O mundo tá virado numa jabulani IX

E eis que, finalmente, chegamos à Grande Decisão, à final da Copa do Mundo de Futebol de 2010. Para aqueles que, há poucos dias, apresentavam sintomas de intoxicação futebolística por excesso de jogos, agora já começam a apresentar leves tremores de abstinência. Como sair de um Alemanha e Argentina ou Espanha e Holanda e encarar Grêmio e Atlético Goiano ou Inter e Grêmio de Presidente Prudente?

Mas voltemos à Copa:

1-A classificação para a final é justíssima: Espanha e Holanda têm as torcidas mais bonitas da Copa. E para quem está pensando que Larissa Riquelme é paraguaia, lembrem que ela fala espanhol.

2-Eu já havia declarado meu encantamento com o futebol da Espanha aqui. Mas a partida contra a Alemanha foi ainda mais surpreendente. Além de manter a impressionante qualidade de toque de bola e o nível quase mágico de acertos nas trocas de passe, a Espanha ainda aplicou uma marcação forte e eficiente que amordaçou a Alemanha. É claro que a ausência de Müller reduziu bastante a criatividade do meio campo e a capacidade de articulação e armação de contra-ataques da Alemanha. Mas o volume de jogo da Espanha foi tão superior que não havia outro resultado possível que não fosse a vitória, mesmo que ela tenha vindo de um escanteio, com uma cabeçada de um zagueiro de miseráveis metro e setenta e cinco.

3-Na outra semi-final o Uruguai foi bravo, jogou com empenho, mas a Holanda foi superior em quase todo o jogo. Só que, com aquele segundo gol do Uruguai aos quarenta e cinco do segundo tempo, veio imediatamente a lembrança da vitória épica contra Gana. Quase que um raio cai duas vezes no mesmo lugar. Nossos queridos vizinhos do pampa mereceram todos esses momentos de glória. E minha ainda mais querida Lika também.

4-O estilo de jogo de Holanda e Espanha é muito parecido, com muito toque de bola, muita qualidade nos passes e jogadores com capacidade de fazer jogadas individuais. A Espanha parece mais homogênia, com mais volume de jogo. Mas a Holanda, até agora, deu a impressão de jogar exatamente o necessário para vencer. Um pouco menos, quando o adversário não exige. Um pouco mais, quando a coisa engrossa. E, até agora, só venceu. Nenhuma derrota, sequer um empate: ganhou todas!

5-Quem vence? Pergunte ao polvo.

 

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