Mar de Letras 01_2010 – I
20 a 25/01/2010
Diário de bombordo
Enquanto pensava em começar a escrever o diário desse Mar de Letras, já meio atrasado (hoje é quarta-feira e estou aqui desde o final da segunda), resolvi reler alguns dos últimos relatos do projeto. É fácil alinhavar motivos e justificativas que me levaram a criar esse projeto, mas é difícil explicar o quanto ele significa para mim e o prazer que ele me dá. É um conjunto de atividades que valorizo demais (ler, escrever, exercitar o intelecto), esta janela fantástica de frente para o mar e a sensação de liberdade, de dedicação apenas ao que é importante (mesmo que isso signifique, às vezes, não fazer nada ou trabalhar pesado). Mas lá estava, nesses relatos às vezes emocionados, às vezes meio decepcionados, um bom retrato do que vai pelo meu coração e mente. Há racionalizações irretocáveis, explosões de alegria, angústia e decepção. E também alguma poesia. Indiscutível, talvez, apenas a certeza de que a freqüência em que consegui colocar o Projeto Mar de Letras em prática é muito menor do que eu planejara. Em 2009 foram apenas duas edições, em julho e agosto.
Mas, como em todo início de ano, aqui estou novamente prometendo que, desta vez, será diferente. Há algumas circunstâncias que conspiram a favor: o término da Faculdade de Letras da PUC cuja formatura foi no domingo passado, que me roubava tempo e energia, apesar do estimulante exercício intelectual; o fato de minha filha ter feito dezoito anos, ter entrado para a faculdade e começado a trabalhar, o que, ao menos em tese, diminui o peso da minha responsabilidade com seu sustento e me permite levar mais a sério meus sonhos adiados; um certo estágio da carreira de escritor que me permite projetar resultados um pouco mais concretos; e, mais importante, o desejo de completar esse processo de transição iniciado há mais de dez anos.
Sei que é meio auto-flagelante lembrar que já fiz promessas parecidas antes, cobertas de argumentos bem racionalizados, transformadas em planos e metas infalíveis que, miseravelmente, falharam. e que acabaram se mostrando um grande engano. Mas foda-se. Lá vou eu novamente!
…x…
Cheguei na segunda já no fim da tarde. Era para ter saído de Porto Alegre de manhã, mas consegui ficar arrumando mesas, guardando papéis, revisando pendências, respondendo emails, limpando piscina, enrolando e enrolando até às quatro. Resultado que cheguei em Capão anoitecendo, num final de tarde cinzento e com um nordestão furioso varrendo a praia e levantando nuvens de areia. Com isso, minha caminhada sagrada foi suspensa e parti direto para a segunda parte do meu plano, sem dúvida a mais importante: abrir uma cerveja gelada, colocar carvão na churrasqueira e tirar da geladeira um pedaço de costela que tinha ficado lá no final de semana. Sem remorsos!
…x…
Na terça, fiz uma coisa nada aconselhável quando se trata de alimentação. Como fui deitar tarde na segunda assistindo ao filme Bastardos Inglórios (do qual falarei logo adiante), acabei acordando já quase dez da manhã. Fiz um mate e fui revisar meu diário de 2009 para fazer um resumo, ressaltar as realizações mais importantes e esboçar algumas metas para 2010. Acabei tomando café (meu sagrado e inútil[1] prato de cereais) depois do meio dia e almoçando às quatro da tarde. Tudo errado, mas com potencial para piorar. Como almocei muito tarde e estava com uma fome de tiranossauro, devorei uma travessa pantagruélica de espagueti com peito de frango desfiado ao molho de tomate. Resultado que passei o resto da tarde e boa parte da noite com uma pedra no estômago. Era mais de meia noite quando consegui beliscar um picadinho de queijo e salamito de janta. E, claro, fui dormir tarde de novo. Desta vez, com remorsos.
[1] Com esse comentário inauguro a prática de Notas de Rodapé para relatos despretensiosos. Sem dúvida, uma baita pretensão. Quanto ao comentário em si, ano passado fiz uns exames que acusaram um alto nível de colesterol. O médico recomendou cuidados com a alimentação e, a partir de então, comecei a comer religiosamente, toda manhã, um prato de cereais com granola, aveia e flocos de milho. Semana passada repeti os exames e meu colesterol havia aumentado!






Eu sempre suspeitei que esse tipo de comida (cereais (granola, aveia, flocos de milho) fazia mal. Costela gorda já!
Abraço!
Grande Piréx: acho que estás lavado e enxaguado de razão.
Aguarde os relatos dos próximos dias: ela retornará triunfante!
Baita abraço.