo de Dilma Roussef. Está certo que, considerando quem é seu Vice-Presidente e seus aliados (a nata da oligarquia brasileira, liderada pelo grande cacique José Sarney), isso já era de se esperar. Só que não nesse volume surpreendente.</p>
<p>Mas o que impressiona mesmo é que a grande maioria desses Ministros de Estado e seus assessores eram membros do governo Lula, e foram herdados por Dilma. Ou seja, está provado mais do que nunca que o governo de Lula era um antro assombroso de corrupção, desvios de verbas públicas, superfaturamento e outras falcatruas.</p>
<p>Estava coberto de razão o Promotor-Geral da República Antônio Fernandes de Souza que <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_do_Bando_dos_40" target="_blank">indiciou</a>, em 2007, quarenta membros do governo e assessores no episódio do mensalão. O problema é que o Ali-Babá encerrou seu mandato e passou o cargo para Dilma. Mas sua quadrilha ficou&#8230;</p>
<p>&#8211;X—</p>
<p>Zero Hora fez uma série de <a href="http://www.clicrbs.com.br/especiais/diversos/popup_legalidade_middle_zerohora_quarta.htm" target="_blank">reportagens </a>em comemoração aos cinquenta anos do episódio da Legalidade, liderado por Leonel Brizola, ocorrido logo após a renúncia de Jânio Quadros e a mobilização militar para que seu vice, João Goulart, não assumisse a Presidência.</p>
<p>No final, fica a sensação de que o momento mais marcante de todo o episódio foi a decisão do General José Machado Lopes, Comandante do III Exército, de desobedecer a uma determinação direta do Ministro da Guerra, Odílio Denys, que o ordenou, em 28 de agosto de 1961, a: “compelir imediatamente o Sr. Leonel Brizola a pôr termo a ação subversiva que vem desenvolvendo&#8230;”, ordenando que “&#8230;empregue a Aeronáutica, realizando inclusive bombardeio, se necessário”. O General Machado Lopes havia chegado à conclusão de que Brizola agira mais rápido do que o III Exército e mobilizara não apenas a Brigada Militar, que ocupara vários pontos estratégicos em Porto Alegre, mas iniciara uma competente mobilização da sociedade civil através do rádio, que ficou conhecida como a Cadeia da Legalidade. Se ele cumprisse a ordem de Odílio Denys, haveria um violento derramamento de sangue. O Rio Grande do Sul esteve muito perto de uma guerra civil de consequências dramáticas.</p>
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		<title>Da série &#8220;Até o Pinóquio duvida&#8230;&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Jun 2011 20:41:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Até o Pinóquio duvida]]></category>

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		<description><![CDATA[O inverno chegou com tanto rigor no Rio Grande do Sul que, em Gramado, o Jardim Zoológico da cidade foi obrigado a instalar um ar-condicionado no recinto dos pinguins! Sééééééério!
&#8212;x&#8212;
Nos Estados Unidos, um condomínio de luxo contratou uma empresa especializada em testes de DNA para identificar e punir delinquentes e seus donos. Os criminosos são [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O inverno chegou com tanto rigor no Rio Grande do Sul que, em Gramado, o Jardim Zoológico da cidade foi obrigado a instalar um ar-condicionado no recinto dos pinguins! Sééééééério!</p>
<p>&#8212;x&#8212;</p>
<p>Nos Estados Unidos, um condomínio de luxo contratou uma empresa especializada em testes de DNA para identificar e punir delinquentes e seus donos. Os criminosos são cachorros que depositam seus excrementos em jardins e calçadas. O objetivo é analisar as fezes dos cachorros pela comparação de DNA, identificar e punir os cagões. Sééééério!</p>
<p>&#8212;x&#8212;</p>
<p>Na BR 386, no Rio Grande do Sul, um motorista de caminhão carregado com artigos de perfumaria e telefones celulares dirigia-se de Porto Alegre para Santa Maria quando teve a frente de seu caminhão cortada por um Astra. De dentro do automóvel saltou um bandido armado com uma escopeta, dependurou-se na janela do caminhão e fez o motorista dirigir por cerca de dois quilômetros para um local onde a carga seria roubada. De repente, surgiu ao lado do caminhão um outro automóvel, um Honda Fit, com cinco assaltantes usando toucas ninjas e portando armamento pesado. O primeiro bandido pulou da janela do caminhão, entrou no Astra pilotado por um comparsa e fugiu em disparada. Enquanto roubavam o caminhão, os assaltantes do Honda Fit informaram ao motorista do caminhão que iriam fuzilar os outros assaltantes porque eles estavam roubando cargas em um território que não lhes pertencia. Séééééééério!</p>
<p>&#8212;x&#8212;</p>
<p><em>Notícias publicadas na Zero Hora de 29 de junho de 2011. Sééééééério!</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Mar de Letras, que maravilha</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Jun 2011 22:11:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Grandes eventos]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Alemão Caio]]></category>
		<category><![CDATA[Capão da Canoa]]></category>
		<category><![CDATA[Chaves Barcelos]]></category>
		<category><![CDATA[Fritz&Frida]]></category>
		<category><![CDATA[Mar de Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Zeca Bezerra]]></category>

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		<description><![CDATA[MAR DE LETRAS – 23 a 28/05/2011
1-Este Mar de Letras começou com boas e más notícias: a má é que ele já arrancou atrasado mais uma vez. Na 2ª feira, tive que ir na empresa pela manhã: não havia conseguido fazer a programação financeira de toda a semana, desta vez menos por falta de dinheiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>MAR DE LETRAS – 23 a 28/05/2011</p>
