Sint Maarten / Saint Martin – final

Essa é a última parte do relato de nossa viagem a Sint Maarten/Saint Martin. Quem não leu as anteriores, estão aqui http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/sint-maarten-saint-martin-o-sonho/ e aqui http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/sint-maarten-saint-martin-o-sonho-ii/ . Divirtam-se.

St Barth (Saint Barthélemy)

Gisele Bündchen esteve lá. Brad Pit esteve lá. Julia Roberts esteve lá. Dizem que é um dos lugares mais exclusivos do planeta, refúgio preferido de celebridades internacionais. Não sei. Mas, se não era, ficou sendo. Nós estivemos lá.

Havia muita expectativa de nossa parte (principalmente da Lika, que é mais chegada nessas coisas très chics) em relação a St Barths. Afinal, que espantosas belezas naturais ou indescritíveis encantos paradisíacos teria uma ilha dessas para atrair tantas celebridades? A resposta acabou sendo óbvia: não sabemos. Daquilo que vimos, pouco se diferencia das principais praias de Sint Maarten, Angra dos Reis, Porto de Galinhas ou Morro de São Paulo. Talvez o encanto esteja por trás de paredes e muros altos, em resorts exclusivos recheados de luxo e sofisticação, que não estão ao alcance sequer de nossos olhos. Ou talvez seja apenas a repetição daquele doentio fenômeno moderno onde um lugar se torna célebre não pelos seus méritos, mas pelas celebridades que o frequentam. Algo parecido está acontecendo com Jurerê Internacional, em Florianópolis, que continua a mesma Jurerê de sempre, mas agora alçada à condição de um dos lugares mais chiques do Brasil.

O percurso até St Barths já foi uma aventura. Pegamos um ferry na marina de Philipsburg e partimos em velocidade moderada, contornando os imensos transatlânticos ancorados no porto. Assim que chegamos em mar aberto o  barco acelerou e um barulho ensurdecedor tomou conta da coberta de popa, onde estávamos. Uma imensa coluna d’água se formava atrás do barco, demonstrando o poder dos motores que impulsionavam o casco de aço. No começo, foi divertido. Tiramos fotos, fizemos comentários sobre a velocidade impressionante que o barco atingia, achamos legal os respingos de água que às vezes desabavam sobre os passageiros quando o barco cortava uma onda mais robusta. Mas o divertimento durou pouco. Com o passar do tempo, o barulho irritante, os balanços do casco, os borrifos de água e a sensação opressiva criada pelo rápido deslocamento do barco começaram a fazer efeito. Em pouco tempo os tripulantes andavam de um lado para o outro distribuindo sacos de plástico, enquanto vários passageiros se debruçavam para a frente e colocavam seu café da manhã para fora, enchendo os saquinhos de vômito. Foi um espetáculo muito pouco condizente com o glamour de St Barths.

Chegamos à ilha (ainda com o café no estômago), apanhamos o carro que havíamos alugado, um pequeno jipe Suzuki Vitara com câmbio automático, e saímos a percorrer as principais praias. E, sinto dizer, nenhuma delas merece destaque especial. Claro que encontramos restaurantes sofisticados, com chaises longues guarnecidas por pérgulas e ornamentadas com cortinas espalhadas na areia, mesas com toalhas brancas e finas taças de vinho, mesinhas de vime com champagnes francesas mergulhadas em baldes de gelo de aço inoxidável. Mas, fora esses adereços de luxo destinados a fazer com que as pessoas se sintam mais importantes do que são (e que podem ser encontrados em profusão em Jurerê Internacional, por exemplo), o resto eram praias com construções quase encostadas no mar, deixando uma pequena faixa de areia para o provavelmente indesejado turista, Jet skis boiando na água cristalina, pranchas e velas de windsurf para alugar encostadas em quiosques à espera de fregueses. Justiça seja feita que não visitamos as praias à noroeste da capital, Gustavia, e não conseguimos chegar a todas as do lado sul. Das que visitamos, a mais aprazível foi Baie de St Jean (que nos foi indicada como a melhor), que forma uma longa baía separada ao meio por uma formação rochosa em cujo cume se equilibra um sofisticado restaurante. Acabamos desembarcando nosso isopor abastecido com cerveja, gelo, suco de frutas e rum nessa praia e nos instalamos em seu ponto mais pitoresco: ao lado da pista do aeroporto, que termina exatamente sobre a areia da praia. Aliás, há uma demarcação de bóias que entra mar a dentro e que forma uma espécie de continuação da pista de pouso e decolagem, e que deve ser evitada por banhistas ou embarcações. E ficamos ali, entregues languidamente ao sol do Caribe, bebericando Rum Punch, apreciando o mar de cores surreais e vendo pequenos aviões pousarem e decolarem, certamente ocupados por outras celebridades…

Aguila

Uma das características desses pacotes é que, no primeiro dia, há uma reunião com o guia da CVC onde ele fornece informações gerais sobre o lugar onde a gente se encontra e tenta vender uma série de passeios opcionais, certamente não nessa ordem. Entre as opções oferecidas, além da visita a St Barths, também nos interessamos por uma velejada em um catamarã até a ilha de Aguila, da qual nunca havíamos ouvido falar. Mas, nos informando em impressos que tínhamos disponíveis e acreditando nas palavras do guia da CVC (com um descontinho de 50% no seu papo de vendedor) nos pareceu que o passeio valia a pena. Não foi um passeio barato: incluindo o transfer do hotel, a velejada com open bar e o almoço em Aguila, gastamos 160 dólares por pessoa. Mas valeu a pena.

