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	<title>O Jardim do Diabo &#187; Uncategorized</title>
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	<description>A mente desocupada é o Jardim do Diabo</description>
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		<title>É bom ir anotando&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Nov 2009 21:53:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Mesmo que a maioria dos políticos negue com veemência (principalmente aqueles que mais descumprem a lei), o Brasil esté em plena campanha eleitoral para a Presidência da República.
Por isso, é bom comprar um caderninho e começar a anotar algumas coisas que certamente acontecerão nos próximos meses. Serão muito úteis na hora de decidir o voto.
Por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mesmo que a maioria dos políticos negue com veemência (principalmente aqueles que mais descumprem a lei), o Brasil esté em plena campanha eleitoral para a Presidência da República.</p>
<p>Por isso, é bom comprar um caderninho e começar a anotar algumas coisas que certamente acontecerão nos próximos meses. Serão muito úteis na hora de decidir o voto.</p>
<p>Por exemplo, semanas atrás o Brasil sofreu mais um apagão. Alguma coisa provocou o desligamento de subestações, deixando 80 milhões de brasileiros no escuro.</p>
<p>O governo disse que a causa foi uma tempestade elétrica sobre a estação de Itaberá. Benedito Siqueira, lavrador que mora a 800 metros da subestação, informa:</p>
<p>&#8220;Disseram que caiu uma porção de raio por aqui. Eu não vi foi nenhum&#8221;. Já o Ministro das Minas e Energias, Edison Lobão, lá de Brasília, disse que viu.</p>
<p>Anos atrás, o Partido dos Trabalhadores costumava dar crédito para os operários e lavradores. Agora, prefere os engravatados.</p>
<p>&#8230;</p>
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		<title>Muito melhor</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Nov 2009 18:27:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Sexta-feira fiz uma pequena festa para comemorar meu aniversário. Maravilhoso! Reunir os amigos é sempre muito bom, mas dessa vez eles se superaram. Falei e ouvi coisas que me emocionaram às raias da viadagem. Quando os olhos se encheram d&#8217;água e a voz trancou na garganta, me dei conta de que sou um sujeito de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sexta-feira fiz uma pequena festa para comemorar meu aniversário. Maravilhoso! Reunir os amigos é sempre muito bom, mas dessa vez eles se superaram. Falei e ouvi coisas que me emocionaram às raias da viadagem. Quando os olhos se encheram d&#8217;água e a voz trancou na garganta, me dei conta de que sou um sujeito de sorte.</p>
<p>Mas também trabalhei muito para isso. Em 1999, em meio a uma profunda crise, resolvi levar muito a sério o seguinte texto de Goethe:</p>
<p><em>&#8220;Até o momento em que uma pessoa assume um compromisso, há hesitação, há possibilidade de voltar atrás, o que é sempre ineficiente quando se trata de todos os atos de iniciativa e criação.</em></p>
<p><em>Existe uma verdade elementar cuja ignorância mata incontáveis idéias e planos esplêndidos: a de que no momento em que a pessoa se compromete definitivamente, então a providência funciona também.</em></p>
<p><em>Toda espécie de coisas acontece para ajudar aquilo que, de outro modo, nunca teria acontecido.</em></p>
<p><em>O que quer que seja que você for fazer, ou sonhar que pode fazer, comece. A coragem tem gênio, poder e mágica em si. </em></p>
<p><em>Comece agora&#8221;.</em></p>
<p>Comecei. E tudo passou a mudar para melhor.</p>
<p><img id="image208" alt="DSC02126_640x480.JPG" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2009/11/DSC02126_640x480.JPG" /></p>
<p><img alt="DSC02155_640x4801.JPG" id="image218" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2009/11/DSC02155_640x4801.JPG" /></p>
<p><img alt="DSC02130_640x480.JPG" id="image221" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2009/11/DSC02130_640x480.JPG" /></p>
