O mundo tá virado numa jabulani VIII
Para quem acha que o futebol é uma grande bobagem e que só serve para enriquecer pessoas que beiram a indigência mental, as quais, sem esse esporte primitivo, seriam pouco mais do que ajudantes de pedreiro ou mulas de boca-de-fumo, afirmo que não estão com a razão. Ao menos não com toda a razão.
O futebol também nos traz lições de vida importantes. O encerramento das quartas-de-final da Copa do Mundo prova isso. Senão, vejamos:
1-A derrota do Brasil para a Holanda provou que não se ganha jogo de véspera. Nem ao final do primeiro tempo.
2-A derrota da Argentina provou que curriculo e estrelismo não ganham jogo. Muito menos bravatas.
3-Fala sério: aquele terno do Maradona não podia funcionar mesmo.
4-Ok, ok, os casacos fashion do Dunga também não.
5-Duas estratégias fracassaram miseravelmente nessa Copa do Mundo: o rancor agressivo e irônico de Dunga e os beijos de Maradona. Parece que futebol não se joga nem aos coices, nem com excesso de viadagem. Aliás, não é assim com qualquer coisa na vida?
6-O melhor jogo dessa Copa, não em termos técnicos ou pela carga de emoção, mas pela demonstração de que uma equipe pode jogar muito mais do que se espera dela, foi o do Paraguai contra a Espanha. A partida do Paraguai foi espetacular. Encarou a Espanha de igual para igual, atacou o tempo todo, teve volume de jogo e qualidade técnica, e perdeu por uma contingência do futebol. Mas poderia ter ganho e não seria nenhuma injustiça. Mas nem tudo está perdido: Larissa Riquelme mantém a promessa de desfilar nua.
7-Felipe Melo pode não ser o grande vilão dessa Copa (seria uma sacanagem jogar a culpa pela derrota apenas nas suas costas), mas seguramente se transformou na grande piada. Os Felipe Melo Facts comprovam.
8-A mídia tupiniquim (da Patagônia à selva amazônica) vinha enaltecendo o desempenho dos sul-americanos (todos os que participaram das eliminatórias se classificaram, e todos passaram pelas oitavas de final, com exceção do Chile exatamente porque cruzou com outro sul-americano, o Brasil). Seria uma espécie de vingança dos espoliados colonizados contra seus colonizadores. Pois nas quartas-de-final todos fracassaram, exceto o menos cotado deles, o Uruguai. Ficaram pelo caminho o surpreendente Paraguai e os favoritíssimos Brasil e Argentina. Uma tese idiota, como tantas outras paridas nesses eventos onde o excesso de exposição na mídia cria asneiras de todo calibre.
9-Essas eu escutei em um programa de TV: “Paraguai e Uruguai jogam muito parecido. Só que o Paraguai não dá nota fiscal”. E “É melhor chupar uma laranja do que um salsichão”. Ok, ok, fraquinhas…
10-E, por falar em salsichão, a Alemanha, além do excelente futebol, ainda nos deu a oportunidade de degustar uma ótima receita da culinária germânica. Para comemorar a vitória de Schweinsteiger e sua turma, a Lika e eu fomos ao Chopp Stübel experimentar o Ente nach art des hauses, que é uma receita de marreco desossado, chucrute, spätzle e purê de maçã. Uma delícia. Ah, e a escolha do marreco não foi em homenagem a Maradona, não.
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