Heróis e cafajestes
O esporte não tem sua enorme dimensão social por acaso. Ele é espelho das glórias e fracassos, dos dramas e alegrias dos homens.
Rubens Barichello, piloto de Fórmula 1 do Brasil, que teve o azar de ser contemporâneo de um gênio da envergadura de Ayrton Senna, virou alvo de piadas e chacotas desde muito cedo. Pois não é que nessa temporada, quando se julgava sua carreira já enterrada depois do fracasso na Ferrari, ele ressurge com duas brilhantes vitórias e chances reais de se tornar campeão do mundo? Um exemplo de renascimento.
E, por falar em bons exemplos, na segunda-feira o argentino Juan Martin Del Potro deu uma demonstração de garra, perseverança e competência técnica. Numa batalha épica de mais de quatro horas, venceu Roger Federer, o suiço número um do mundo e tido como imbatível, no prestidigiadíssimo US Open de tênis, em Nova York. Um feito histórico, grandioso, emocionante, bem marcado pelo choro convulsivo de Del Potro e pela cara de bunda de Federer. Um exemplo de superação.
Mas o esporte também revela péssimos exemplos. Nelsinho Piquet, filho do campeão mundial de Fórmula 1 brasileiro Nélson Piquet, confessou ter provocado um acidente de propósito para garantir a vitória de seu companheiro de equipe no Grande Prêmio de Cingapura, em 2008. Lendo a forma como Nelsinho foi forçado por Piquet, desde a infância, a seguir as decisões do pai, que nunca poupou lances agressivos e pouco éticos para alcançar seus objetivos, dá para entender esse misto de falta de caráter e ato de rebeldia. Um psicólogo apressado certamente concluiria que Nelsinho está se auto-mutilando, como uma forma de escapar do jugo do pai. O episódio me lembrou uma amiga que não gostava de Ayrton Senna porque, dizia ela, “ele era um banana”, enquanto admirava Nélson Piquet, “um interessante cafajeste”. Ela tinha razão.
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Parceiro, estás estranhamente à esquerda dos fatos: o Nelsinho é um funcionário que recebeu uma ordem expressa do patrão para permitir que a empresa lucrasse mais – e o Rubinho “jacaré” falou demais e disse que “um piloto desses não poderia estar competindo”, esquecendo que no passado ele também obedeceu ordens discutíveis. Estou longe de ser fã do Nelsinho, mas não consigo ser do Rubinho. Ainda bem que existe o Massa.
Abraço!
Caro Piréx, essa é uma velha (e polêmica) discussão. Quando alguém comete um crime cumprindo ordens, quem é o culpado: quem executa ou quem manda? Há um conscenso: os dois são culpados. O fato de o chefe mandar não justifica o criminoso.
Eu já acho que o culpado é o Piquet pai. A Lika (e o Freud) acham que é a mãe. Vá entender…