<p><img alt="DSC02153_640x480.JPG" id="image217" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2009/11/DSC02153_640x480.JPG" /></p>
<p><img alt="DSC02152_640x480.JPG" id="image216" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2009/11/DSC02152_640x480.JPG" /></p>
<p><img alt="DSC02169_640x4801.JPG" id="image219" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2009/11/DSC02169_640x4801.JPG" /></p>
<p>&#8230;</p>
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		<title>Há salvação</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 02:37:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[A imprensa foi invadida pela denúncia quase diária de que a educação, no Brasil, encontra-se num nível de calamidade pública. Isso se comprova pelo nível de semi-analfabetismo de alunos do nível médio (que deveriam, no mínimo, estar lendo e escrevendo corretamente), pelos resultados catastróficos dos estudantes brasileiros em testes nacionais e internacionais, pelo crescente nível [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A imprensa foi invadida pela denúncia quase diária de que a educação, no Brasil, encontra-se num nível de calamidade pública. Isso se comprova pelo nível de semi-analfabetismo de alunos do nível médio (que deveriam, no mínimo, estar lendo e escrevendo corretamente), pelos resultados catastróficos dos estudantes brasileiros em testes nacionais e internacionais, pelo crescente nível de violência que invade as escolas e pelo abandono generalizado do hábito da leitura. Mas há exceções.</p>
<p>Na sexta-feira, dia 23, estive em Torres, na Escola Municipal Marcílio Dias. Essa é uma de várias escolas gaúchas que participam do projeto da WS Editor chamado “O Autor na sala de aula</p>
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		<title>Salvando o mundo</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Oct 2009 02:32:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Ando meio fora do ar graças ao famoso TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), também conhecido como monografia ou, simplesmente, mono. &#8220;Minha mono&#8221;. Meio viadinho isso, não?
Para quem não sabe (ou não se lembra, ou não está nem aí mesmo), pretendo me formar na PUC nesse semestre. Sim, estou cursando uma nova faculdade, após me [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ando meio fora do ar graças ao famoso TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), também conhecido como monografia ou, simplesmente, mono. &#8220;Minha mono&#8221;. Meio viadinho isso, não?</p>
<p>Para quem não sabe (ou não se lembra, ou não está nem aí mesmo), pretendo me formar na PUC nesse semestre. Sim, estou cursando uma nova faculdade, após me formar em Engenharia na UFRGS em 1983. Foi, também no século passado, uma experiência (escolha uma opção):<br />
(  )traumática<br />
(  )interessante<br />
(  )inútil<br />
(  )desafiadora<br />
(  )todas as opções acima<br />
(  )eu com isso?</p>
<p>Dessa vez, estou cursando Letras, o mais próximo que achei da minha verdadeira paixão, que são os livros. Está sendo, sem dúvida, uma experiência (escolha a opção):<br />
(  )traumática<br />
(  )interessante<br />
(  )inútil<br />
(  )desafiadora<br />
(  )todas as opções acima<br />
(  )eu com isso?</p>
<p>Minha mono (ó, escapou!) é sobre o nível da educação no Brasil, nos dias de hoje. Está bem interessante, na medida em que uma monografia pode ser interessante. Assim que descobrir como, prometo publicá-la. Será bom para quem quiser conhecer um pouco mais da realidade da educação brasileira (e ver algumas sugestões de mudanças para reverter o quadro calamitoso em que nos encontramos).</p>
<p>Também será bom para quem quiser pagar alguns pecados. Deve ter muita gente precisando.</p>
<p>&#8230;</p>
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		<title>Heróis e cafajestes</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 14:13:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[O esporte não tem sua enorme dimensão social por acaso. Ele é espelho das glórias e fracassos, dos dramas e alegrias dos homens.
