O jardineiro
Incrível lembrar que esse blog nasceu em novembro de 2002, quando blog ainda era uma novidade. Alguns amigos de bom nível torceram o nariz e lançaram o veredito comum na época: “Isso é coisa de adolescente retardado”. E, na maioria dos casos, era mesmo. Os blogs surgiram como diários de adolescentes que ficavam escrevendo sobre suas banalidades. Mas, curioso como sou, logo descobri que não era só isso. E hoje me divirto vendo que todos esses meus amigos (e outros ainda mais metidos à besta) hoje têm blogs pessoais, empresariais, sobre seus hobbys, grupos de interesse e, pior, conta no Twitter, que é o novo diário da moda, desta vez de adultos retardados. (Antes que alguém pergunte, é claro que tenho uma conta no Twitter, também!).
Mas por que perder tempo com um blog? a melhor resposta está no meu primeiro post, de 22 de novembro de 2002. Ele diz tudo:
Afinal, o que estou fazendo aqui?
Ouvi falar dessa nova (agora já velha) mania dos blogs tempos atrás e não dei muita bola. A perspectiva de gente entediada, desmiolada ou simplesmente desocupada destilando suas mediocridades cotidianas em um diário público me parecia ridícula. Provavelmente chata às raias do suicídio.
Mas talvez tudo seja uma questão de timing. Nossas convicções inabaláveis e certezas defendidas à golpes de intolerância muitas vezes são apenas o resultado de uma visão parcial através de uma pequena fresta das circunstâncias. Um dia a gente acorda e mete o olho pelo buraco da janela num ângulo diferente e enxerga uma árvore que nunca viu. Ou que viu apenas o galho torto e não a flor viçosa sendo obscenamente chupada por um colibri.
Escrevo, sempre escrevi e, atualmente, ando meio obsessivo. Freqüento alguns grupos do yahoo e acho que estou começando a chatear algumas pessoas. Então lembrei que a chateação privada é um porre, mas que a chateação pública é, senão suportável, pelo menos moralmente defensável. Parodiando João Cabral de Mello Neto, são os sete palmos de liberdade que me cabem nesse latifúndio.
Então revisitei alguns blogs e acabei achando coisa de boa qualidade. Tem o do Galera, um ex-colega da Oficina de Criação Literária do Luiz Antônio de Assis Brasil (http://www.exquisite.com.br/galera). Acompanho o trabalho dele desde lá e gosto do seu texto. Da mesma turma do extinto Cardosonline, um fanzine que fez sucesso, tem o blog do Cardoso (http://www.exquisite.com.br/cardoso), da Clarah e muitos outros. O blogspot e o blogger estão cheios das coisas mais esquisitas, babacas e até interessantes. Algumas, vejam, bem inteligentes. É uma comunidade repleta de criatividade, insanidades e muito lixo, também.
Fico em dúvida se essa fauna é formada por voyers ou exibicionistas. Mas há realmente diferenças notáveis nas suas naturezas complementares? Não está comprovada a tese de que os opostos tanto se afastam que acabam se encontrando do outro lado de suas diferenças?
Enfim, reflexões dispensáveis. Que, no fundo, foi o que me trouxe aqui.
K. (22/nov/2002)
Mas de onde diabos saiu O Jardim do Diabo?
Para quem não sabe, O Jardim do Diabo é o nome do primeiro romance de Luis Fernando Veríssimo. Eu estava lendo o livro na época e havia uma citação que se encaixava perfeitamente com o espírito que eu queria dar ao meu blog. Ela dizia: “A mente desocupada é o Jardim do Diabo”. Perfeito! Eu próprio não diria melhor.
E, afinal, quem escreve O Jardim do Diabo?
Esse é um estranho caso em que o Criador é filho da Criatura. Quando comecei meu blog, ele não era apenas uma válvula de escape para um sujeito em crise (e que crise!) ou uma forma de dar vazão à necessidade compulsiva de escrever (que era, também, uma forma de escapar da crise). Quem escrevia o blog era um outro Kleber, diferente daquele (olha ela de novo!) que mergulhara na tal crise. O interessante é que esse caso de alter-ego disfarçado logo saiu do armário. Eu participo de um grupo de motociclistas e, como todos lá obrigatoriamente têm apelidos, logo começaram a tentar me pôr um carimbo. Acabou surgindo a corruptela de Diabolin, exatamente por causa do meu blog. E acabei virando Kleber Diabolin, que é quem, na verdade, escreve aqui.
Sei que algumas vezes o Boelter mete a colher, mas o resultado quase sempre é algo chato, bem pensado, formal e, não raro, depressivo. Por isso, sempre que ele aparece trato de enxotá-lo o mais rapidamente possível. Mas tenho que respeitá-lo. Se não, ele leva o computador embora e acaba com a brincadeira.
E quem é Kleber Diabolin?
Essa é fácil: assim que eu descobrir, conto para vocês. Mas ele é parecido com esse cara aí embaixo…
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