E a jabulani se foi
E eis que chega ao fim a Copa do Mundo de Futebol 2010. E, como a vida imita a arte (ou versa-vice?) pudemos constantar grandes obviedades:
1-O mundo e, em especial, a imprensa estão repletos de profetas do dia seguinte. Não faltava quem malhasse a Espanha por seu futebol ciscador, com excesso de passes e falta de objetividade. Uma seleção que sabia tudo de futebol, menos o insignificante detalhe de fazer gols. Agora, com a Espanha campeã, esses mesmos críticos estão enaltecendo o melhor futebol do mundo e dando graças de finalmente ter sido resgatado o futebol-arte. E a Espanha foi a campeã que menos gols marcou em toda a história das copas.
2-Se a Espanha jogou a final com um futebol muito parecido com o mágico carrossel holandês, a Holanda perdeu todo seu encanto. Jogou retrancada, explorando apenas os contra-ataques com o raçudo Robben. E batendo absurdamente. De Jong fez, após dar um chute de karatê no peito de Xabi Alonso, deveria ter saído de campo algemado, direto para a cadeia. Nem a Argentina, nos seus piores dias, foi mais violenta.
3-Vendo Casillas erguer a taça de Campeão do Mundo, depois de ter praticado, no mínimo, duas defesas milagrosas na finalíssima, ficou provado que o que falaram de sua desatenção com a presença da namorada Sara Carbonero atrás do gol era pura inveja.
4-Se a Espanha jogou o melhor futebol dessa copa e foi campeã com justiça, nenhuma outra seleção levou tanta emoção aos gramados quanto o Uruguai. Primeiro, pela sua improvável classificação, chegando até a semifinal. Segundo, por ter feito o jogo mais eletrizante e proporcionado a jogada mais espetacular da Copa, aquela vitória contra Gana com pênalti de Soares no último segundo da prorrogação, defendendo a bola com a mão na linha do gol. Terceiro, por ter vendido caríssimo as duas derrotas nos jogos finais, para a Holanda, por três a dois com chance de gol aos quarenta e seis do segundo tempo, e contra a Alemanha, na decisão do terceiro lugar, também por três a dois, com Forlán chutando uma bola no travessão de novo aos quarenta e seis do segundo tempo. E, quarto, por ter Forlán eleito o melhor jogador da Copa do Mundo, marcando aquele golaço de voleio contra a Alemanha, na decisão do terceiro lugar. Coisa para argentinos e brasileiros se morderem de inveja.
5-Outra lição importantíssima foi dada nessa Copa, caracterizada por duas cenas marcantes: a primeira, um homem engravatado acomodando a taça da Copa numa belíssima bolsa quadrada, repleta de dourados e da marca mais elitista do planeta, a Louis Vuitton; e, a segunda imagem, a bola especialmente feita para a final, a Jo’bulani, toda ornamentada de dourado como uma coroa real. A lição? Futebol, é mesmo um esporte do povo…
No final, ficam gravadas as belas imagens transmitidas em alta definição e elevadas ao estado-da-arte pelo recurso do super-slowmotion. Espetacular. E fica o alerta: as mesmas câmeras que nos deram Larissa Riquelme poderiam ter nos dado Maradona pelado.






Nunca antes na história desse país a imprensa agiu de forma tão discutível – e em qualquer segmento que analisemos: esporte, política, negócios, ciência… Tudo tem um viés financeiro. Para tudo rola um troco. Ou eu fiquei velho.
É, eu fiquei velho.
Piréx, a imprensa sempre lidou com uma questão básica: sua própria sobrevivencia. Antes, bajulava os donos do poder. Hoje, tenta agradar a massa. A verdade sempre veio em segundo plano…