Mas eu só quero é ser feliz…
Obs.: Escrito originalmente para o blog do Piréx
Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Não é verdade. Olha eu aqui outra vez. É uma satisfação inenarrável (como diria o Fabão) voltar a esse afamado e bem freqüentado blog. E com uma vantagem a mais: aquele sentimento de tristeza que eu tinha por meu relato aqui significar que o titular desse espaço, nosso nobre amigo Piréx, não pudera comparecer pessoalmente ao evento em pauta, vai aos poucos desaparecendo. Não é ótimo?
Bueno, mas vamos ao que interessa. A missão a mim confiada pelo já referido (e elogiado) Piréx foi relatar o Trocentésimo Encontro Oficial da Lista Shadow, realizado no último final de semana na ilha de São Francisco do Sul, em Santa Catarina.
Primeiro, cabe explicar o porquê do uso do numeral Trocentésimo. O fato é que uma das características mais marcantes da lista Shadow é, em geral, ninguém concordar com ninguém. Nem que a discordância, na maioria das vezes, seja apenas uma ironia. Mas a verdade é que ninguém sabe quantos encontros oficiais da Lista houveram. Para ser sincero, não se sabe sequer o que é um “Encontro Oficial”. Há uma corrente que afirma que encontro oficial é todo aquele que foi marcado por algum símbolo concreto como uma camiseta, uma bandana ou um boton. Há outros que defendem que encontro oficial é todo aquele no qual comparece, no mínimo, dois membros da lista. Eu já prefiro outra versão, seguramente a mais correta e passível de comprovação científica que diz que encontro oficial da Lista Shadow é todo aquele no qual eu compareci.
Então, São Francisco do Sul foi um encontro oficial da Lista Shadow. Segundo contagens oficiais (que mudam a todo momento), estiveram reunidas na histórica ilha de Santa Catarina 45 motos, 6 carros e 76 pessoas de alguma forma ligadas a essa lista da internet que muitos chamam de mágica. Compareceram desde membros ilustres e figurinhas já carimbadas até novatos fazendo sua estréia em longos percursos. E, como não bastasse esse comparecimento maciço em quantidade e qualidade, tivemos ainda um outro participante que foi presença constante, marcante, irritante: a chuva. Choveu, choveu e choveu. Choveu quarta, choveu quinta, choveu sexta e sábado, quando o sol finalmente deu as caras em São Francisco, a maioria partiu para Florianópolis ou para o norte para encontrar mais e mais chuva. Dizem algumas línguas ferinas que não podíamos esperar nada diferente já que estavam reunidos em São Francisco os dois mais famosos pés-frios da lista quando se trata de atrair chuva: GDM e Rava. Portanto, tivemos não apenas chuva, mas chuva em dobro.
Mas se o objetivo de São Pedro com sua intervenção pluvial era atrapalhar a festa, certamente se deu mal. Afinal, a quantidade de água que caiu do céu acabou sendo pequena em relação a quantidade de cervejas derrubadas em terra. Já na tarde de quinta-feira o Quartel General do grupo mudou-se do Hotel Zibamba e invadiu um extenso corredor de um centro de compras, ao lado de um dos únicos botecos abertos na cidade pilotado pelo simpático Dêja e sua trupe. E começou o festival de piadas, causos verdadeiros (poucos) e mentirosos (a maioria), sacanagens, demonstrações explícitas de amizade e de viadagem e todos os demais comportamentos afetivos, egocêntricos, exibicionistas ou selvagens típicos de um encontro de um grande grupo de amigos. Aos poucos foram chegando mais motociclistas, molhados e congelados, e sendo recepcionados com apalusos, muitas fotos e mais sacanagens. E a festa seguiu madrugada adentro enquanto a maioria jantava um pastel ou um misto-quente, únicas opções gastronômicas do boteco. Mas quem se importava com comida quando tinha todo aquele estoque de camaradagem e de cerveja gelada à disposição (provavelmente não nesta ordem)?
A sexta-feira amanheceu, claro, com chuva. Após o café da manhã o GDM e eu aproveitamos para conhecer o famoso Museu Histórico do Mar de São Francisco do Sul (não juntos, claro, que é para manter as mais caras tradições da Facção Sul da Lista Shadow). Um espetáculo, comparável aos melhores museus que já visitei em outros países. Não apenas um acervo grandioso e bem cuidado, mas também rico em informações históricas e técnicas. As expedições marítimas ao Brasil, os vários tipos de embarcações existentes no extenso território nacional, detalhes construtivos, uma enorme galeria repleta de miniaturas artesanais fantásticas, uma ala especial para o grande aventureiro Amyr Klink com a exposição do barco à remo Paraty com o qual ele atravessou o Oceano Atlântico em “Cem dias entre o céu e o mar” http://www.amyrklink.com.br/conteudo.php?page=cemdias e muitas outras curiosidades. Um passeio imperdível. O Gdm ainda visitou o Museu Municipal mas nesse e não fui (e ele disse que não perdi nada).
