Devassa de mentirinha

O Conar (Conselho nacional de Autoregulamentação Publicitária) proibiu a veiculação de comercial da cerveja Devassa, nova marca da cervejaria Schincariol, estrelado pela polêmica Paris Hilton. O argumento é de que a campanha comercial teria “apelo sensual excessivo” e seria “desrespeitosa à condição feminina e de natureza sexista”.

Não gosto da Paris Hilton e muito menos da Schincariol. Mas, como ser humano normal, fiquei automaticamente curioso para saber que excessos de libertinagem essa escandalosa propaganda havia cometido que justificasse a aplicação de algo tão deplorável e fora de moda quanto a censura.

Felizmente, a internet veio nos libertar do jugo autoritário dos donos da verdade e da virtude. Bastou digitar algumas palavras e dar um clique e encontrei a escorraçada propaganda aqui. Me ajeitei na cadeira e me preparei para uma experiência proibida, tórrida, talvez, quem sabe, até devassa.

Que decepção! O comercial mostra a Paris Hilton completamente vestida, num quarto de hotel envidraçado, esfregando uma lata de cerveja pelo corpo com a sensualidade de um chipanzé amestrado, enquanto um bando de admiradores pouco convincentes fica apreciando a cena de longe. Perto do que se vê na televisão brasileira, bem poderia ser o comercial de uma paróquia convocando seus fiéis para um comportamento mais recatado.

Só há duas explicações. Ou o pessoal da Ambev, usando o poder absurdo que possui, resolveu dar uma rasteira na concorrente, ou o pessoal da Schin se deu conta de que uma proibição do Conar e toda a polêmica gerada pela medida quixotesca daria um recall maior do que a veiculação normal deste comercial fraquinho.

Por via das dúvidas, vou continuar bebendo Bohemia.

 

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