<p>1-Este Mar de Letras começou com boas e más notícias: a má é que ele já arrancou atrasado mais uma vez. Na 2ª feira, tive que ir na empresa pela manhã: não havia conseguido fazer a programação financeira de toda a semana, desta vez menos por falta de dinheiro do que por falta de tempo; a boa notícia é que eu havia marcado para a 2ª feira de tarde uma nova reunião na Fritz &amp; Frida, por solicitação deles. Havia um novo capítulo para ser escrito e vários detalhes da publicação do livro que precisavam ser discutidos. Foi uma tarde bastante agradável, conversando sobre literatura e histórias de vida, alternativas de capa e possíveis títulos, estrutura de layout e estratégias de divulgação. Ainda não há uma data definida para a publicação, mas as coisas voltaram a se movimentar depois de uma brusca parada no final do ano passado. Beleza!</p>
<p>Saindo de Ivoti já no final da tarde, parti rumo a Capão por um caminho diferente, passando por Campo Bom, Parobé e, antes de Rolante, pegando à direita rumo à Santo Antônio. Apesar de ter feito a maior parte do caminho à noite e debaixo de chuva, foi bom escapar do velho circuito da BR 116 e freeway. Dizem que ir para lugares conhecidos por novos caminhos ajuda a prevenir o mal de Alzheimmer. Poderei dar minha opinião assim que me lembrar quem diabo é esse alemão Alz.</p>
<p>2-Como, neste final de semana, fiz dezenas de churrascos ― na sexta com a Lika, no domingo ao meio-dia com meu pai e, no domingo à noite, na casa de um amigo, ― e cheguei a Capão já depois das oito da noite, não cumpri o saboroso ritual de colocar fogo na churrasqueira para comemorar o início do sempre digno de comemoração Mar de Letras. Me contentei com coxinhas de galinha na manteiga com um spaghetini Barilla no 3. Uma delícia, considerando que não era carne assada nas brasas.</p>
<p>3-E, por falar em excesso de churrasco, isso acabou influenciando também meu almoço de terça-feira. Eu havia trazido uns filés de salmão congelados que comprara no Makro e resolvi experimentar uma receita que vi em um desses programas culinários que infestam a TV atualmente: filé de peixe grelhado com batatas cozidas grelhadas na manteiga. Achei interessante a forma como o gourmet do programa havia preparado as batatas: deixe-as cozinhar, com casca, na água fervente. Quando estiverem mais ou menos macias, corte-as em cubos médios (pode deixá-las com casca), tempere com sal ou tempero completo e coloque-as em uma frigideira com um pouco de manteiga. Deixe-as dourar levemente, virando-as para que dourem todas as faces. Tempere o filé de peixe com tempero completo, pimenta e limão e grelhe, também na manteiga. Para contrabalançar o sabor da manteiga e do peixe e dar um frescor ao prato, pique uma boa quantidade de salsinha e cebolinha frescas e espalhe sobre a batata e o peixe. É um prato leve, saudável e delicioso. E facílimo de fazer. Ah, para acompanhar, claro, um bom vinho, de preferência um tinto leve como Pinot Noir, Cabernet Franc ou Carmenère. <em>Salut!</em></p>
<p>3-No jornal de terça-feira li uma notícia que me deixou estupefato: um conhecidíssimo surfista gaúcho, pertencente a uma das mais tradicionais famílias do Estado, os Chaves Barcelos, assassinou a facadas o namorado de sua ex-esposa. O matador, Alemão Caio, com 54 anos; o morto, Zeca Bezerra, também surfista, com 50. Meus contemporâneos, famosas figuras da minha geração do surf, membros da classe alta, conhecidos personagens da elite gaúcha, com viagens e aventuras pelo Havaí, Indonésia e outros <em>points</em> famosos do surf mundial. De repente, envolvidos numa disputa amorosa que acabou numa tragédia que marcará suas famílias para sempre. Impressionante! Com essa notícia trágica na mente, cuia na mão e a garrafa térmica debaixo do braço, saí para uma longa caminha pela praia. E concluí mais uma vez que sou mesmo um rapaz de sorte.</p>
<p>4-Bom, não aconteceu na chegada mas aconteceu na tradicional quarta-feira: uma bela costela de ovelha foi para o fogo. Dia de churrasco, cerveja e futebol. Na TV, mais uma demonstração de que não existem jogos ganhos na véspera e que nem sempre uma vantagem conseguida numa partida é realmente decisiva. Em muitos campeonatos, a partir de uma determinada fase as disputas entre duas equipes passam a ser eliminatórias, com uma partida na casa de cada uma. E, em quase todas essas competições, o critério de desempate é o gol qualificado, ou seja, o gol marcado na casa do adversário. E aí, dependendo do resultado, se criam as falsas sensações de que a disputa já está vencida. Foi assim na Libertadores, onde o Internacional empatou em 1&#215;1 com o Peñarol em Montevidéu e precisava apenas de um empate em 0&#215;0 em pleno Beira Rio para seguir adiante na disputa. Perdeu por 2&#215;1 dentro de casa. O Grêmio, na final do Campeonato Gaúcho, fizera 3&#215;2 no Beira Rio e poderia, na sua casa, empatar e até perder por 1&#215;0 ou 2&#215;1 que seria o campeão gaúcho pelo quantidade de gols que havia feito no Beira-Rio. Entrou no gramado do Olímpico com a virtual faixa de campeão no peito. Pois tomou três gols em casa, foi conseguir o placar de 3&#215;2 já no final da partida, deixando tudo igual ao primeiro jogo, e acabou derrotado nos pênaltis. Quarta-feira aconteceu o mesmo com o Avai, time catarinense que vinha fazendo uma campanha espetacular na Copa do Brasil. No