Partimos de Simpson Bay numa manhã ensolarada (depois da conferência de nossos passaportes, já que Aguila é uma possessão inglesa) e, assim que o barco ganhou alto mar, a tripulação ergueu a vela principal e a genoa. Soprava um vento de intensidade média, talvez uns oito nós, e o barco logo ganhou velocidade. Mas foi uma velejada gostosa, mesmo no contravento, já que o catamarã é uma embarcação muito estável sobre seus dois cascos e não aderna em condições normais de percurso. Com o open bar, logo nos abastecemos de heinnekens (a bebida oficial de Sint Maarten) e, em seguida, passamos para o Rum Punch, fornecido em uma grande térmica de plástico colocada no centro do balcão do convés de popa. Estávamos acompanhados por um casal que conhecemos na viagem, mais um gaúcho radicado em Goiás que não parava de falar de futebol, e acabou sendo tudo muito divertido.

Ancoramos a uns trezentos metros da praia, em Aguila, e enquanto muitos embarcavam no bote a motor para descer até a praia resolvi colocar em prática minha duvidosa habilidade de nadador. Não havia como resistir àquela água translúcida, de um verde-esmeralda brilhante. Foi uma nadada tranqüila…

Não chegamos a visitar o interior da ilha. Desembarcamos do catamarã em frente ao resort onde seria servido o almoço e ali ficamos, esparramados em cadeiras de praia, curtindo uma das mais típicas paisagens de revista sobre o Caribe. Areia branquíssima, coqueiros avantajados e aquele mar de coloração surreal.

Recomendo

Das muitas viagens que já fizemos até hoje, essa foi uma das melhores. Criamos uma expectativa um pouco exagerada a respeito do lado francês, em especial à sua capital, Marigot, muito pelos relatos de revistas e sites da internet. Não era tudo o que esperávamos. Em compensação, Philipsburg mostrou-se simpática e cosmopolita, com uma energia contagiante emanada dos seus bares e restaurantes a beira mar, dos artistas que desfilavam seus talentos no calçadão e do comércio farto e variado com ofertas desde bijouterias e artesanatos locais até as mais famosas marcas de grife mundial.

E, principalmente, o inebriante mar do Caribe, esparramado como um palco gigantesco para o desfile dos transatlânticos, ornamentado por fartas doses de Rum Punch, diante do nosso absurdamente maravilhoso ocean view, foi um espetáculo memorável.

O ferry furioso (antes dos sacos de vômito)

Chegando em St Barths, uma ilha francesa

Os "barquinhos" dos frequentadores

O Suzuki que nos levou por toda a ilha

Sofisticação em St Barths: para viajantes privilegiados

Minha "belle" Lili (e o fantástico mar do Caribe ao fundo...)

Um piloto maravilhoso em nosso catamarã para Aguila

Minha sereia próxima a Aguila

Aguila: o Caribe das revistas

Do catamarã até a praia a nado. Com um mar desses...

Além da beleza natural, bons novos amigos: Poliana e Rafael, em lua-de-mel

No retorno, um dia em São Paulo. Visita ao Museo da Oca

Uma grata surpresa: meu livro na Cultura da Av Paulista!

Espetacular. A Lika e eu recomendamos.

 

Sint Maarten / Saint Martin – O sonho II

E segue o relato de nossa viagem ao paraíso caribenho. Quem perdeu a primeira parte, veja aqui: http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/sint-maarten-saint-martin-o-sonho/

Philipsburg

A capital de Sint Maarten, possessão holandesa da ilha, é uma pequena vila debruçada nas areias brancas de Great Bay e que vive em função dos navios de cruzeiro. Chegamos à ilha no domingo e perguntamos ao guia da CVC, o Lucas, se as lojas estariam abertas. Ele respondeu que dependia dos navios. Se tivesse navios, estariam. Se não, tudo fecha. Achei um exagero: a capital de um país (ou, vá lá, de uma pequena colônia holandesa) viver exclusivamente em função desses templos do turismo moderno me soava como um excesso de dependência.Mas era verdade. Os navios chegam, as lojas abrem. Os navios partem, as lojas fecham. Até mesmo os bares e restaurantes localizados no calçadão à beira mar cerram as portas, em sua maioria, ao cair da noite. Quando chegamos ao hotel no primeiro dia de viagem, quase dez da noite, alimentados apenas com o raquítico e insosso lanchinho da Gol, estávamos mortos de fome. Para nossa surpresa, não apenas o restaurante do hotel estava fechado, mas eles sequer serviam lanches (mesmo com a chegada esperada de um grupo de turistas). Cogitamos caminhar até o centro de Philipsburg (que ficava a quinze minutos) para jantarmos e fomos desencorajados pelo Lucas: “Está tudo fechado”. No final, o que nos salvou foram uns sanduíches servidos de graça no cassino do hotel (sim, o hotel tem um cassino), destinados a manter os jogadores acordados e alimentados, gastando seu dinheiro nos caça-níqueis, na roleta ou na movimentada mesa de 21.

Tudo muda quando os portentosos transatlânticos começam a despejar milhares de entusiasmados turistas com os bolsos repletos de dólares nas ruas estreitas de Philipsburg. A cidadezinha ganha vida, se agita e oferece uma infinidade de opções não apenas de compras, mas também de gastronomia e diversão.

Para quem considera visitas a lojas, joalherias e artesanatos um aspecto cultural importante de uma viagem, Philipsburg, um porto totalmente livre de impostos, é um prato cheio. A cidade é famosa pelas jóias vendidas por uma colônia de indianos ávidos por fazer negócios. Juram as propagandas (e o testemunho de alguns turistas) que os preços são extremamente vantajosos, principalmente após uma boa pechincha com os indianos, uma das características culturais do lugar. Alguém me disse que se compra jóias de ouro e diamantes que valem mais de cinco mil reais no Brasil por pouco mais de quinhentos dólares. Não conferi. Já nas lojas de roupas comprei camisetas estampadas por três dólares e camisas caribenhas, aquelas bem espalhafatosas, por oito. E as lojas de eletroeletrônicos tinham ofertas excelentes em câmeras fotográficas profissionais (compramos uma Sony à prova d’água, modelo simples, por menos de trezentos dólares), ipods, iphones, ipads e todos os ai, ai, ai que alimentam os viciados por consumo, tecnologia e status. E para os que possuem um certo fetiche por relógios, como no meu caso, a capital holandesa é um oceano de tentações: Omega, Panerai, Tag Hauer, Breitling, Mont Blanc, Citizen, tudo que é tipo e modelo por preços que nos deixam à beira de cometer um desatino!

