Povo criativo

Motivado pelas manchetes dos últimos dias em jornais, revistas e TV, fiquei pensando sobre as ufanísticas mensagens de nosso governo com o objetivo, obviamente, não de puxar o saco do eleitorado em troca de votos mas sim de reforçar a autoestima do nobre povo brasileiro. Entre essas glorificações midiáticas encontra-se o repetido bordão “brasileiro não desiste nunca”. E, invariavelmente, uma exaltação à criatividade do povo.

Pois fiquei pensando e concluí que realmente o brasileiro tem um jeito bastante criativo de resolver seus problemas. Filha com pequenos contratempos financeiros resolve a situação convidando o namorado para juntos, num ato não apenas criativo mas também solidário, matarem seus pais a pauladas. Diretor de redação de um grande jornal brasileiro resolve uma desilusão amorosa dando dois tiros nas costas da namorada que o abandonara. Pai incomodado com o choro irritante da filha resolve a questão estrangulando-a e depois atirando o corpo da janela do sexto andar. Jogador de futebol e ídolo de seu time, desgostoso com uma paternidade indesejada, resolve o caso mandando matar a mãe inconveniente, esquartejá-la e atirar os pedaços para o jantar de cachorros pitbull.

Talvez incomodado com essa criatividade, digamos, um pouco exagerada, o Presidente Lula resolveu inventar uma lei que visa evitar excessos como esses: será proibido que os pais dêem palmadas educativas nas bundinhas dos filhos.

Sei não, mas provavelmente minha falecida avó diria que o problema não é muita palmada, mas pouca. Ou, no bom português lá de Tupanciretã: falta de laço.

 

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