Rio de Janeiro havia empatado em 1&#215;1 com o Vasco da Gama e no jogo da volta, em Florianópolis, precisava apenas de um empate em 0&#215;0. Entrou em campo ovacionado por uma imensa e fanática torcida, entusiasmada com a possibilidade de um time pequeno como o Avaí conquistar um torneio tão importante que lhe daria a possibilidade de disputar a Libertadores da América, o mais importante campeonato do continente. Pois aos três minutos, em uma bola cruzada para a área, um zagueiro do Avaí pula e cabeceia de raspão contra o próprio gol. Um a zero para o Vasco. A partir daí o time catarinense ficou ansioso e não conseguiu se impor a um Vasco que fazia uma brilhante partida, com trocas de passes precisas e uma dupla de atacantes, Diego Souza e Alecsandro, criando jogadas brilhantes. Final: 2&#215;0 para o Vasco, Avaí eliminado e mais uma prova de que as vantagens podem ser ilusórias e que jogo de futebol só termina no apito final do juiz.</p>
<p>5-O último texto do livro da Fritz &amp; Frida que estou escrevendo gira em torno de políticas fiscais e o mal que impostos demasiadamente elevados ou mal formulados fazem aos negócios e à sociedade em geral. Estamos cansados de ouvir que o governo cobra muito e gasta mal. E este desperdício de um dinheiro que foi arrancado de pessoas que trabalharam muito para conquistá-lo se dá através de duas pragas que caracterizam a atividade do governo: incompetência e corrupção.</p>
<p>Mas há um outro aspecto igualmente grave e que poucas pessoas se dão conta: é da natureza do governo gastar mal. E isso acontece porque os governantes não produzem riquezas, mas são meros intermediários que as tiram de uns e entregam à outros (ficando, claro, com a maior parte a título de salários e corrupção). Há uma historinha que não canso de repetir e que exemplifica bem isso. Imagine que você vai comprar um presente para alguém. Agora imagine três situações: na primeira, você compra um presente com seu dinheiro para dá-lo a uma pessoa que você não conhece. Nesse caso, o aspecto mais importante é o preço. Você vai comprar algo bem barato, não dando muita importância para a qualidade. Agora imagine você comprando um presente para você mesmo, mas com o dinheiro dos outros. Nesse caso, o preço pouco importa. Afinal, não é você que vai pagar. O mais importante é a qualidade. Finalmente, temos a situação em que você vai comprar um presente com o dinheiro dos outros para dar a um desconhecido. Nesse caso, nem o preço e nem a qualidade são muito importantes. Se você pagar caro (levando uma comissão) e comprar uma porcaria, não vai fazer muita diferença. Pois administradores públicos, na maioria das vezes, estão fazendo exatamente isso: pegando um dinheiro que não é deles e comprando coisas para pessoas que não conhecem.</p>
<p>Imagino algum funcionário público lendo essas bem argumentadas linhas e partindo em defesa da classe: “Não é verdade! Há pessoas honestas que, inclusive, por gastarem um dinheiro que não é seu, tomam mais cuidado do que se fosse seu próprio salário”. Até pode ser. Exceções existem em todos os lugares. Mas infelizmente, conforme os noticiários, a realidade tem sido ainda pior do que a teoria.</p>
<p>6-Na quinta-feira o dia estava frio e chuvoso. Saí para caminhar já perto do meio dia, fiz o aprazível circuito da beira-mar pelo calçadão, depois passei na prefeitura para pegar o carnê do pagamento do IPTU do apartamento, fui até a agência do Itaú para abrir uma chamada conta eletrônica (na qual eles alcançam o objetivo supremo de qualquer banco que é não deixar a sua disposição nenhum funcionário – nem caixa, nem gerente, nem porteiro ‒ além de não lhe dar um talão de cheques com o qual você os inferniza na maldita tarefa de compensação) e depois passei no supermercado para comprar os ingredientes que faltavam para meu almoço e janta. A ideia era, em função do tempo pouco amistoso, encerrar por aí minhas saídas do dia. Mas não deu.</p>
<p>Já quase escurecendo, com o tempo mais firme, recebi aquele chamado irrecusável do mar. Desci até a rua, atravessei a avenida e, quando já me virava na direção do calçadão para iniciar uma lenta caminhada contemplativa, recebi um reforço do chamado. Caminhei pela areia até a beira do mar e fiquei olhando as ondas quebrarem na rebentação, tendo como moldura um céu azul-turquesa que começava a se tingir do tom róseo do pôr do sol. Ali estava, na minha frente, aquele espetáculo divino, aquela plasticidade inebriante da qual já falei aqui tantas vezes mas que não canso de exaltar. E me veio aquela sensação de infinita paz e reverência, aquele ânsia de fazer um profundo agradecimento, uma vontade de me ajoelhar e agradecer em infindáveis genuflexões a algum ente divino ou à ordem cósmica pela oportunidade de estar aqui e de desfrutar desse sentimento visceral.</p>
<p>Talvez alguns amigos coloquem essas adocicadas linhas na categoria de “viadagem”, não sem alguma razão.Mas vale o risco, vale o risco&#8230;</p>
<p>7-Esses idolatrados Mar de Letras têm como objetivo principal focar minha ainda claudicante carreira literária, envolto nesse ambiente marítimo que tanto me fascina. Mas eles também servem para resgatar alguns prazeres que, nessa caminhada meio atribulada, acabam abandonados à beira da estrada da vida. Nos últimos dias tenho conseguido dedilhar um pouco meu violão, desenferrujando os dedos há tanto distantes das cordas e dos acordes. E, em especial, tenho me esforçado para tocar a belíssima <em>When I need you</em>, de Albert Hammond, que descobri meses atrás em um programa do Multishow. Para quem tem um amor verdadeiro, recomendo. Veja aqui: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=7kN0it5yK4s">http://www.youtube.com/watch?v=7kN0it5yK4s</a>. É de arrepiar! Aqui, a tradução da letra: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=PfMbn4NjnSA">http://www.youtube.com/watch?v=PfMbn4NjnSA</a>.</p>