Mas também os bares e restaurantes de Philipsburg, espalhados no calçadão a beira mar, são uma atração. Tem McDonalds e Hard Rock Café para os que venderam sua alma para o Grande Satã, mas há também dezenas de restaurantes típicos, a maioria com grandes aquários onde nadam jurássicas lagostas a espera de saltar na frigideira. E todos os restaurantes possuem algum tipo de atração musical, em geral exercida na calçada em frente por um artista ou um conjunto que vive de gorjetas. Demos uma sorte danada porque, no restaurante que escolhemos, não fomos brindados com um trio caribenho de camisas floreadas e cabelos pixaim tocando salsa e merengue, mas sim com um sujeito muito branco, vestido todo de branco e com um chapéu também branco que tocava, com sua guitarra acompanhada de uma bateria eletrônica, as mais belas baladas de Eric Clapton, James Taylor e Santana. Um showman. E isso complementado por um Mojito para a Lika, várias Carib geladas e um delicioso prato típico de frutos do mar onde, além de pedaços de lagosta, camarão e peixe, tinha umas mini-lulas que espetávamos e ficava um monte de perninhas espalhadas para todos os lados do garfo. Imaginem a cena: lulinhas empaladas, um albino dedilhando Eric Clapton na guitarra e, ao fundo, o mar do Caribe. É por cenas assim que vale a pena viajar!

Enfim, Philipsburg se mostrou um lugar simpático e com opções para todos os gostos e bolsos. Desde, claro, que hajam navios estacionados nos portos.

As praias

Para conhecer as praias de Sint Maarten (o lado holandês) e de Saint Martin (o lado francês), a melhor opção é alugar um carro. É possível conseguir modelos compactos por até trinta dólares por dia (que, acrescidos de seguro e taxas chegam aos cinquenta dólares). Fizemos isso na sexta-feira e, a bordo de um Hyundai levemente amassado, saímos a circundar a ilha, entrando em tudo que era estradinha que ameaçava levar a uma praia. Partimos de Phipsburg na direção norte e entramos em Guana Bay e Dawn Beach, na parte holandesa, Baie Lucas Coralita, Baie de L’Embouchure e Baie Orientale, no lado francês. Virando na direção oeste, ainda no lado francês, passamos pelo acanhado aeroporto do lado francês e desembocamos em Grand Case, uma praia de razoável beleza mas cuja atração principal são os restaurantes, dos quais falaremos mais adiante. Depois de um belo almoço, onde rivalizaram a excelente culinária francesa e o visual deslumbrante, partimos na direção sul e entramos em Friar’s Bay, uma bonita e simpática praia com um daqueles grandes restaurantes típicos de beira de mar, com muita madeira, mesinhas espalhadas pela areia e grama e um movimento intenso de gente de tudo que é lugar do mundo. Quando chegamos, estavam montando um enorme palco onde haveria, de noite, o show de uma banda que se apresentava como “The best Dire Straits, after Dire Straits”. Cogitamos voltar de noite para o show mas os trinta euros por cabeça que custava o ingresso nos fez desistir. Dali, continuamos na direção sul passando por Marigot, a capital do lado francês (e que já havíamos visitado no dia anterior, de ônibus) e tentamos chegar a Baie Aux Prunes, recomendada por nosso guia da CVC como uma bela praia. Rodamos dezenas de quilômetros por estradinhas sinuosas só enxergando mata nativa e grandes muros de residências particulares. Ficamos com uma sensação de Angra dos Reis: as praias foram tomadas por grandes empreendimentos imobiliários (entre casas e condomínios) e, para o povo chinelo, restou apenas vielas, portões imponentes vigiados por guaritas e grandes muros intermináveis. Depois de muitas voltas encontramos um pequeno acesso ao mar. Estacionamos o carro em um gramado imaculado, caminhamos uns duzentos metros e nos descobrimos em uma enorme praia, quase uma Tramandaí, e que depois descobrimos se chamar, não por acaso, de Baie Longue. Sem graça. Acabamos apelidando essa região de Baie de Lê Mure, em homenagem ao principal integrante da paisagem.

Voltamos para o carro e partimos atrás da famosa Cupecoy Bay, a praia de nudismo mais famosa da ilha e que já havíamos visto do mar, repleta de bundas brancas e seios flácidos no passeio de veleiro que fizemos. Por algum motivo (inconsciente, claro) eu errei a entrada e acabamos desembocando em Mullet Bay, uma bela praia próxima a grandes gramados e uma espécie de campo de golfe aberto (e que depois descobrimos ser um empreendimento que faliu, não tendo sido concluído). Em Mullet Bay espichamos nossas toalhas, tiramos a roupa de passeio e nos entregamos aos prazeres praianos da caminhada à beira mar, da carícia do sol na pele e do mergulho nas águas cristalinas do Caribe.

