O mundo tá virado numa jabulani VI
1-Em algum momento, uma visão equivocada dos benefícios da democracia fez com que se substituísse a análise competente de entendidos por votações populares para decidir desde as novas maravilhas do mundo moderno até os apedrejamentos no paredão do BBB. Ou foi, na verdade, a vitória do lobby das empresas de telecomunicações que estão muito mais interessadas no número de ligações telefônicas ou conexões da internet do que em algo parecido com os ultrapassados conceitos de verdade ou justiça?
O fato é que a FIFA entrou na onda e a escolha do melhor jogador de cada partida está sendo feita através de votações populares. O resultado é óbvio: não vence o melhor jogador, mas aquele que tem o maior (e mais desocupado) fã-clube. Cristiano Ronaldo que me desminta, se for capaz.
2-Todos pensavem que a partida entre Uruguai e México, na fase de classificação, seria um jogo de compadres pois um empate garantiria a passagem de ambos para as oitavas-de-final. Já em relação ao jogo do Brasil contra Portugal havia a expectativa de uma grande partida. E não apenas por envolver o Brasil que, pela sua história, sempre cria a esperança (cada vez mais frustrada) de uma grande atuação. A vitória de Portugal pelo elástico placar de sete a zero sobre a Coreia do Norte (aquela mesma que o Brasil venceu por magros dois a um) fez com que os holofotes da mídia iluminassem os portugueses com mais atenção.
Pois aconteceu tudo ao contrário. Uruguai e México fizeram uma partida eletrizante, aguerrida, com apetite pelo ataque. E o Uruguai, para quem o empate significava não somente a classificação mas inclusive o primeiro lugar no grupo e a quem, portanto, interessava um joguinho de compadres, buscou sempre a vitória e ganhou por um a zero. Já o jogo entre Brasil e Portugal foi de uma sonolência constrangedora. . O lance mais emocionante do jogo foi a faixa estendida no meio da torcida brasileira, flagrada pelo Veríssimo, e que dizia: “Nicola, mamãe te ama”. Se é que o Nicola também não enganou sua mãe.
3-Parecia que nada poderia ser pior, nessa copa, do que o barulho irritante das vuvuzelas ou as narrações do Galvão Bueno. Engano. As arbitragens acabam de empatar o jogo.
4-E agora, o que falar da Alemanha? Os mais precipitados, que se desmancharam em elogios após a excelente vitória de quatro a um na sua estréia, contra a Austrália, tiveram que engolir as louvações depois que os alemães tropeçaram na Sérvia. Já os que bancaram os céticos na goleada da estréia e depois do resultado contra a Sérvia ficaram repetindo “eu disse, eu disse!”, engoliram seus vaticínios depois que a Alemanha voltou a golear, e dessa vez a poderosa Inglaterra, já nas oitavas-de-final. Parece que a Alemanha ainda vai engasgar muita gente.





