Da série “saudades da verdade…”
Os jornais de hoje amanheceram com um mesmo assunto estampado na capa, mas divulgado de duas maneiras diferentes. Alguns escreveram:
“Reféns das FARC são libertados”.
Outros disseram:
“Reféns das FARC são resgatados”.
A notícia é sobre o resgate (ou a libertação) de várias pessoas mantidas em cativeiro pelas Forças Revolucionárias da Colômbia, entre elas a famosa Ingrid Betancourt, que já foi candidata à presidência da Colômbia e que estava refén do grupo revolucionário (ou terrorista) a mais de seis anos.
As duas manchetes, que aparentemente significam a mesma coisa, trazem implícita uma grande diferença na simples escolha de palavras. “São libertados” pode ser interpretado como “quem liberta é quem prendia” e daí conduzir para uma associação com o episódio anterior quando outros reféns haviam sido libertados pelas próprias FARC com a aparente interveniência do presidente da Venezuela, Hugo Chaves, que já defendeu publicamente as ações das FARC. Em outras palavras, uma FARC boazinha e, por tabela, um Hugo Chaves bonzinho.
Já “São resgatados” pressupõem que alguém resgatou, que alguém retirou, alguém tomou de volta algo que estava com outro. Nesse caso, que soldados do Exército da Colômbia libertaram os reféns que estavam presos pelas FARC. Ou seja, o Exército colombiano é que é bonzinho ou, estendendo um pouco mais o conceito, o bonzinho é seu Presidente,





