Sentenças não apagam a verdade
Em decisão de primeira instância,a juíza Lilian Cristiane Siman, da 5° Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre, condenou a Ford a pagar duas indenizações ao governo do Estado: a primeira no valor de R$ 42 milhões e a segunda de R$ 92 milhões. Na decisão, a magistrada alega que a Ford foi responsável pelo rompimento do contrato e que o governo do Estado cumpriu todos os pontos que haviam sido acordados.
Uma das (poucas) vantagens de se ter uma certa idade é que nos tornamos testemunhas de certos fatos da história.
Esse imenso, incomensurável e absurdo equívoco do então eleito governador Olívio Dutra, do PT, provocado pela arrogância e pela imaturidade, jamais será apagado, nem mesmo por uma sentença judicial. Esse episódio eu vi, e acompanhei muito de perto porque na época tinha algum contato no meio político. E vi, entre perplexo e consternado, o momento em que a Ford desistiu de tentar falar com o governo (que humilhou, com um certo sadismo, os executivos da empresa americana como se tivesse se vingando de todo o colonialismo falsamente imaginado nas Veias abertas da América Latina, de Eduardo Galeano).
O que se seguiu ao anúncio da Ford de transferir o imenso investimento para a Bahia foi patético: um clima de pânico se instaurou no primeiro escalão do governo do PT porque eles jamais imaginaram que aquilo pudesse acontecer. Pela cartilha do PT, o Rio Grande do Sul estava entregando seus tesouros para um bandido que havia conseguido um saque monumental. Não imaginaram que pudesse haver outra vítima ávida para ser saqueada.
Infelizmente, foi uma perda que afetará várias gerações de gaúchos, e que nenhuma sentença jurídica contestável poderá apagar da história.