Rubens Barichello, piloto de Fórmula 1 do Brasil, que teve o azar de ser contemporâneo de um gênio da envergadura de Ayrton Senna, virou alvo de piadas e chacotas desde muito cedo. Pois [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O esporte não tem sua enorme dimensão social por acaso. Ele é espelho das glórias e fracassos, dos dramas e alegrias dos homens.</p>
<p>Rubens Barichello, piloto de Fórmula 1 do Brasil, que teve o azar de ser contemporâneo de um gênio da envergadura de Ayrton Senna, virou alvo de piadas e chacotas desde muito cedo. Pois não é que nessa temporada, quando se julgava sua carreira já enterrada depois do fracasso na Ferrari, ele ressurge com duas brilhantes vitórias e chances reais de se tornar campeão do mundo? Um exemplo de renascimento.</p>
<p>E, por falar em bons exemplos, na segunda-feira o argentino Juan Martin Del Potro deu uma demonstração de garra, perseverança e competência técnica. Numa batalha épica de mais de quatro horas, venceu Roger Federer, o suiço número um do mundo e tido como imbatível, no prestidigiadíssimo US Open de tênis, em Nova York. Um feito histórico, grandioso, emocionante, bem marcado pelo choro convulsivo de Del Potro e pela cara de bunda de Federer. Um exemplo de superação.</p>
<p>Mas o esporte também revela péssimos exemplos. Nelsinho Piquet, filho do campeão mundial de Fórmula 1 brasileiro Nélson Piquet, confessou ter provocado um acidente de propósito para garantir a vitória de seu companheiro de equipe no Grande Prêmio de Cingapura, em 2008. Lendo a forma como Nelsinho foi forçado por Piquet, desde a infância, a seguir as decisões do pai, que nunca poupou lances agressivos e pouco éticos para alcançar seus objetivos, dá para entender esse misto de falta de caráter e ato de rebeldia. Um psicólogo apressado certamente concluiria que Nelsinho está se auto-mutilando, como uma forma de escapar do jugo do pai. O episódio me lembrou uma amiga que não gostava de Ayrton Senna porque, dizia ela, &#8220;ele era um banana&#8221;, enquanto admirava Nélson Piquet, &#8220;um interessante cafajeste&#8221;. Ela tinha razão.</p>
<p>&#8230;</p>
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		<title>Fim de semana perfeito</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 03:31:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de um frio de congelar pinguins e uma chuvarada de afogar sapos, o fim de semana foi glorioso. Não apenas céu limpíssimo e sol radiante, mas uma civilizada temperatura européia. O que, na falta de uma educação européia, já é um alento.
No sábado pela manhã, um mate gaudério e uma caminhada puxada até a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de um frio de congelar pinguins e uma chuvarada de afogar sapos, o fim de semana foi glorioso. Não apenas céu limpíssimo e sol radiante, mas uma civilizada temperatura européia. O que, na falta de uma educação européia, já é um alento.</p>
<p>No sábado pela manhã, um mate gaudério e uma caminhada puxada até a loja da Harley Davidson para a prática do gostoso esporte de namorar uma Fat Boy. De quebra, encontrar amigos e conhecidos. Depois, vestir jaqueta, botas, montar na moto (que não é uma Fat Boy mas eu gosto dela) e pegar alguns quilômetros de estrada para almoçar na beira do Guaíba. De volta em casa, carregar o carro com carne e cerveja e partir para o sítio de um grande amigo na Barra do Ribeiro, também às margens do maravilhoso Guaíba. Janta, vinho, poquer e bom papo na noite. Passeio de barco e churrascada com direito a costelinha de ovelha no domingo.</p>
<p>Só faltava meu time ganhar. Grêmio 4 a 1 contra o Flamengo. Foi ou não foi um final de semana perfeito?</p>
<p>.</p>
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		<title>Mar de letras, reflexões e algumas bobagens IV &#8211; final</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Aug 2009 03:04:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[24/07/09 &#8211; 6a feira
