O mundo tá virado numa jabulani VII

Terminadas as oitavas-de-final da Copa do Mundo de Futebol 2010, é possível fazer algumas reflexões:

1-Deus existe. Ou ao menos algo parecido com a justiça divina. O fiasco da França foi uma espécie de reparação pela classificação vergonhosa com aquele gol ilegal onde Henry dominou com a mão. Se bem que os Irlandeses, que foram desclassificados com o gol ilegal, devem achar essa justiça tardia uma bela porcaria.

2-Mas, se Deus realmente existe, ele deve ter perdido muito tempo atrapalhando a França e se distraído no restante dos jogos. Ou existe alguma explicação divina que eu não entendi no gol de Luis Fabiano, do Brasil, dominando a bola duas vezes com a mão, na bucha espetacular de Lampard, da Inglaterra, que só o bandeirinha e o juiz não viram (e não validaram), ou no escandaloso gol em impedimento de Tevez, da Argentina. Dizer que Deus é alemão até passa, mas que é brasileiro E argentino, ai nem pensar.

3-O melhor futebol apresentado até agora, nessa copa, em termos de qualidade técnica, pertence à Espanha e Holanda. A rapidez e a precisão com que os jogadores espanhóis trocam passes é impressionante! Frente a uma marcação mais forte, eles fazem uma rápida triangulação e viram o jogo para o outro lado do campo com uma rapidez e uma precisão sobrenaturais. Várias outras equipes têm tentado essa troca de passes rápidos com triangulações no meio do campo e o que se viu foi uma constrangedora quantidade de erros. Está certo que falta à Espanha a coisa mais importante do futebol, que é fazer gols. Mas muito dessa falha se deve, certamente, ao péssimo desempenho de seu centroavante, Torres, e às lindíssimas espanholas que, nas arquibancadas ou atrás do gol, fazem com que os jogadores se distraiam na hora H. Já a Holanda possui qualidade técnica semelhante, mas é mais aguda na hora de atacar. E suas torcedoras não perdem em nada para as espanholas.

4-E o Brasil? Pois essa é a seleção brasileira que joga o futebol menos brasileiro dos últimos tempos. Basta dizer que a grande virtude desse time, alardeada por onze entre dez jornalistas, não é o poder ofensivo ou os craques dribladores, mas ter a melhor defesa do mundo e saber jogar no contra-ataque! No contra-ataque, como jogam o XV de Novembro de Pirassununga ou o Aliança de Várzea Grande! Mas, a exemplo de Dunga, é um time que não brinca em serviço. Mesmo que seu melhor jogador de defesa, o mais ativo do meio-campo e o atacante mais agudo sejam Lúcio, Lúcio e Lúcio, pode chegar ao título.

5-E Alemanha e Argentina? A Alemanha surpreende com uma equipe criativa como nunca antes se viu numa seleção alemã (exceto, talvez, em uma seleção de suas cervejas). A qualidade técnica de Özil somada à força de Schwensteiger e ao instinto de centro-avante matador de Klose formam uma equipe perigosíssima. E a Argentina, além de estar bem organizada taticamente (para surpresa dos detratores de Maradona, entre eles eu mesmo), ainda tem na qualidade quase sobre-humana de Messi, na força de Tevez, no oportunismo de Iguain e, principalmente, na garra de todos, uma fórmula vencedora.

6-Não posso deixar de falar do Uruguai, em homenagem à minha querida amada Lika! Entonces,  falemos: é um time equilibrado e que joga com uma dedicação e um empenho dignos das mais caras tradições da raça castelhana (e aqui raça não significa origem étnica, mas característica cultural). Mas, junto com Gana, é a equipe mais limitada entre as oito classificadas para as quartas-de-final (se bem que há uma qualidade quase alemã na Patrícia, na Norteña e na Pilsen). O que não significa que não possa surpreender. Se depender da torcida da Lika (e da minha), o Uruguai segue em frente!

 

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[...] já havia declarado meu encantamento com o futebol da Espanha aqui. Mas a partida contra a Alemanha foi ainda mais surpreendente. Além de manter a impressionante [...]

 
 
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