<div id="attachment_758" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/06/DSC00226_640x480.jpg"><img class="size-full wp-image-758" title="DSC00226_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/06/DSC00226_640x480.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">O sempre espetacular nascer do sol</p></div>
<div id="attachment_759" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/06/DSC00215_640x480.jpg"><img class="size-full wp-image-759" title="DSC00215_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/06/DSC00215_640x480.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Salmão com batatas grelhadas na manteiga: funcionou</p></div>
<div id="attachment_761" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/06/DSC00220_640x480.jpg"><img class="size-full wp-image-761" title="DSC00220_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/06/DSC00220_640x480.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">O pôr do sol entre os edifícios de Capão da Canoa</p></div>
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		<title>Sobrenatural de Almeida</title>
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		<pubDate>Mon, 16 May 2011 19:44:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Grenal]]></category>
		<category><![CDATA[Sobrenatural de Almeida. Nelson Rodrigues]]></category>

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		<description><![CDATA[Sobrenatural de Almeida esteve lá. O sinistro personagem de Nelson Rodrigues, que costumava empoleirar-se no travessão da goleira do Fluminense, time do coração do genial escritor carioca, e aprontar as mais inacreditáveis artimanhas, esteve no Olímpico na tarde de domingo, onde decidia-se o título do Campeonato Gaúcho de Futebol.
O tempo, úmido e chuvoso e que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sobrenatural de Almeida esteve lá. O sinistro personagem de Nelson Rodrigues, que costumava empoleirar-se no travessão da goleira do Fluminense, time do coração do genial escritor carioca, e aprontar as mais inacreditáveis artimanhas, esteve no Olímpico na tarde de domingo, onde decidia-se o título do Campeonato Gaúcho de Futebol.</p>
<p>O tempo, úmido e chuvoso e que de repente deixava surgir por entre as nuvens raios brilhantes de sol, já insinuava uma tarde de acontecimentos inesperados. O Grêmio entrou em campo praticamente como campeão, após ter vencido a partida anterior, em plena casa do Internacional, pelo escore de três a dois. A vitória daria o título ao Grêmio. O empate daria o título ao Grêmio. Até mesmo uma derrota por um a zero ou dois a um daria o título ao Grêmio, pois o primeiro critério de desempate era o de gol qualificado, isto é, os gols marcados na casa do adversário.</p>
<p>Já o Inter entrou no gramado desacreditado, com um técnico contestado pelos próprios jogadores e um histórico recente de derrotas vexatórias (além da própria derrota no último clássico, os inesquecíveis vexames contra o Mazembe, pelo mundial, e contra o Peñarol, pela Libertadores).</p>
<p>Nesse clima, o jogo começou com Sobrenatural de Almeida provavelmente cochilando em algum canto do vestiário. O Grêmio impôs-se desde o início com o estilo de jogo ofensivo do seu técnico, Renato Gaúcho, e tomou conta da partida. Dominou o meio de campo, avançou com dois atacantes agudos sobre a defesa colorada, Viçosa e Leandro, e não demorou para abrir o placar. Não bastasse já carregar a vantagem da vitória no último jogo, agora o Grêmio tinha um a zero a seu favor e um volume de jogo que encurralava o Internacional no seu campo. Uma goleada se desenhava no Olímpico.</p>
<p>Então Sobrenatural de Almeida, talvez incomodado pela algazarra festiva da torcida tricolor, deve ter acordado e resolvido entrar em campo. Na passagem, tropeçou no técnico Falcão que, paralisado na beira do gramado em sua fleugma angustiada, deve ter levado um susto com o esbarrão daquela figura soturna e resolveu mexer na equipe. Colocou em campo Zé Roberto, que até então não realizara nenhuma partida digna de nota pelo Inter, e o jogo mudou de figura. O Inter passou a trocar passes com mais rapidez e a chegar ao ataque. Leandro Damião, antes completamente isolado entre os zagueiros gremistas, ganhou um companheiro para articular as jogadas. E foi exatamente dos pés de Zé Roberto, após um lance de linha de fundo, que surgiu o cruzamento para o oportunista Leandro Damião empatar a partida.</p>
<p>Mas Sobrenatrural de Almeida não estava satisfeito. O domínio do Grêmio havia desaparecido e as duas equipes faziam uma partida equilibrada, priorizando o ataque e jogando de forma agressiva. Mas foi o Inter que voltou a marcar, com um chute de fora da área de um Andrezinho que há vários minutos se arrastava mancando pelo campo. O resultado de dois a um ainda dava o título ao Grêmio em função do critério de gol qualificado. Mas, a essa altura, a angústia já se espalhava pela torcida tricolor. Bastava apenas mais um gol e a história mudaria completamente: o título seria do Inter. E o gol veio de um pênalti duvidoso já aos trinta minutos do segundo tempo. Com três a um no placar, o campeão passava a ser o Internacional.</p>