De Mullet Bay partimos em direção à praia que é uma das maiores atrações turísticas da ilha: Maho Bay. Só que, nesse caso, a atração não é a praia propriamente dita, mas sim o aeroporto cuja pista desemboca praticamente na areia, sendo separado apenas por uma frágil cerca de tela e uma avenida asfaltada. No início, achei aquele programa meio babaca: ficar numa praia vendo aviões pousarem e decolarem. Mais um desses enganos preconceituosos. Na verdade, existe um clima de emoção e de excitação nesse encontro meio perigoso de aeroporto e praia repleta de gente. Quando pousam, os aviões parece que vão tocar de barriga no mar e sair deslizando pela areia até chegar na pista. E, quando decolam, os grandes jatos provocam um deslocamento de ar com suas turbinas que levantam uma nuvem de areia e água na praia, formando um corredor de turbulência capaz de derrubar uma pessoa que esteja no caminho. E esse é um dos divertimentos do povo: ficar no caminho das turbinas, recebendo um jato violento de ar quente e areia, muitas vezes sendo derrubados de costas pela força da turbulência. Quando o jato decola e as pessoas se levantam, caminham na direção dos amigos (que filmaram e fotografaram a façanha) sacudindo a roupa, cuspindo e tirando areia de dentro da boca, do nariz e dos ouvidos. E, acreditem, é emocionante! Bem na ponta da praia de Maho Bay há um bar e restaurante movimentadíssimo, com vários ambientes, e que vive do borburinho dos espectadores desse estranho esporte de ser arrastado por turbinas de aviões.

Tínhamos planejado retornar para o hotel, tomar banho, trocar de roupa e voltar para jantar em Maho Bay, onde há alguns simpáticos restaurantes. Acabamos desistindo e ficamos estirados nas cadeiras do bar, na areia, bebendo nosso drink oficial da estadia caribenha, o Run Punch, vendo aviões pousarem e admirando um belíssimo pôr do sol, salpicado de pequenos veleiros, nas águas brilhantes do mar do Caribe.

Para comer

O grande centro gastronômico de Sint Maarten é, sem dúvida, Sympson Bay. Próxima ao aeroporto, possui uma grande quantidade e diversidade de bares e restaurantes. Jantamos duas noites lá. Na primeira, fomos ao badalado Pineaple Pete’s, um restaurante com ótima música ao vivo que possui um variado cardápio, desde pratos típicos caribenhos até standards da cozinha internacional. Na segunda, ficamos entre uma churrascaria argentina e um restaurante mexicano, e acabamos decidindo matar a saudade de nachos, burritos e uma caprichada margarita.

Mahoo Bay, ao lado do aeroporto, também possui alguns restaurantes que, apesar de serem em menor quantidade, são mais sofisticados. Grand Case, na parte francesa, é uma praia que possui uma razoável quantidade de restaurantes, todos à beira mar, com mesas voltadas para o verde mar do Caribe. Em um deles, após a degustação dos tradicionais Ron Punch e Mojito, comemos um filé de Mahi-Mahi a la plancha delicioso, servido por um francesinho todo faceiro que caminhava na pontinha dos pés e fazia trejeitos que lembravam Carmem Miranda. Também almoçamos em Marigot, a capital do lado francês, que possui vários restaurantes próximos à marina central.

Além do calçadão de Philipsburg, do qual já falamos, há também a opção dos buffets dos hotéis. O do nosso, o Sonesta Great Bay, era muito variado e parecia apetitoso. Mas, além de caro (vinte dólares por pessoa), ainda tinha o defeito de ser restaurante de hotel, o que definitivamente não estava em nossos planos.

As ruas de Philipsburg

Lagosta, o prato principal da ilha - e sempre vivas!

Mojito, o drink que a Lika adotou

Show no calçadão de Philipsburg, na beira do mar do Caribe

Lilika fazendo amizade com os nativos de Sint Maarten

Excelentes restaurantes e cafés em Marigot, no lado francês

Um filé de Mahi-Mahi divino, excelência da culinária da parte francesa

Cupecoy Bay, a praia de nudismo mais famosa de Sint Maarten.

Praia de "Le Murê"

Maho Bay, a praia dos aviões! Perigo? Então vamos nessa!

Maho Bay: eles passam perto de verdade!!! Foto tirada pela Lika, comigo ali em baixo!

Grande variedade de cassinos na parte holandesa. No lado francês, são proibidos.

Praias paradisíacas, o ponto alto do Caribe

 

Sint Maarten / Saint Martin – o sonho

Já dizia meu amigo Jack: vamos por partes. Ou, conforme um advogado que tinha conselhos muito sábios: boi grande se come aos bifes. Então, vou falar de nossa última viagem em capítulos. Enjoy it!

O sonho

Não lembro exatamente quando transformei a ilha de Sint Maarten, nas Antilhas Holandesas, em um distante e desejado sonho. Mas recordo que sua maior atração não era o fato de estar localizada no paradisíaco mar do Caribe, com suas águas cristalinas exibindo-se em uma inacreditável combinação de verde-esmeralda ou azul-turquesa. O que me parecia realmente impressionante era o fato de que essa pequena ilha de praias paradisíacas e geografia acidentada era cortada ao meio por uma linha de fronteira e pertencia, cada uma de suas metades, a um país diferente: o lado sul, chamado de Sint Maarten, era uma possessão da Holanda e o lado norte, denominado de Saint Martin, pertencia a França. Isso, além de surpreendente e instigante, exercia um irresistível fascínio sobre mim.

Mas, o que chegou a ser um sonho factível na época em que eu acreditava que seria um empresário rico e de sucesso, foi praticamente esquecido quando minha jornada começou a ficar meio acidentada, ali por volta dos anos 1990. Os percalços na vida pessoal e a crise que atingiu os negócios aproximou meu horizonte muito mais das dunas cinzentas de Quintão do que do mar turquesa do Caribe.

Esse quadro sombrio começou a mudar quando encontrei minha atual companheira. Além da melhora, na época, da situação da minha empresa, a parceria com a Lika trouxe um novo entusiasmo e uma perspectiva diferente para meus projetos. Junto com sua jovialidade e otimismo contagiantes, a Lika também trouxe uma sofisticação e uma perspectiva de vida que combinaram com muitas de minhas preferências em relação a viagens e outros prazeres da vida. E, tão importante quanto isso, a Lika também trouxe a capacidade financeira de realizar esses desejos. Profissional competente com boa colocação no mercado, ela não apenas divide as despesas domésticas (possibilitando que eu poupe algum dinheiro) como, nas viagens, banca sua parte. Com essa união de desejo pessoal e capacidade financeira, começamos a realizar muitos sonhos que, passamos a descobrir, sonhávamos em comum. E Sint Maarten era um deles.

