Essa é a última parte do relato de nossa viagem a Sint Maarten/Saint Martin. Quem não leu as anteriores, estão aqui http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/sint-maarten-saint-martin-o-sonho/ e aqui http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/sint-maarten-saint-martin-o-sonho-ii/ . Divirtam-se.
St Barth (Saint Barthélemy)
Gisele Bündchen esteve lá. Brad Pit esteve lá. Julia Roberts esteve lá. Dizem que é um dos lugares mais exclusivos do planeta, refúgio preferido de celebridades internacionais. Não sei. Mas, se não era, ficou sendo. Nós estivemos lá.
Havia muita expectativa de nossa parte (principalmente da Lika, que é mais chegada nessas coisas très chics) em relação a St Barths. Afinal, que espantosas belezas naturais ou indescritíveis encantos paradisíacos teria uma ilha dessas para atrair tantas celebridades? A resposta acabou sendo óbvia: não sabemos. Daquilo que vimos, pouco se diferencia das principais praias de Sint Maarten, Angra dos Reis, Porto de Galinhas ou Morro de São Paulo. Talvez o encanto esteja por trás de paredes e muros altos, em resorts exclusivos recheados de luxo e sofisticação, que não estão ao alcance sequer de nossos olhos. Ou talvez seja apenas a repetição daquele doentio fenômeno moderno onde um lugar se torna célebre não pelos seus méritos, mas pelas celebridades que o frequentam. Algo parecido está acontecendo com Jurerê Internacional, em Florianópolis, que continua a mesma Jurerê de sempre, mas agora alçada à condição de um dos lugares mais chiques do Brasil.
O percurso até St Barths já foi uma aventura. Pegamos um ferry na marina de Philipsburg e partimos em velocidade moderada, contornando os imensos transatlânticos ancorados no porto. Assim que chegamos em mar aberto o barco acelerou e um barulho ensurdecedor tomou conta da coberta de popa, onde estávamos. Uma imensa coluna d’água se formava atrás do barco, demonstrando o poder dos motores que impulsionavam o casco de aço. No começo, foi divertido. Tiramos fotos, fizemos comentários sobre a velocidade impressionante que o barco atingia, achamos legal os respingos de água que às vezes desabavam sobre os passageiros quando o barco cortava uma onda mais robusta. Mas o divertimento durou pouco. Com o passar do tempo, o barulho irritante, os balanços do casco, os borrifos de água e a sensação opressiva criada pelo rápido deslocamento do barco começaram a fazer efeito. Em pouco tempo os tripulantes andavam de um lado para o outro distribuindo sacos de plástico, enquanto vários passageiros se debruçavam para a frente e colocavam seu café da manhã para fora, enchendo os saquinhos de vômito. Foi um espetáculo muito pouco condizente com o glamour de St Barths.
Chegamos à ilha (ainda com o café no estômago), apanhamos o carro que havíamos alugado, um pequeno jipe Suzuki Vitara com câmbio automático, e saímos a percorrer as principais praias. E, sinto dizer, nenhuma delas merece destaque especial. Claro que encontramos restaurantes sofisticados, com chaises longues guarnecidas por pérgulas e ornamentadas com cortinas espalhadas na areia, mesas com toalhas brancas e finas taças de vinho, mesinhas de vime com champagnes francesas mergulhadas em baldes de gelo de aço inoxidável. Mas, fora esses adereços de luxo destinados a fazer com que as pessoas se sintam mais importantes do que são (e que podem ser encontrados em profusão em Jurerê Internacional, por exemplo), o resto eram praias com construções quase encostadas no mar, deixando uma pequena faixa de areia para o provavelmente indesejado turista, Jet skis boiando na água cristalina, pranchas e velas de windsurf para alugar encostadas em quiosques à espera de fregueses. Justiça seja feita que não visitamos as praias à noroeste da capital, Gustavia, e não conseguimos chegar a todas as do lado sul. Das que visitamos, a mais aprazível foi Baie de St Jean (que nos foi indicada