<p>Pavor nos mais de quarenta mil tricolores que lotavam o Olímpico. Pavor nos onze jogadores do Grêmio que passaram a errar passes, abalados pelo medo e pela angústia. Parecia que o destino da partida estava selado. Mas Sobrenatural de Almeida queria mais. Precisava aprontar mais uma surpresa, criar mais um lance inesperado. E ele veio num cruzamento sobre a área colorada. O goleiro Renan saltou em uma bola fácil, agarrou a pelota e, ao cair, trombou com um zagueiro da sua equipe e soltou a bola nos pés de Borges, que recém havia entrado em campo. E o atacante gremista empurrou para as redes. Três a dois, mesmo placar do jogo anterior no Olímpico, só que para o Inter, o que levava a decisão para os pênaltis. O Grêmio ainda teve mais duas oportunidades vivas de gol, a última com Lins mergulhando de bico na bola, dentro da pequena área, com o gol vazio à sua frente, e conseguindo inacreditavelmente jogar a bola por cima do travessão. Vieram os pênaltis. E aí, o goleiro que havia falhado no primeiro grenal, que havia falhado terrivelmente nesta partida, se redimiu e, milagrosamente, defendeu três penalidades máximas.</p>
<p>Contra todos os prognósticos, contra a certeza de vitória tricolor, contra o descrédito da torcida em relação ao seu técnico e jogadores, o Internacional sagrou-se Campeão Gaúcho de 2011. E o Grêmio, que fora consistentemente superior na primeira partida da decisão, em pleno Beira-Rio, que fora muito superior em quase todo o primeiro tempo no Olímpico, e que jogara de igual para igual o resto do tempo, com garra e determinação, sem se deixar contaminar em nenhum momento pelo clima de vitória antecipada, acabou derrotado nos pênaltis, em pleno Estádio Olímpico, diante de mais de quarenta mil torcedores estupefatos.</p>
<p>E Sobrenatural de Almeida, certamente, saiu do Olímpico entoando sua sinistra gargalhada.</p>
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		<title>A ilusão da alma</title>
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		<pubDate>Mon, 16 May 2011 02:22:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[alma; Eduardo Giannetti; livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Acabei de ler A ilusão da alma, de Eduardo Giannetti. Um livro instigante. Giannetti é um economista renomado que faz incursões pela área da filosofia e outros campos do conhecimento.
Nesta obra, ele faz uma visita à neurociência para discutir uma questão filosófica: a relação mente vs corpo ou, no caso, a relação mente vs cérebro. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acabei de ler <em><a href="http://www.revistadacultura.com.br:8090/revista/rc37/index2.asp?page=materia1" target="_blank">A ilusão da alma</a></em>, de Eduardo Giannetti. Um livro instigante. Giannetti é um economista renomado que faz incursões pela área da filosofia e outros campos do conhecimento.</p>
<p>Nesta obra, ele faz uma visita à neurociência para discutir uma questão filosófica: a relação mente <em>vs </em>corpo ou, no caso, a relação mente <em>vs </em>cérebro. Entende-se por mente as entidades imateriais resultantes do pensamento: desejos, medos, alegrias, desilusões. E por cérebro a entidade física, aquele pedaço de massa cinzenta e gosmenta que habita nossa caixa craniana.</p>
<p>Escrito na forma de um romance, tem como protagonista um professor de literatura que, de repente, descobre possuir um tumor no cérebro. Uma operação delicada o deixa com seqüelas físicas (uma surdez parcial) e, principalmente, com uma obsessão intelectual: com suas faculdades mentais alteradas antes de ter o tumor extirpado, ele resolve estudar a relação entre mente e cérebro. E, nessa cruzada, embrenha-se numa teoria chamada fisicalismo. Literariamente, o livro é fraco, com uma linguagem truncada e o abuso de descrições ao invés de relatos de ação. Mas a discussão sobre as implicações do fisicalismo, que aos poucos vai tomando conta do protagonista, consegue prender a atenção.</p>
<p>A grosso modo, essa teoria defende que tudo que faz parte da realidade é algo físico. Com o avanço da ciência, nós passamos a aceitar mais facilmente esta possibilidade. Fenômenos naturais que antigamente eram “coisas dos deuses – ou do demônio”, como raios ou trovões, passaram a ser explicados como descargas elétricas e choques de ondas sonoras. Ou seja, fenômenos físicos.</p>
<p>Mas o que tem a ver a teoria do fisicalismo com a discussão cérebro <em>vs</em> mente e, mais especificamente, com o livro do Gianetti?</p>
<p>É possível aceitar que a dor provocada por uma mordida de um inseto seja um fenômeno físico, provocado pela injeção de uma toxina em nosso organismo que ataca determinadas células e que nosso organismo registre isso como uma sensação desagradável. Até mesmo nosso sentimento de fome é explicado pela liberação de determinado hormônio, quando nosso estômago encontra-se vazio,  que comunica ao cérebro que há a necessidade de ingestão de alimentos. Mas como explicamos a saudade? O amor? A ambição?</p>
<p>Cientistas há muito associaram várias sensações que julgávamos ser resultado exclusivo de “pensamentos” a determinados elementos químicos liberados (ou em falta) em nosso organismo. Mas a crença que tínhamos é que era o nosso “sentimento”, isto é, a nossa mente que agia sobre o cérebro e provocava tais desequilíbrios químicos que acabavam se manifestando como dor, tristeza, angústia ou apatia. Mas os fisicalistas afirmam que é o contrário: são determinados estímulos cerebrais que provocam o pensamento.</p>