O melhor investimento

Em uma viagem, podemos optar por vários investimentos, conforme nossas preferências. Hotéis de melhor categoria, restaurantes sofisticados, passeios interessantes, lojas duty free e de artesanato, uma esticada no roteiro original. Nessa viagem, resolvemos investir no ocean view. Que diabos é isso? Explico: quando fomos escolher o pacote, havia duas opções de hotéis: o Sonesta Maho Beach, localizado próximo ao aeroporto e à zona de bares, restaurantes, cassinos e intensa vida noturna; e o Sonesta Great Bay, próximo da capital do lado holandês, Philipsburg, menor e mais calmo. Como nossa concepção de praia é areia, mar e descanso e não badalação noturna, escolhemos o Great Bay. E aí havia outras duas opções: acomodações “mountain view” e quartos “ocean view”. Óbvio que o segundo tipo era mais caro. Discutimos o assunto e chegamos à conclusão de que valia a pena o gasto a mais: a perspectiva de ficar em um quarto de frente para o mar do Caribe nos encantava. E foi, seguramente, o melhor investimento que fizemos nessa viagem. Um quarto grande, localizado no quinto andar, com uma grande janela dupla que se abria para uma paisagem deslumbrante: uma longa sacada, a piscina do hotel, uma faixa de areia branca e brilhante e o mar do Caribe, com sua tonalidade verde-esmeralda brilhando ao sol e mudando gradativamente, em direção ao alto mar, para um azul-turquesa e depois para um azul profundo. Uma visão capaz de encher a alma de uma felicidade irreprimível.

E, tão impressionante quanto a beleza natural de tirar o fôlego, acabou sendo o espetáculo diário dos transatlânticos de cruzeiro surgindo por detrás da montanha que formavam uma das pontas da Great Bay e desfilando em frente à nossa janela, até ancorarem na outra ponta, no porto de Philipsburg. Impressionante! O desfile dos navios de cruzeiro começava ao amanhecer e, no final da tarde, assistíamos à sua partida, já iluminados profusamente como portentosas catedrais modernas. Acordar de manhã cedo, preparar um mate e sentar na sacada diante dessa beleza deslumbrante foi uma experiência digna dos mais acalentados sonhos.

Depois do susto da Webjet, rumo ao paraíso

Um brinde de Rum Punch ao "ocean view"

Desfile de gala em frente à nossa janela

Companhia que torna qualquer lugar ainda mais lindo

Um brinde a mais um sonho realizado

 

Férias II

Hoje a Lika entrou de férias da PUC. Lá, o esquema é mais rígido, atrelado ao calendário acadêmico. Essa é a época em que quase todas as chefias aproveitam para tirar seu período de descanso previsto em lei, uma espécie de férias coletivas disfarçada. E eu, claro, vou no embalo.

Dentro de duas semanas voltaremos com novidades sobre passeios e fotos caprichadas. Para quem fica, bom trabalho. Para quem também parte de férias, bom proveito.

 

Os desabamentos no Rio de Janeiro: a pergunta que faltou

O recente episódio dos desabamentos na região serrana do Rio de Janeiro produziu cenas e histórias de uma dramaticidade chocante. As imagens de destruição, desespero e morte foram assombrosas e não há como não ficar impressionado e comovido com a angústia e o sofrimento daqueles que foram atingidos por essa catástrofe. Mas há uma questão que não se enquadra nos manuais do “politicamente correto” e que precisa ser encarada.

Muito se especulou sobre os motivos que desencadearam uma calamidade de tamanha proporção e assistimos a um aguerrido duelo de responsabilizações. De um lado, governo e autoridades culpando os níveis elevados de chuvas que caíram na região e as ocupações de terrenos ilegais nas encostas dos morros (como se a responsabilidade de fiscalizar e coibir ocupações ilegais não fosse do próprio poder público). De outro lado, comentaristas, críticos e palpiteiros em geral culpando o governo pela falta de planejamento para atuar em situações de calamidade e pelas ocupações de terrenos ilegais (como se fossem os governantes que tivessem comprado tijolos e cimento e construído as casas).

Só que, em meio a esse embate, faltou uma pergunta fundamental que não foi feita aos atingidos pela tragédia: “Mas por que, afinal, vocês construíram suas casas em uma zona de risco como essa?”. Antes que o indignado leitor se revolte com a insensibilidade da pergunta, vamos imaginar algumas respostas.

Uma delas, certamente, seria: “nós somos pobres e não tínhamos outro lugar para ir”. Até pode ser verdade em muitos casos. Mas uma grande quantidade de construções que foram atingidas pelas águas e pelos desmoronamentos era de classe média ou alta, incluindo aí hotéis e pousadas de luxo. E mesmo que fosse o caso de dificuldade econômica, o risco de perder a vida deveria falar mais alto.

Outra resposta (na linha de culpar o governo) seria: “nós não sabíamos que era perigoso. Ninguém nos avisou”. O que, na grande maioria dos casos, não é verdade. As pessoas mais simples e que moram no local possuem o conhecimento transmitido pela experiência e sabem perfeitamente o risco das ameaças naturais, até porque não é a primeira vez que inundações e deslizamentos atingem a região. Já as pessoas que não moram na região e que construíram sítios de lazer, hotéis ou pousadas, certamente foram assessoradas por engenheiros que fizeram os projetos e que têm o dever, por formação profissional, de conhecer as características e os riscos dos terrenos utilizados.

De fato, o que está sendo negligenciado não apenas neste caso, mas na própria cultura brasileira, é a indispensável figura da “responsabilidade individual”. As pessoas devem ser responsáveis por seus atos. Ninguém está livre de uma catástrofe natural e pouco domínio temos sobre o imponderável. Mas temos, sim, a responsabilidade sobre as decisões que tomamos. Quando escolhemos um terreno na beira do mar, na encosta de um morro ou na margem de um rio, temos que ter plena consciência dos riscos inerentes e estarmos preparados para as suas consequências.