Nessa semana de Mar de Letras consegui fazer outra coisa que me fascina e que há muito estava relegada ao ostracismo, soterrada por duplicatas a pagar e a receber, demonstrativos de caixa, ensaios acadêmicos, planejamento de aulas de estágio, viagens e palestras no interior, churrascos e quitutes para minha amada, estudos de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>24/07/09 &#8211; 6a feira</p>
<p>Nessa semana de Mar de Letras consegui fazer outra coisa que me fascina e que há muito estava relegada ao ostracismo, soterrada por duplicatas a pagar e a receber, demonstrativos de caixa, ensaios acadêmicos, planejamento de aulas de estágio, viagens e palestras no interior, churrascos e quitutes para minha amada, estudos de mapas e roteiros para uma possível próxima viagem de moto, mails e mais mails para amigos e listas de discussões, e programas do Anthony Bourdain no canal Travel &#038; Living. Consegui, que maravilha, dedilhar várias canções já esquecidas no violão.</p>
<p>Ajudado pelas indispensáveis letras cobertas com as cifras dos acordes, arranhei Belchior e suas <a href="http://www.youtube.com/watch?v=7zn6Q1He4j4" target="_blank">Paralelas</a>, O Rei Roberto e a maravilhosa <a href="http://www.youtube.com/watch?v=jroZG0dSrBQ" target="_blank">Como é grande o meu amor por você</a>, Nelson Gonçalves, Elton John, Cat Stevens, Jack Johnson e até algumas gauchescas como Veterano, Sabe Moço, Guri e a imortal Querência Amada, de Teixerinha.</p>
<p>Divino, divino, como diria minha amada.</p>
<p>&#8212;*&#8212;</p>
<p>Assisti Gran Torino, o último filme de Clint Eastwood. Esperava bem mais. Conheci Clint na famosa série sobre Dirty Harry, um policial durão que carregava uma Magnum 44 que mais parecia um canhão de artilharia ligeira. Ele estava perfeito no papel de um tira de poucas palavras e muita ação, que desprezava os ritos burocráticos da lei. A séria Dirty Harry foi uma das precurssoras do estereótipo do policial revoltado com a onda de direitos humanos que, segundo eles, tratava melhor os bandidos do que as vítimas.</p>
<p>Clint construiu uma carreira vitoriosa, partindo de papéis em sofríveis westerns de quinta categoria até conquistar o Oscar com Os imperdoáveis. E foi capaz, em meio aos personagens invariavelmente violentos e irrascíveis, de construir uma obra de arte de sentimentalismo como As pontes de Madison. Mas poucos filmes foram tão marcantes e surpreendentes como Menina de Ouro, um drama cuja inesperada reviravolta final deixou muitos espectadores estupefatos e confusos com lágrimas inesperadas despencando dos olhos.</p>
<p>Gran Torino é meio morno e segue no embalo de uma cascata de clichês narrativos que já estão surrados: a selvageria do espaço urbano norte-americano infestado por gangues de latinos ou asiáticos, o veterano de guerra com um trauma que não consegue superar, o velho durão incompreendido pelos filhos, o sujeito que despreza pessoas de outras raças cujos valores não compreende até que percebe que eles podem ser melhores do que o interesse egoísta da própria família, o cara durão por fora mas sensível por dentro que acaba resgatando da miséria moral um fracassado e fazendo dele seu pupilo. E, para estragar de vez, o final politicamente correto que tem azedado alguns filmes modernos, onde o sacrifício pessoal pela salvação da sociedade supera os instintos de vingança e de violência.</p>
<p>Dizem que foi o último filme da carreira de Clint Eastwood. Pouco provável. Mas, se for verdade, ele merecia uma despedida bem melhor.</p>
<p>&#8212;*&#8212;</p>
<p>Olho pela janela algo melancólico. A tarde cai, uma nesga de sol ainda escapa por trás dos prédios e mancha de luz a areia úmida e as ondas teimosas do mar. Netuno está de ressaca: as ondas se amontoam desde muito longe e vêm bater ruidosamente contra o concreto da amurada do calçadão. Tudo é muito lindo, o mar calmo ou revolto, as ondas comportadas ou rebeldes, o céu azul. E a longa linha do horizonte mostrando onde o mundo acaba de mentirinha, uma bela metáfora de nossa visão limitada que transforma pequenos dissabores em prenúncios do apocalipse.</p>