<p>Por exemplo, nós achamos que ao tomarmos a decisão mental de erguer um braço, por exemplo, esse desejo é comunicado ao nosso cérebro que envia a ordem para nossos músculos e assim realizamos essa ação. Pois o fisicalismo afirma que a ação de erguer o braço não é uma decisão racional de nossa mente, mas uma ação provocada por um estímulo que ocorre em determinado local do cérebro, de causa ainda desconhecida, e que essa decisão é comunicada à nossa consciência.</p>
<p>Os neurocientistas já tinham pistas nesse sentido quando implantaram vários eletrodos no cérebro humano e estudaram quais as áreas do cérebro eram estimuladas quando o paciente, por exemplo, era colocado diante de uma cobra e sentia medo. Na sequência, através de impulsos elétricos, eles estimularam a mesma região do cérebro e descobriram que o paciente sentia o mesmo medo, só que sem existir cobra nenhuma.</p>
<p>Mas a descoberta mais perturbadora foi quando os cientistas não apenas identificaram que área do cérebro era estimulada quando executávamos determinada ação ou tínhamos determinado sentimento, mas detectaram que o estímulo do cérebro era anterior à decisão do ato ou à sensação da mente. Isto é, quando erguíamos o braço, não era a mente que tomava essa decisão e a comunicava ao cérebro, mas o inverso. O estímulo cerebral era anterior ao pensamento consciente. Ou seja, era o cérebro que decidia levantar o braço e “comunicava” à mente, dando a falsa impressão de que a decisão havia sido um ato consciente da pessoa.</p>
<p>As implicações disso são aterradoras! Essa teoria simplesmente nos informa que a ideia de livre arbítrio é uma farsa, que o suposto controle que temos sobre nossas ações é uma impostura. Tudo o que acontece conosco, do bater do coração ao funcionamento dos intestinos, do desejo de tomar uma cerveja à decisão de viajar pelo exterior, não é fruto de nosso intelecto ou atitudes que resolvemos adotar racionalmente para nossas vidas, mas resultado de estímulos cerebrais de origem desconhecida que manipulam nossa existência.</p>
<p>Durante séculos acreditamos no dualismo mente-corpo, uma espécie de extensão da ideia de alma e corpo, de física e metafísica, de mundo tangível e intangível. Os fisicalistas afirmam que essa ideia é falsa. O universo (e o homem como parte dele) é regido apenas por um conjunto de leis que se aplicam a todos os fenômenos. E esses fenômenos são apenas físicos.</p>
<p>Como diz o título do livro de Giannetti, a alma é uma ilusão.</p>
<div id="attachment_739" class="wp-caption alignnone" style="width: 444px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/05/A-ilusão-da-alma-Giannetti1.jpg"><img class="size-full wp-image-739" title="A ilusão da alma - Giannetti" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/05/A-ilusão-da-alma-Giannetti1.jpg" alt="" width="434" height="650" /></a><p class="wp-caption-text">O livro de Eduardo Giannetti</p></div>
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		<title>Temos a quem puxar</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Mar 2011 12:50:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>

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		<description><![CDATA[Luís Inácio Lula da Silva foi agraciado com o título de Doutor pela Universidade de Coimbra. O que comprova a veracidade das piadas de portugueses.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Luís Inácio Lula da Silva foi agraciado com o título de Doutor pela Universidade de Coimbra. O que comprova a veracidade das piadas de portugueses.</p>
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		<title>Os desabamentos no Rio de Janeiro: a pergunta que faltou</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Jan 2011 19:50:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[desabamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[O recente episódio dos desabamentos na região serrana do Rio de Janeiro produziu cenas e histórias de uma dramaticidade chocante. As imagens de destruição, desespero e morte foram assombrosas e não há como não ficar impressionado e comovido com a angústia e o sofrimento daqueles que foram atingidos por essa catástrofe. Mas há uma questão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O</strong> recente episódio dos desabamentos na região serrana do Rio de Janeiro produziu cenas e histórias de uma dramaticidade chocante. As imagens de destruição, desespero e morte foram assombrosas e não há como não ficar impressionado e comovido com a angústia e o sofrimento daqueles que foram atingidos por essa catástrofe. Mas há uma questão que não se enquadra nos manuais do “politicamente correto” e que precisa ser encarada.</p>
<p>Muito se especulou sobre os motivos que desencadearam uma calamidade de tamanha proporção e assistimos a um aguerrido duelo de responsabilizações. De um lado, governo e autoridades culpando os níveis elevados de chuvas que caíram na região e as ocupações de terrenos ilegais nas encostas dos morros (como se a responsabilidade de fiscalizar e coibir ocupações ilegais não fosse do próprio poder público). De outro lado, comentaristas, críticos e palpiteiros em geral culpando o governo pela falta de planejamento para atuar em situações de calamidade e pelas ocupações de terrenos ilegais (como se fossem os governantes que tivessem comprado tijolos e cimento e construído as casas).</p>