É importante o papel do poder público na fiscalização, informação de perigos iminentes e na mobilização de ajuda em casos de calamidade. Mas nada supera a importância da consciência e da responsabilidade de cada cidadão sobre suas decisões individuais.

 

Mar de Letras com desmoronamentos

MAR DE LETRAS – Semana de 10 a 14/01/2011

1-Como de costume, mesmo tendo planejado o Mar de Letras com antecedência, na 2ª feira fico enrolado. Verifiquei emails, fiz um post para meu blog, paguei contas, guardei cacarecos e arrumei as tralhas para trazer para a praia. Roupas, computador, livros, filmes, revistas, raquetes de frescobol, minha pasta de músicas para violão, gaita de boca, toalhas, lençol, fronhas, panos de prato, o diabo. Fiz duas viagens escada a baixo e enchi o porta-malas do carro. E acabei saindo depois do meio-dia. Como de costume.

2-Esse Mar de Letras não tem objetivos literários definidos. Quero redigir o último texto que falta para o livro da Fritz&Frida (a orelha da capa), revisar meu planejamento de 2011 (em especial as próximas alternativas envolvendo minha empresa), encomendar a cortina para a janela da frente do apartamento da praia (o que eu já devia ter feito em dezembro), ler bastante, ver alguns filmes e escrever o que der vontade. Nada ambicioso. Na verdade, se em boa parte de 2010 minhas prioridades giraram em torno do livro da Fritz&Frida, nesse final de ano o que está em jogo são questões muito importantes ligadas ao planejamento de 2011 para minha empresa. Essas questões representam, de certa maneira, o desfecho de parte das decisões que tomei em 1999, quando decidi iniciar uma nova etapa da minha vida através da Oficina de Criação Literária da Pós-graguação de letras da PUC e do começo de uma carreira literária.  Coisas de mexer com os nervos mesmo de um escorpião de sangue germânico como eu.

3-Para minha sorte (e grande felicidade) posso contar com o apoio, a sensatez, a inteligência, o carinho e a infinita paciência da Lika nesse momento complicado. Por isso não canso de repetir que Papai do Céu tem sido muito generoso comigo.

4-Quem se arrisca a adivinhar qual foi o cardápio de abertura desse Mar de Letras, na noite de 2ª feira? Certo. Churrasco, pão e cerveja. Ok, ok, sei que impressiono meus leitores pela criatividade e, em especial, pela imprevisibilidade. Mas que outra iguaria combina melhor com uma janela aberta para o horizonte, uma noite amena na altura do paralelo trinta e a liberdade da solidão voluntária? E, não bastasse isso, ainda havia o canto de sereia um belo pedaço de entrecot, em dueto com um afinado coro de Polares, me chamando da geladeira. Como diz aquela propaganda: “pecado seria resistir”.

5-Essa foi boa! Serve para empresários, gerentes ou qualquer executivo que tenha o poder de dar ordens relacionadas ao atendimento de clientes: fui no supermercado comprar queijo e salamito para fazer um picadinho de aperitivo. Na gôndola dos laticínios, havia apenas pedaços de queijo muito grandes ou muito caros. Então, fui até a fiambreria e disse: “quero um pedaço de queijo, mas sem fatiar. Quero fazer um picadinho”. E as meninas que atendem responderam: “Não podemos vender”. Quis saber o motivo e veio uma explicação meio tortuosa de proibição da saúde, algo assim. Não me convenci. Fui reclamar no caixa com um sujeito que eu conhecia e ele demonstrou total incredulidade. Não sabia de nada. Perto do caixa estava uma senhora que devia ser meio dona e ela me disse: “Não tem motivo para elas não venderem. Vamos lá ver isso”. Chegamos no balcão da fiambreria e ela perguntou: “Vocês não podem vender queijo em pedaço porquê?”. Aí, diante da autoridade, as meninas falaram a verdade. Uma outra dona (esses negócios familiares são cheios de donos) havia proibido porque um cliente, em um passado incerto, comprara um pedaço de queijo e depois devolvera não sei porque motivo. Ainda argumentei “vocês atendem centenas de clientes por dia. Por causa de um incidente com um deles vocês vão prejudicar todos os outros clientes?”. Mas essa meio-dona que havia ido comigo tirar satisfação ficou bem quietinha, o que significava que a senhora que deu a ordem pertencia a alguma hierarquia superior. Um típico exemplo, tão comum nos dias de hoje (apesar de todo o discurso de “o freguês tem sempre razão”) onde é muito mais importante o interesse da empresa e a burocracia interna do que as necessidades dos chatos dos clientes.

6-Hoje assisti à entrevista coletiva de Ronaldinho Gaúcho em sua apresentação ao Flamengo.  Por trás da ansiedade com o emprego novo (e um certo ar de surpresa pela quantidade de torcedores que compareceram à sua apresentação), percebi um semblante grave de angústia, uma expressão tênue mas irreprimível de apreensão. Ali estava a face de um homem que sabe que errou. Só que sua expressão carregada não era de dúvida ou remorso: era medo.

7-Fiquei impressionado com as cenas de horror e calamidade provocadas pelos deslizamentos de terra na região serrana do Rio de Janeiro. Não chegam a ser surpreendentes tragédias desse tipo ocorridas em bairros pobres da periferia onde barracos são erguidos de forma clandestina, com materiais de péssima qualidade e sem projetos de engenharia. Mas quando isso acontece em lugares nobres como Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo (e como já aconteceu em Angra dos Reis), lugares onde todos os cuidados com a qualidade e a segurança foram supostamente tomados, a sensação que tenho é de que o fim do mundo se aproxima.

8-Escrevi o texto que deve ser publicado na orelha principal do livro da Fritz&Frida. Com a conhecida modéstia que me caracteriza, devo confessar que ficou bom. Muito bom.