como a melhor), que forma uma longa baía separada ao meio por uma formação rochosa em cujo cume se equilibra um sofisticado restaurante. Acabamos desembarcando nosso isopor abastecido com cerveja, gelo, suco de frutas e rum nessa praia e nos instalamos em seu ponto mais pitoresco: ao lado da pista do aeroporto, que termina exatamente sobre a areia da praia. Aliás, há uma demarcação de bóias que entra mar a dentro e que forma uma espécie de continuação da pista de pouso e decolagem, e que deve ser evitada por banhistas ou embarcações. E ficamos ali, entregues languidamente ao sol do Caribe, bebericando Rum Punch, apreciando o mar de cores surreais e vendo pequenos aviões pousarem e decolarem, certamente ocupados por outras celebridades…
Aguila
Uma das características desses pacotes é que, no primeiro dia, há uma reunião com o guia da CVC onde ele fornece informações gerais sobre o lugar onde a gente se encontra e tenta vender uma série de passeios opcionais, certamente não nessa ordem. Entre as opções oferecidas, além da visita a St Barths, também nos interessamos por uma velejada em um catamarã até a ilha de Aguila, da qual nunca havíamos ouvido falar. Mas, nos informando em impressos que tínhamos disponíveis e acreditando nas palavras do guia da CVC (com um descontinho de 50% no seu papo de vendedor) nos pareceu que o passeio valia a pena. Não foi um passeio barato: incluindo o transfer do hotel, a velejada com open bar e o almoço em Aguila, gastamos 160 dólares por pessoa. Mas valeu a pena.
Partimos de Simpson Bay numa manhã ensolarada (depois da conferência de nossos passaportes, já que Aguila é uma possessão inglesa) e, assim que o barco ganhou alto mar, a tripulação ergueu a vela principal e a genoa. Soprava um vento de intensidade média, talvez uns oito nós, e o barco logo ganhou velocidade. Mas foi uma velejada gostosa, mesmo no contravento, já que o catamarã é uma embarcação muito estável sobre seus dois cascos e não aderna em condições normais de percurso. Com o open bar, logo nos abastecemos de heinnekens (a bebida oficial de Sint Maarten) e, em seguida, passamos para o Rum Punch, fornecido em uma grande térmica de plástico colocada no centro do balcão do convés de popa. Estávamos acompanhados por um casal que conhecemos na viagem, mais um gaúcho radicado em Goiás que não parava de falar de futebol, e acabou sendo tudo muito divertido.
Ancoramos a uns trezentos metros da praia, em Aguila, e enquanto muitos embarcavam no bote a motor para descer até a praia resolvi colocar em prática minha duvidosa habilidade de nadador. Não havia como resistir àquela água translúcida, de um verde-esmeralda brilhante. Foi uma nadada tranqüila…
Não chegamos a visitar o interior da ilha. Desembarcamos do catamarã em frente ao resort onde seria servido o almoço e ali ficamos, esparramados em cadeiras de praia, curtindo uma das mais típicas paisagens de revista sobre o Caribe. Areia branquíssima, coqueiros avantajados e aquele mar de coloração surreal.
Recomendo
Das muitas viagens que já fizemos até hoje, essa foi uma das melhores. Criamos uma expectativa um pouco exagerada a respeito do lado francês, em especial à sua capital, Marigot, muito pelos relatos de revistas e sites da internet. Não era tudo o que esperávamos. Em compensação, Philipsburg mostrou-se simpática e cosmopolita, com uma energia contagiante emanada dos seus bares e restaurantes a beira mar, dos artistas que desfilavam seus talentos no calçadão e do comércio farto e variado com ofertas desde bijouterias e artesanatos locais até as mais famosas marcas de grife mundial.
E, principalmente, o inebriante mar do Caribe, esparramado como um palco gigantesco para o desfile dos transatlânticos, ornamentado por fartas doses de Rum Punch, diante do nosso absurdamente maravilhoso ocean view, foi um espetáculo memorável.























