<p>Só que, em meio a esse embate, faltou uma pergunta fundamental que não foi feita aos atingidos pela tragédia: “Mas por que, afinal, vocês construíram suas casas em uma zona de risco como essa?”. Antes que o indignado leitor se revolte com a insensibilidade da pergunta, vamos imaginar algumas respostas.</p>
<p>Uma delas, certamente, seria: “nós somos pobres e não tínhamos outro lugar para ir”. Até pode ser verdade em muitos casos. Mas uma grande quantidade de construções que foram atingidas pelas águas e pelos desmoronamentos era de classe média ou alta, incluindo aí hotéis e pousadas de luxo. E mesmo que fosse o caso de dificuldade econômica, o risco de perder a vida deveria falar mais alto.</p>
<p>Outra resposta (na linha de culpar o governo) seria: “nós não sabíamos que era perigoso. Ninguém nos avisou”. O que, na grande maioria dos casos, não é verdade. As pessoas mais simples e que moram no local possuem o conhecimento transmitido pela experiência e sabem perfeitamente o risco das ameaças naturais, até porque não é a primeira vez que inundações e deslizamentos atingem a região. Já as pessoas que não moram na região e que construíram sítios de lazer, hotéis ou pousadas, certamente foram assessoradas por engenheiros que fizeram os projetos e que têm o dever, por formação profissional, de conhecer as características e os riscos dos terrenos utilizados.</p>
<p>De fato, o que está sendo negligenciado não apenas neste caso, mas na própria cultura brasileira, é a indispensável figura da “responsabilidade individual”. As pessoas devem ser responsáveis por seus atos. Ninguém está livre de uma catástrofe natural e pouco domínio temos sobre o imponderável. Mas temos, sim, a responsabilidade sobre as decisões que tomamos. Quando escolhemos um terreno na beira do mar, na encosta de um morro ou na margem de um rio, temos que ter plena consciência dos riscos inerentes e estarmos preparados para as suas consequências.</p>
<p>É importante o papel do poder público na fiscalização, informação de perigos iminentes e na mobilização de ajuda em casos de calamidade. Mas nada supera a importância da consciência e da responsabilidade de cada cidadão sobre suas decisões individuais.</p>
<p>&#8230;</p>
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		<title>Mar de Letras com desmoronamentos</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Jan 2011 00:35:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[desmoronamentos]]></category>
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		<category><![CDATA[Mar de Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Ronaldinho]]></category>

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		<description><![CDATA[MAR DE LETRAS – Semana de 10 a 14/01/2011
1-Como de costume, mesmo tendo planejado o Mar de Letras com antecedência, na 2ª feira fico enrolado. Verifiquei emails, fiz um post para meu blog, paguei contas, guardei cacarecos e arrumei as tralhas para trazer para a praia. Roupas, computador, livros, filmes, revistas, raquetes de frescobol, minha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>MAR DE LETRAS – Semana de 10 a 14/01/2011</p>
<p>1-Como de costume, mesmo tendo planejado o Mar de Letras com antecedência, na 2ª feira fico enrolado. Verifiquei emails, fiz um post para meu blog, paguei contas, guardei cacarecos e arrumei as tralhas para trazer para a praia. Roupas, computador, livros, filmes, revistas, raquetes de frescobol, minha pasta de músicas para violão, gaita de boca, toalhas, lençol, fronhas, panos de prato, o diabo. Fiz duas viagens escada a baixo e enchi o porta-malas do carro. E acabei saindo depois do meio-dia. Como de costume.</p>
<p>2-Esse Mar de Letras não tem objetivos literários definidos. Quero redigir o último texto que falta para o livro da Fritz&amp;Frida (a orelha da capa), revisar meu planejamento de 2011 (em especial as próximas alternativas envolvendo minha empresa), encomendar a cortina para a janela da frente do apartamento da praia (o que eu já devia ter feito em dezembro), ler bastante, ver alguns filmes e escrever o que der vontade. Nada ambicioso. Na verdade, se em boa parte de 2010 minhas prioridades giraram em torno do livro da Fritz&amp;Frida, nesse final de ano o que está em jogo são questões muito importantes ligadas ao planejamento de 2011 para minha empresa. Essas questões representam, de certa maneira, o desfecho de parte das decisões que tomei em 1999, quando decidi iniciar uma nova etapa da minha vida através da Oficina de Criação Literária da Pós-graguação de letras da PUC e do começo de uma carreira literária.  Coisas de mexer com os nervos mesmo de um escorpião de sangue germânico como eu.</p>
<p>3-Para minha sorte (e grande felicidade) posso contar com o apoio, a sensatez, a inteligência, o carinho e a infinita paciência da Lika nesse momento complicado. Por isso não canso de repetir que Papai do Céu tem sido muito generoso comigo.</p>
<p>4-Quem se arrisca a adivinhar qual foi o cardápio de abertura desse Mar de Letras, na noite de 2ª feira? Certo. Churrasco, pão e cerveja. Ok, ok, sei que impressiono meus leitores pela criatividade e, em especial, pela imprevisibilidade. Mas que outra iguaria combina melhor com uma janela aberta para o horizonte, uma noite amena na altura do paralelo trinta e a liberdade da solidão voluntária? E, não bastasse isso, ainda havia o canto de sereia um belo pedaço de entrecot, em dueto com um afinado coro de Polares, me chamando da geladeira. Como diz aquela propaganda: “pecado seria resistir”.</p>