9-Ontem, passeando pelo supermercado e fuçando as prateleiras em busca de inspiração para o jantar, me deparei com um pacote de salsichas bock. Não foi para o carrinho (vencido por um pedaço de frango assado que havia sobrado do almoço), mas ficou gravado no subconsciente. Hoje, quando voltei ao mercado para comprar os ingredientes que faltavam para o almoço (que decidi que seria rápido e leve, composto por torradas com salamito, queijo, tomate e alface), lá estava o pacote novamente, me olhando com uma expressão insinuante. E, desta vez, venceu. Peguei mais um repolho, um pote de mostarda extraforte e voltei para casa pronto para fazer meu apreciado prato alemão: chucrute com salsichas bock.  Meu repolho refogado com vinagre de vinho branco e tirinhas de salamito frito não fica exatamente igual ao chucrute original fermentado. Mas, ainda assim, é uma delícia. Prosit.

10-O tempo tem andado um pouco enfarruscado nesse Mar de Letras. Nada, claro, que se compare à calamidade que se abateu sobre o Rio de Janeiro e que já contabiliza quase quinhentas mortes. Nem às enchentes assombrosas que castigam a Austrália ou às nevascas que soterram a América do Norte. Mas está longe de ser aquele tempo quente, vigoroso, alegre, típico do verão. Me faz lembrar de uma menininha que foi entrevistada pela TV, em meio à água, lama e destruição da serra carioca. Disse ela, com um profundo ar de inocência: “Tio, acho que o mundo está acabando…”.

11-Hoje me atrasei vendo os telejornais do meio-dia (que, na Globo, começam a uma e meia da tarde) e resolvi almoçar fora. Fui até o centro em busca de um a la minuta, com minha mente antecipando a saborosa mistura brasileira de arroz e feijão. Acabei sentado no famoso La Passiva, um restaurante uruguaio. Para minha surpresa, me apresentaram um a La minuta sem feijão. Menos mal que a compensação valeu a pena: estava incluído no preço do prato uma sobremesa. E me deliciei com uma bola de um soberbo sorvete de flocos.

12-Sexta-feira, às quatro da tarde, fui buscar a Lika na rodoviária. Fim do Mar de Letras e início de um delicioso final de semana com amigos, caminhadas, peixe assado e muito carinho. Generoso, muito generoso.

Mar de Letras: um final de tarde inspirador

 

Ronaldinho sem caráter

O episódio da nova traição feita por Ronaldinho e seu irmão Assis contra o Grêmio me lembra de duas coisas importantes, que jamais deveríamos esquecer:

1-Não se deve levar futebol a sério. Ele é divertimento e lazer. E ponto. Seus dirigentes e jogadores estão lá por dinheiro e não por paixão. Incentivar a paixão cega de torcedores (para depois traí-la ou usá-la em benefício – e lucro$ – próprios) é um ato criminoso;

2-Não há fama ou riqueza que compense a falta de caráter.

A única coisa que não cansa de me impressionar nesse circo todo é a dimensão dos valores em jogo. Um milhão de reais por mês (POR MÊS!) de salário para um pagodeiro semi-analfabeto cuja grande contribuição para a humanidade é saber mexer com uma bola de futebol nos pés só pode ser sintoma de uma grave doença social.

—*—

As primeiras declarações do novo Presidente do Banco Central,  o gaúcho de Porto Alegre,  Alexandre Tombini, são reconfortantes. Conforme seu ponto de vista, a inflação é a grande inimiga da estabilidade monetária e do crescimento econômico, se constituindo em uma das mais perversas formas de imposto indireto que penaliza sempre as classes mais baixas da população.

Sua primeira batalha (e a de todo o governo de Dilma, na verdade), vai ser combater a herança deixada por Lula de uma máquina pública inchada, gastos excessivos, benesses demagógicas oferecidas em troca de votos e popularidade, e inflação em alta. Será uma dura batalha.

—*—

Estou partindo para mais um Mar de Letras. Maravilha! Na volta, notícias, reflexões e looooongos textos, para desespero dos meus leitores que preferem livros com figurinhas :-)

 

Natal em família

Há dois anos não passava o Natal com minha família. Coisas de família, como sugere o próprio nome.

Estava com saudades. O tempo é ótimo remédio para distorcer lembranças. De maneiras que propus para meu pai, irmãos e agregados em geral que, nesse ano, voltássemos a passar o Natal juntos. Meu pai está com 82 anos e queria muito estar perto dele.

Para minha alegria, a ideia foi aceita. E estivemos reunidos, no último final de semana, em torno de uma mesa repleta de guloseimas natalinas, junto a uma árvore de Natal recheada de presentes e, no dia seguinte, em volta de uma churrasqueira abastecida com generosos pedaços de carne de porco e ovelha. Mas, principalmente, estivemos reunidos em família, com as coisas boas e ruins que isso significa.

Valeu pelo convívio e pelo afeto meio resguardado que surge nessas horas. E valeu mais ainda pela alegria da minha filha que foi capaz de sentir essa festa muito melhor do que eu. Alguém duvida? Vejam aqui se não é verdade: http://umasmeiasverdades.blogspot.com/2010/12/natal.html

Minha filha e meu pai: maravilha vê-los juntos

Meu pai cercado pelos netos e a bisneta

Rio no sítio do meu pai: um dos lugares mais bonitos que conheço

Meu pai, seus três filhos, cinco netos e uma bisneta: quase toda a família reunida

 

Uma grande aventura

Semana retrasada tive a oportunidade de realizar uma aventura com a qual sonhava há muitos anos: passar uma semana velejando pelas praias paradisíacas de Angra dos Reis. E isso graças ao grande amigo Alberto, o Betão, também conhecido como Vadão, da dupla de motoqueiros Osmar e Vadão.