<p>Hoje é sexta-feira, meu último dia na praia. Acabei de almoçar e o relógio já ameaça com cinco horas da tarde. Resultado um pouco da noite anterior quando a fugidia inspiração me fez escrever até o meio da madrugada.</p>
<p>É uma péssima mania ficar antecipando as coisas desagradáveis, pensando na partida quando ainda há um bom tempo para curtir a chegada, na chuva quando há sol, na dor quando estamos envoltos em prazer. Mas sou assim mesmo, um amontoado de péssimas manias entremeadas de humor, ironia, projetos megalômanos, melancolia e alguns rasgos de sensibilidade.</p>
<p>Mas não é tanto a partida que me incomoda, a perspectiva desconfortável de abandonar essa janela mágica e esse mar imenso, magnífico e insano. Afinal, volto para os braços da minha amada, para minha churasqueira dedicada, para o convívio dos meus amigos que estão lá em dezenas de mails debochados ou insultuosos. O que mais me incomoda, na verdade, é a pilha de louça que me espera na cozinha e que não poderei deixar lá, juntando bixo.</p>
<p>Outra bela metáfora cujo brilhante significado revelarei a vocês, tão logo descubra qual é.</p>
<p>&#8212;*&#8212;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Mar de letras, reflexões e algumas bobagens III</title>
		<link>http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/mar-de-letras-reflexoes-e-algumas-bobagens-iii/</link>
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		<pubDate>Sun, 02 Aug 2009 14:05:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[23/07/09 &#8211; 5a feira
Um dos meus divertimentos prediletos é ficar pensando no cardápio do dia. Não que eu seja um glutão: na verdade, adoro cozinhar. Desde que acordo começo, mesmo que meio incoscientemente, a cogitar as possibilidades do almoço e do jantar. Tento lembrar o que há no estoque da geladeira,  relembro as refeições dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>23/07/09 &#8211; 5a feira</p>
<p>Um dos meus divertimentos prediletos é ficar pensando no cardápio do dia. Não que eu seja um glutão: na verdade, adoro cozinhar. Desde que acordo começo, mesmo que meio incoscientemente, a cogitar as possibilidades do almoço e do jantar. Tento lembrar o que há no estoque da geladeira,  relembro as refeições dos dias anteriores, repasso de memória alguma experiência longínqua ou um desses programas de culinária que invadiram a TV a cabo. Sou fã de Jaime Oliver, do Menu Confiança de Claude Troisgros e ando, nos últimos dias, influenciado até a raiz dos cabelos por Anthony Bourdain e sua Cozinha Confidencial.</p>
<p>Ontem era quarta-feira, dia sempre propício, por sua localização equidistante do sábado e do domingo (na falta de uma desculpa melhor), para a repetição do especial dos finais de semana: churrasco. Não deu outra. Uma costela assada nas brasas, daquele jeito especial que deixa a carne, de um lado, quase torrada e praticamente se soltando do osso, enquanto que o outro lado permanece mal-passado e suculento. Como no dia anterior já havia feito um belo bife de contrafilé com aipim cozido, preferi acompanhar o churrasco com uma variedade de legumes também assados: cebola, abobrinha e alho-poró. Esqueci, mas poderia também ter colocado na grelha um pimentão que jazia na geladeira e ter jogado no meio das brasas uma &#8220;papa ao plomo&#8221;, conforme nomenclatura espanhola da minha amada, e que significa batata branca envolta em papel-alumínio e assada direto sobre as brasas.</p>
<p>Mas voltando ao presente, já pensei em um dos possíveis pratos de hoje, mas ainda não decidi se o farei no almoço ou no jantar. Estou com vontade de comer peixe. Aliás, quando resolvi vir para a praia prometi que aproveitaria o incentivo oceânico e incluiria peixes no meu cardápio, promessa que invariavelmente não cumpro. Até agora, só mastiguei uns filezinhos de viola fritos na segunda-feira, como uma espécie de boas-vindas ao litoral, comprados no quiosque aqui da frente de casa. E hoje já é quinta. Pensei em um filé de anjo ou postas de tainha ligeiramente fritas e depois cozidas no vapor com legumes. Mas meu paladar exige algo mais forte. Optei por uma pizza de sardinha com bastante queijo mussarela, tomates em rodelas, azeitonas pretas, azeite de oliva extra-virgem e um banho de molho de pimenta. É um prato que atende a dois requisitos muito convenientes: fácil de fazer e saborisíssimo. Especial para apressados ou preguiçosos.<br />
