Os neomessianismos

Não gosto de Barack Obama.

Alguns podem me acusar de preconceituoso. Afinal, meu sobrenome Böelter revela que alguns genes germânicos estão imiscuídos na minha cadeia genética, misturados aos Oliveira da minha mãe. Não creio que seja isso. Não acho que uma pessoa possa ser considerada um mau administrador ou um mau presidente apenas por causa da pigmentação de sua pele. Como também não acho que alguém possa ser considerado um bom presidente apenas por ser negro (ou sindicalista) como acha boa parte da imprensa e um número respeitável de intelectuais e outras sumidades.

Não gosto muito do nome dele, confesso. Obama me lembra imediatamente Osama, e suas conhecidas ligações com muçulmanos e outras religiões autoritárias e sectárias não me parece ser uma prerrogativa que se possa considerar positiva. Mas também não é isso. Conviver com certos valores e dogmas e mesmo ter alguma simpatia por eles não significa colocá-los em prática quando isso fere a cultura, a história e mesmo a constituição de um país.

Também não acho que esse engajamento quase unânime de intelectuais e artistas contribua muito como prova de competência administrativa, seriedade de comportamento ou honestidade de princípios. Aliás, a história tem, em geral, nos demonstrado o contrário. Aqueles que enchem os palcos de campanha com artistas famosos e mobilizam hordas de militantes às raias da histeria são, em geral, grandes populistas.

O que mais me incomoda no fenômeno Barack Obama, e ele pode realmente ser considerado um fenômeno, é exatamente isso: o fenômeno. Estamos claramente diante de uma espécie de messianismo, de uma expectativa exacerbada em cima de um único indivíduo. Barack Obama não é Fernando Collor de Mello, mas o fenômeno Obama lembra muito o fenômeno Collor.

Sou, por princípio, contra salvadores da pátria. O apoio maciço e a expectativa milagrosa significam, em geral, excesso de poder. Se esperam demais de alguém, esse alguém tem que fazer algo demasiado para corresponder às expectativas. “Duela a quem duela”.

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Comments: 2

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Ah, pode abrir o jogo, mano.

Você tá falando do Lula, né?

Mas ao contrário do que se esperava, ele fez um excelente governo (financeiro, por que moral, hahaha).

Abrazon

EL GDM
XL1000V Galáxia

 
 

Barbaridade Cohen, o Lulla está fazendo um governo das galáxias!

Non???

K.

 
 
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