Revirei meu razoável arsenal de palavras para tentar descrever as sensações incríveis de cruzar pelas transparentes águas da baia de Angra dos Reis a bordo de um veleiro; de ancorar em um recanto abrigado cercado por uma natureza exuberante e assar um churrasco numa pequena churrasqueira instalada na popa do barco; de mergulhar nas águas cristalinas de algumas das praias mais lindas do planeta que em nada ficam devendo ao Caribe; de manejar o leme do barco enquanto o vento retesa as velas, aderna o casco e empurra aquele colosso de fibra e aço inoxidável; de ficar de pé no convés, de boca aberta, deslumbrado com o espetáculo das matas nativas que recobrem os morros, da água verde que reflete a luz do sol e do céu azul que contrasta com essa exuberância verdejante; de curtir a calma, a paz e a felicidade de amigos sentados na coberta de popa, compartilhando uma caipira adoçada pelo sabor da amizade e do companheirismo. Pensei onde arranjar palavras que pudessem, mesmo que pobremente, traduzir todas essas sensações… e falhei miseravelmente.

No final, descobri que as simples palavras ditas por um argentino que encontramos na enseada do Abrahão, que mora há vinte anos em um barco, traduzia boa parte daquilo que eu estava sentindo:  “Minha casinha é pequena. Mas, em compensação, minha piscina e meu jardim são um espetáculo”.

–*–

E, para quem acha que uma aventura dessas é privilégio de milionários, já vou avisando: estão enganados. Pelo mesmo preço que se paga, por pessoa, em uma pousada razoável em qualquer praia brasileira, é possível alugar um veleiro aqui http://www.angrasail.com e navegar por algumas das praias mais belas do planeta. Como na maioria das grandes aventuras, muitas pessoas usam o dinheiro como desculpa para não abandonarem o conforto e a segurança do sofá da sala.

Como eu digo sempre: minha riqueza são meus amigos.

No final, muito mais importante do que o saldo da conta bancária é a coragem de abandonar a zona de conforto da rotina medíocre e encarar uma aventura de verdade.

Vega, nosso veleiro de 35 pés

Aportando na Lagoa Verde, em Ilha Grande

Um paraíso de águas cristalinas

Lika amada e uma caipira para os amigos

Almoço num restaurante com vista espetacular!

Voltando de uma caminhada pela praia

"Lembrancinhas" dos mergulhos entre pedras e corais

Barco adernado a 20 graus em uma velejada furiosa

Um brinde ao grande amigo Alberto que nos proporcionou essa aventura fantástica! Prosit, Betão!

 

Sangre en la Morungava!

Sábado na estrada não é apenas uma expressão que denomina um evento de final de semana. É, isso sim, quase uma instituição entre grupos de motociclistas. Sábado é dia de colocar a jaqueta de couro, ligar a moto e deixar para trás todos os compromissos, obrigações e estresse das responsabilidades profissionais, e o clima opressivo das grandes cidades.

Estrada debaixo das botas, vento na cara e apenas o prazer de pilotar, de preferência com bons parceiros. E este sábado foi um dos exemplos desse abandono da rotina. Êita Sábado na Estrada bem buenaço esse!!!!!!!!! Fiquei com dor de barriga de tanto rir (e de tanto comer costela crua. Mas isso é outra história).

Motokada show das Harley Davidson rumo à Sede Campestre dos Ilibados, em Morungava, com direito a rally por estradas pedregosas e empoeiradas, onde as mal-faladas darissêisson mostraram toda sua performance e robustez. Nenhum parafuso perdido no meio do caminho!

Lá nos aguardavam os companheiros que partiram mais cedo para adiantar os preparativos e que já estavam com o churrasco quase pronto. Bem, com o fogo quase pronto. Ok, ok, com porra nenhuma pronta. Mas foi prá já: motoqueiros malvadões acostumados a agir rápido sob pressão, logo o Mansinho providenciou uma violenta fumaceira com lenha verde e o Tararaca rapidamente espetou os salsichões e encheu-os de sal grosso. Um espetáculo. Mas a parte principal era uma bela costela seis horas, que é uma janela da costela inteira que deve assar lentamente por, no mínimo, seis horas. A costela foi para o fogo (quero dizer, para a fumaceira) à uma da tarde e às duas já estava sendo atacada a golpes de faca por uma turba faminta. Orgia primitiva de dar inveja a qualquer tribo canibal.

Só que tudo isso, no meio de uma turma de amigos, ao invés de incomodar ou provocar irritação, vira piada. Entre sacanagens e gargalhadas, avançamos tarde a dentro tomando cerveja e lasqueando pedaços de carne semi-crua. Um espetáculo, com direito a degustação de skol no bico de um seio e a histórias absurdas e divertidíssimas patrocinadas pelo Tara (a da schimier foi de matar!). Se ele permitir, um dia transformo algumas em textos para publicação. Demais!

No final da tarde, felizes e com os músculos da barriga doendo (não sei se de tanto rir ou pela difícil digestão da carne crua), colocamos as motos na estrada e voltamos para casa. Show total.

Meus agradecimentos mais do que especiais ao Mansinho e seus pais, gente muito boa e sem noção do perigo, que nos acolheram em seu sítio, ao Tara que finalmente sofreu na pele a maldição de aceitar ser o assador (e agüentou com firmeza todas as gozações) e aos meus parceiros de estrada, Piréx na ida e Piréx e Landão na frida.

Valeu demais. E agora ficamos na expectativa pois há a promessa da instalação de uma piscina na sede campestre dos Ilibados! Espero que o Mansinho não se arrependa. Ou, pelo menos, que se arrependa quando já for tarde demais.

Outros detalhes e fotos aqui:  http://www.pirex.blog.br/estreia-novo-churrasqueiro-na-area-20112010/

As clássicas prontas para mais um Sábado na Estrada

Estrada de chão ameaçando os parafusos das Harley

O personagem do dia: churrasqueiro e contador de causos, mamando na teta!

Só alegria e sacanagem