&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Mar de letras, reflexões e algumas bobagens II</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Jul 2009 02:37:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em frente ao meu apartamento da praia têm duas canchas de bochas, próximas aos quiosques da beira-mar. São lugares de encontro de pessoas de vários tipos, a maioria idosos que preenchem seus dias vazios de aposentados com um esporte tão leve quanto um jogo de damas. E, claro, com a alegre camaradagem entre aqueles que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em frente ao meu apartamento da praia têm duas canchas de bochas, próximas aos quiosques da beira-mar. São lugares de encontro de pessoas de vários tipos, a maioria idosos que preenchem seus dias vazios de aposentados com um esporte tão leve quanto um jogo de damas. E, claro, com a alegre camaradagem entre aqueles que compartilham uma mesma paixão. Ou uma mesma fuga. Ao lado de uma das canchas existe uma churrasqueira que no verão, invariavelmente, produzia festivos encontros gastronômicos que acabava reunindo não apenas os jogadores de bocha habituais, mas familiares e amigos. Um simpático local de convivência social à beira-mar.</p>
<p>No final do verão, uma dessas canchas foi tomada por um grupo de sem-tetos. Eram uns dez. Colocaram suas mochilas e seus cobertores rasgados contra uma das extremidades da cancha, que é protegida no fundo e nas laterais por tábuas de madeira e tem um pequeno telhado de zinco de pouco mais de um metro. Em alguns dias que estive na praia após a temporada de verão, acompanhei um pouco da rotina deles. Levantavam em torno das dez da manhã e alguns saiam em pequenos grupos. Horas depois voltavam com pedaços de madeira e sacos de supermercado. Faziam fogo na churrasqueira, cozinhavam alguma coisa e ficavam por ali até metade da tarde, passando garrafas brancas de mão em mão. No meio da tarde o ritual de busca de lenha, comida e bebida se repetia, muitas vezes com grupos diferentes dos da manhã.</p>
<p>O que mais estranhei não foi o aparecimento na praia dessas pessoas marginalizadas da sociedade, já tão comuns nas metrópoles como Porto Alegre. Foi, isso sim, o desaparecimento dos frequentadores habituais. Em algum momento imaginei que eles fossem lutar por seu espaço, que fossem tolerar essa situação apenas como provisória e emergencial, uma espécie de concessão aos novos companheiros até que eles resolvessem sua situação crítica e encontrassem um outro lugar para morar.</p>
<p>Estamos em julho e os sem-teto maltrapilhos continuam lá. Já não é o grupo original de dez. Ontem vi três e hoje havia apenas dois. Estavam sem camisa, sentados em cadeiras de plástico tiradas de algum dos quiosques, tomando sol enquanto colocavam fogo na churrasqueira. Não vi mochilas ou cobertores no canto da cancha. Notei também que toda uma lateral de madeira da cancha desapareceu, provavelmente transformada em lenha em momentos de maior preguiça.</p>
<p>Não parecem mais sem-tetos desesperados encontrando um lugar emergencial onde deitar seu infortúnio por uma noite. Parecem os novos donos do lugar.</p>
<p>Dos antigos frequentadores, nem sombra.</p>