Após a agenda cultural partimos para a pesquisa gastronômica e acabamos em um simpático restaurantezinho na parte alta da cidade degustando o mais tradicional a la minuta são franciscano, com arroz, feijão, bife, ovo, batata frita e farofa. E, óbvio, algumas cervejas geladas. Como a janta oficial do evento seria à noite, uma boa soneca nos pareceu uma grande idéia. E lá nos fomos (separados, claro) para o braços de Morfeu, sendo que eu ainda dei uma passadinha no corredor etílico e encontrei lá uma meia dúzia de malacabados para mais uma gelada.
À noite a orda de motoqueiros vestidos com suas roupas negras de gala (a mesma jaqueta e colete de viagem, evidentemente) invadiu o restaurante mais chique de São Francisco, com um belo trapiche invadindo a Bahia de Babitonga, para o jantar oficial do encontro. Comida e bebida de primeira e a repetição de todas aquelas cenas maravilhosas de amizade e camaradagem. Momentos inesquecíveis capazes de derreter o coração dos motoqueiros mais selvagens! Imagina então o que não aconteceu com esse bando de adolescentes sentimentais! Um verdadeiro espetáculo para ver e sentir.
Após o jantar um grupo saiu em direção à(s) famosa(s) saideiras, que se prolongariam madrugada a dentro. E aí parece que ocorreu um incidente que comprovou que esse bando de motoqueiros com cara de mau são, na verdade, umas moças. Mas, como eu não estava presente, vou deixar para que uma das vítimas comente.
E então, o milagre: fez-se a luz! Sábado amanheceu lindo e ensolarado. Eu podia jurar que era apenas uma espécie de pesadelo ao inverso, resultado da ressaca. Mas depois confirmei vendo as fotos: realmente amanheceu um belo dia. Deduzi que era porque o GDM e o Rava ainda estavam dormindo e tratei de aproveitar rapidinho. Fiz um mate e fui curtir as belezas da cidade, desde sua arquitetura típica que ficara enfarruscada entre o cinza da chuva até a placidez dos bancos de praça esparramados em frente à Baia de Babitonga. Enfim São Xico mostrou-se não apenas bela, mas também acolhedora.
Então, hora de partir. Guiados pelo quase local Xukrutz, parceiro catarinense da lista, saímos em direção às praias da ilha. Visitamos a Praia do Forte, onde o sádico anfitrião nos brindou com uma caminhada de mil e seiscentos metros morro acima, vestidos de botas, calças e jaquetas de couro debaixo de um sol de rachar. O objetivo era conhecer um forte e apreciar a vista do alto do morro. Era, na verdade, um belo visual. Mas acabamos apreciando mais o fato de termos chegado lá vivos.
Depois de um almoço na companhia de Zé do Laço e sua simpática (e provavelmente meio ceguinha) namorada, eu, GDM e Xukrutz partimos para Floripa: na noite nos aguardava a festa do motoclube Buena Vista. E valeu a pena! Entre fortes emoções na pilotagem de ida e volta (com Iraide e Edegar nos conduzindo entre ciclones, chuvas, ventos assustadores, buracos na pista e até Vôdegar perdido no caminho), uma festa com muito calor humano nos esperava na Praia Brava. Churrasco e cerveja de graça e aquela fidalguia e camaradagem tão característica desses encontros de motociclistas. É uma atmosfera que possui algo de mágica, se essa coisa de magia não fosse coisa de viado. Para completar, a notícia de que nossa anfitrião, a querida Iraide, acabara de ser nomeada Diretora do Buena Vista em Florianópolis.
E então chegou domingo, hora de voltar para casa. Depois de um sono reparador e de um belo café da manhã patrocinado por nossos anfitriões Iraide e Edegar, resgatamos o Daisson (outro perdido que conseguiu errar TODOS os encontros do feriadão) e encaramos a terrivelmente esburacada BR 101.
Mas chegamos vivos e felizes.
…






Muito interessante sua narrativa.
Não é perfeita. Nem verdadeira.
Mas ainda assim, é um bonito exercício de ficção.
Curioso é ler a desculpa já no topo do texto, escancarada: “escrito original mente para…”.
Abrazon
EL GDM
Separando os aperos sabe bem pra quê, haha…
Muito interessante seu comentário.
Não entendi bem o objetivo (muito menos o que, no seu ponto de vista, seja “verdade”), mas obrigado.