O mundo tá virado numa jabulani IV

1-O que teve de ruim tecnicamente o jogo da Inglaterra e Argélia, teve de bom o jogo da Holanda contra o Japão. Os laranjas trocaram uns três milhões de passes e acertaram dois milhões, novecentos e noventa e nove. Impressionante! Mas esse “bom” acabou ficando ruim. A Holanda trocou tanto passe, mas tanto passe, que esqueceu que futebol é bola na rede. Pareciam uma eficientíssima repartição pública alemã, onde todos os papéis seguem para os lugares determinados, recebem os carimbos obrigatórios e, afinal, chegam com toda a eficiência a lugar nenhum. Enquanto a Holanda trocava passes e alcançava a espantosa marca de 70% de posse bola, o Japão atacava. No primeiro tempo, teve quatro conclusões. A Holanda chutou a primeira bola a gol aos quarenta e cinco minutos.

E aí começou o segundo tempo. Em seis minutos, a Holanda tinha atacado mais do que nos 45 iniciais. Além da posse de bola, começou a fazer lançamentos, aplicar dribles, executar cruzamentos e chutar a gol. Não demorou muito para que abrisse o placar. E então voltou a trocar passes. A impressão que ficou é que a Holanda jogou exatamente o necessário para vencer. Se precisasse fazer mais, teria feito.

2-As chances do Brasil aumentaram. E não foi apenas pelo placar mais dilatado frente à Costa do Marfim ou pelo fato de Luis Fabiano ter espantado a urucubaca que o acompanhava. A grande notícia da vitória dos canarinhos sobre os elefantes, além da improvável façanha animal, foi o barraco armado pelo Kaká. Parece que finalmente o Brasil está se comportando como quem quer, de fato, vencer essa Copa do Mundo. A Argentina não está mais só.

3-E, para quem acha que estou puxando muito o saco da Argentina, vou dizer uma coisa: é verdade. Mas não é pela Argentina em si, mas pela atitude dos hermanos. Uma atitude de luta e determinação. Por isso, para não insuflar demasiadamente a ira dos invejosos anti-argentinos, vou dar uma puxadinha de saco nos outros sul-americanos que estão jogando como argentinos: o Uruguai, Paraguai, Chile e, depois de hoje, Brasil. Ah, e a Argentina, claro.

 

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