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		<title>Mar de letras, reflexões e algumas bobagens</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Jul 2009 01:49:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Passei a última semana na praia. Não, não estava vadiando. Ou não completamente. É o que denominei de Mar de Letras, do qual já falei aqui, uma tentativa de conseguir me concentrar nos meu projetos literários. Depois do lançamento de &#8220;A luz que guia também pode cegar&#8221;, em 2004, fiquei praticamente quatro anos sem lançar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Passei a última semana na praia. Não, não estava vadiando. Ou não completamente. É o que denominei de Mar de Letras, do qual já falei aqui, uma tentativa de conseguir me concentrar nos meu projetos literários. Depois do lançamento de &#8220;A luz que guia também pode cegar&#8221;, em 2004, fiquei praticamente quatro anos sem lançar um novo livro. Esse ostracismo estava me arrasando, fazendo com que me sentisse péssimo, algo como um sádico sabotador dos próprios sonhos. Eu estava na busca de alguma estratégia que pudesse me fazer voltar a produzir. O trabalho na empresa, o crescente envolvimento na Faculdade de Letras da PUC e algumas viagens grandiosas consumiam todas minhas energias.</p>
<p>Então resolvi radicalizar. Uma semana por mês isolado na praia, sem mulher, TV a cabo ou internet, concentrado apenas em ler e escrever. Pausas somente para o chimarrão, meditação, longas caminhadas à beira-mar, alguns filmes e experiências culinárias. Coloquei a estratégia em prática muito menos vezes do que pretendia, é verdade, mas os resultados foram excelentes. Do Mar de Letras nasceu &#8220;Deus está morto?&#8221;, que está tendo ótima repercussão. E, na semana passada, comecei meu próximo livro.</p>
<p>Além do texto do novo livro, rabisquei outras idéias, reflexões, desabafos e, como evitar?, algumas bobagens. Ou o inverso. Nos próximos dias, vou publicar algumas delas.</p>
<p>&#8212;*&#8212;</p>
<p>22/07/09 &#8211; 4a feira</p>
<p>Estou lendo &#8220;Cozinha confidencial&#8221;, de Anthony Bourdain. Tony Bourdain, como é chamado, é um chef de cousine do restaurante Les Halles, de Nova York. Após algumas investidas no mundo da literatura, ele ficou famoso com essa obra de suposta não-ficção, onde relata sua vida, sua carreira de cozinheiro e o submundo dos restaurantes onde trabalhou. É uma prosa rápida, rica em metáforas, cheia de histórias divertidíssimas e repleta de drogas, álcool, pequenos furtos e grandes canalhices. Mas, às vezes, ele exagera.</p>
<p>No capítulo &#8220;Um dia na minha vida&#8221;, ele diz que acorda todos os dias, religiosamente, às cinco para às seis da manhã e, enquanto escova os dentes e assiste ao noticiário com a esposa, já está planejando mentalmente os pratos especiais do dia que terá que incluir no cardápio. Às sete e meia é o primeiro a chegar no restaurante, onde começa uma rotina que inclui receber e conferir mercadorias, vistoriar todas as praças de produção da cozinha, controlar, contratar e demitir um batalhão de cozinheiros, garçons, ajudantes e lavadores de pratos, pilotar pessoalmente a praça de salteados manejando fornos e frigideiras enquanto grita, esbraveja e supervisiona a produção de mais de trezentas refeições de alta culinária como atum grelhado à livornaise com batatas assadas e aspargos grelhados, boudin noir com maçãs caramelizadas, confits de canard e moules marinières, seja lá que diabo de comida isso signifique.  Nesse meio tempo, precisa ligar para fornecedores, conferir o estoque, atender o patrão em suas exigências fora de hora, separar brigas e negar aumentos, enquanto engole aspirinas e mal consegue morder um sanduiche entre os turnos do almoço e jantar. Sai do restaurante já depois da meia-noite e, ao invés de ir para casa desmaiar na cama, pega um táxi até um bar na Broadway, desce um lance de escadas e fica bebendo cerveja, vodka e escutando Cramps e Velvet enquanto começa a pensar no cardápio do dia seguinte, que inicia religiosamente às cinco para às seis. E isso seis dias por semana!</p>
<p>Nem Clark Kent ou Peter Parker, em sua dupla jornada para salvar o mundo, conseguiriam manter essa balada. Mas vale a pena: as histórias são divertidas e ele escreve realmente muito bem.</p>
<p>&#8230;</p>
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