<p>5-Essa foi boa! Serve para empresários, gerentes ou qualquer executivo que tenha o poder de dar ordens relacionadas ao atendimento de clientes: fui no supermercado comprar queijo e salamito para fazer um picadinho de aperitivo. Na gôndola dos laticínios, havia apenas pedaços de queijo muito grandes ou muito caros. Então, fui até a fiambreria e disse: “quero um pedaço de queijo, mas sem fatiar. Quero fazer um picadinho”. E as meninas que atendem responderam: “Não podemos vender”. Quis saber o motivo e veio uma explicação meio tortuosa de proibição da saúde, algo assim. Não me convenci. Fui reclamar no caixa com um sujeito que eu conhecia e ele demonstrou total incredulidade. Não sabia de nada. Perto do caixa estava uma senhora que devia ser meio dona e ela me disse: “Não tem motivo para elas não venderem. Vamos lá ver isso”. Chegamos no balcão da fiambreria e ela perguntou: “Vocês não podem vender queijo em pedaço porquê?”. Aí, diante da autoridade, as meninas falaram a verdade. Uma outra dona (esses negócios familiares são cheios de donos) havia proibido porque um cliente, em um passado incerto, comprara um pedaço de queijo e depois devolvera não sei porque motivo. Ainda argumentei “vocês atendem centenas de clientes por dia. Por causa de um incidente com um deles vocês vão prejudicar todos os outros clientes?”. Mas essa meio-dona que havia ido comigo tirar satisfação ficou bem quietinha, o que significava que a senhora que deu a ordem pertencia a alguma hierarquia superior. Um típico exemplo, tão comum nos dias de hoje (apesar de todo o discurso de “o freguês tem sempre razão”) onde é muito mais importante o interesse da empresa e a burocracia interna do que as necessidades dos chatos dos clientes.</p>
<p>6-Hoje assisti à entrevista coletiva de Ronaldinho Gaúcho em sua apresentação ao Flamengo.  Por trás da ansiedade com o emprego novo (e um certo ar de surpresa pela quantidade de torcedores que compareceram à sua apresentação), percebi um semblante grave de angústia, uma expressão tênue mas irreprimível de apreensão. Ali estava a face de um homem que sabe que errou. Só que sua expressão carregada não era de dúvida ou remorso: era medo.</p>
<p>7-Fiquei impressionado com as cenas de horror e calamidade provocadas pelos deslizamentos de terra na região serrana do Rio de Janeiro. Não chegam a ser surpreendentes tragédias desse tipo ocorridas em bairros pobres da periferia onde barracos são erguidos de forma clandestina, com materiais de péssima qualidade e sem projetos de engenharia. Mas quando isso acontece em lugares nobres como Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo (e como já aconteceu em Angra dos Reis), lugares onde todos os cuidados com a qualidade e a segurança foram supostamente tomados, a sensação que tenho é de que o fim do mundo se aproxima.</p>
<p>8-Escrevi o texto que deve ser publicado na orelha principal do livro da Fritz&amp;Frida. Com a conhecida modéstia que me caracteriza, devo confessar que ficou bom. Muito bom.</p>
<p>9-Ontem, passeando pelo supermercado e fuçando as prateleiras em busca de inspiração para o jantar, me deparei com um pacote de salsichas bock. Não foi para o carrinho (vencido por um pedaço de frango assado que havia sobrado do almoço), mas ficou gravado no subconsciente. Hoje, quando voltei ao mercado para comprar os ingredientes que faltavam para o almoço (que decidi que seria rápido e leve, composto por torradas com salamito, queijo, tomate e alface), lá estava o pacote novamente, me olhando com uma expressão insinuante. E, desta vez, venceu. Peguei mais um repolho, um pote de mostarda extraforte e voltei para casa pronto para fazer meu apreciado prato alemão: chucrute com salsichas bock.  Meu repolho refogado com vinagre de vinho branco e tirinhas de salamito frito não fica exatamente igual ao chucrute original fermentado. Mas, ainda assim, é uma delícia. Prosit.</p>
<p>10-O tempo tem andado um pouco enfarruscado nesse Mar de Letras. Nada, claro, que se compare à calamidade que se abateu sobre o Rio de Janeiro e que já contabiliza quase quinhentas mortes. Nem às enchentes assombrosas que castigam a Austrália ou às nevascas que soterram a América do Norte. Mas está longe de ser aquele tempo quente, vigoroso, alegre, típico do verão. Me faz lembrar de uma menininha que foi entrevistada pela TV, em meio à água, lama e destruição da serra carioca. Disse ela, com um profundo ar de inocência: “Tio, acho que o mundo está acabando&#8230;”.</p>
<p>11-Hoje me atrasei vendo os telejornais do meio-dia (que, na Globo, começam a uma e meia da tarde) e resolvi almoçar fora. Fui até o centro em busca de um <em>a la minuta</em>, com minha mente antecipando a saborosa mistura brasileira de arroz e feijão. Acabei sentado no famoso <em>La Passiva</em>, um restaurante uruguaio. Para minha surpresa, me apresentaram um <em>a La minuta</em> sem feijão. Menos mal que a compensação valeu a pena: estava incluído no preço do prato uma sobremesa. E me deliciei com uma bola de um soberbo sorvete de flocos.</p>
<p>12-Sexta-feira, às quatro da tarde, fui buscar a Lika na rodoviária. Fim do Mar de Letras e início de um delicioso final de semana com amigos, caminhadas, peixe assado e muito carinho. Generoso, muito generoso.</p>
<div id="attachment_621" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/01/DSC06444_640x480.jpg"><img class="size-full wp-image-621" title="DSC06444_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/01/DSC06444_640x480.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Mar de Letras: um final de tarde inspirador</p></div>
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