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	<title>O Jardim do Diabo &#187; Mar de Letras</title>
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	<description>A mente desocupada é o Jardim do Diabo</description>
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		<title>Mar de Letras &#8211; afinal, o que é?</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Sep 2011 14:14:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Alguns amigos ainda me perguntam o que, afinal de contas, é o projeto Mar de Letras. Relembrando sua origem, fui parar no distante mês de julho de 2007, há mais de cinco anos atrás. Na época, eu estava em uma espécie de atoleiro literário. O último livro que eu publicara havia sido a novela juvenil [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alguns amigos ainda me perguntam o que, afinal de contas, é o projeto Mar de Letras. Relembrando sua origem, fui parar no distante mês de julho de 2007, há mais de cinco anos atrás. Na época, eu estava em uma espécie de atoleiro literário. O último livro que eu publicara havia sido a novela juvenil <em>A luz que guia também pode cegar</em>, em agosto de 2004. Iniciei dois projetos, um livro de contos chamado <em>As razões de Rita</em> (cuja ideia eu havia desenvolvido na Oficina de Criação Literária do Assis Brasil, em 2000) e um romance extremamente ambicioso que pretendia contar uma parte da história brasileira, após 1960, de um ponto de vista que ainda não foi contado, chamado <em>A metade sã da maçã</em>. Mas nenhum avançava. O livro de contos estava praticamente pronto, mas eu tinha dúvidas de sua qualidade literária. E o romance épico estava muito além da minha disponibilidade de tempo para um projeto de tal envergadura. Então, sufocado nessa aridez criativa, comecei a buscar alternativas para fugir da rotina da empresa que me tolhia a criatividade e encontrar uma forma de voltar a produzir literatura. Em outubro de 2006 eu havia comprado um pequeno apartamento em Capão da Canoa e a atração que sua janela exercia era simplesmente irresistível. Então, somei A+B e surgiu o projeto Mar de Letras, assim poeticamente explicado:</p>
<p><em>Chega de angústias e lamentações, de cobranças e sentimentos de culpa. Está na hora de não fazer algo. Seguir os instintos. Deixar rolar. Perceber o sinal, o grito, o chamado, a oportunidade. Ou nada disto, muito antes pelo contrário. Beber e vadiar. Pensar, caminhar, esquecer. Quem sou eu, de onde vim, para onde vou? Who knows? Who cares? Quem disse que eu devo ser alguém, ter alguma importância, fazer alguma diferença? Fui eu que pensei isso sozinho ou Shakespeare e Grouxo Marx me assopraram no ouvido? Ah, o velho direito ao foda-se&#8230;</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>O mar está lá. A janela está lá. A longa faixa de areia branca para ser marcada com passos reflexivos, o espaço idílico, o visual fantástico, quase irreal, está lá. Mas não é para funcionar como desculpa ou obrigação. Apenas acolher, aconchegar, embalar, incentivar. Útero e palco. Apenas ir. Sem planos e metas, sem obrigações ou compromissos.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Revisitar meus textos. É neles que me encontro, me vejo e me projeto, fui no agora, sou no agora e serei agora também. Detetive de mim mesmo, buscando minha identidade nas lembranças esquecidas, nos livros relembrados, no diagrama das dores e amores, dos amigos e tribos, nos grupos que freqüentei e nos que evitei, nos que me esnobaram e os que esnobei. Pensar meu pai, sua história como parte da História, sua história entrelaçada à minha, minha história refletindo a dele. Pensar minha mãe nos conflitos marcantes e na identidade arraigada que tatua uma parte fundamental de mim, talvez a mais fundamental, temo em pensar&#8230;</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Conjeturar meus contos que são fugas ou projeções, sim, mas que são acima de tudo desafio. Um desafio que me motiva, me incendeia, me enternece, me alegra indizivelmente. Caminhar pela beira da praia tentando construir um personagem, formatar uma trama, refletir sobre um tema às raias do absurdo ou da filosofia. Ou só caminhar. Pensar naquelas palavras que se alinham, nas frases que se entrelaçam, no jogo sonoro que é beleza mas também significado. Ou só pensar numa costela assada, numa cerveja gelada e numa <em>derrière</em> estonteante.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Vou. Preciso ir. Talvez já devesse ter ido. Bandini foi. Gabi foi. Tantos outros atenderam ao chamado que não veio do além, mas de si mesmos.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Fui.</em></p>
<p>E continuo indo&#8230;</p>
<div id="attachment_803" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/09/DSC08591_640x480.jpg"><img class="size-full wp-image-803" title="DSC08591_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/09/DSC08591_640x480.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">A janela do Mar de Letras, ao amanhecer...</p></div>
<div id="attachment_804" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/09/DSC04015_640x480.jpg"><img class="size-full wp-image-804" title="DSC04015_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/09/DSC04015_640x480.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">... e ao anoitecer</p></div>
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		<title>Mar de Letras, que maravilha</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Jun 2011 22:11:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
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		<description><![CDATA[MAR DE LETRAS – 23 a 28/05/2011
1-Este Mar de Letras começou com boas e más notícias: a má é que ele já arrancou atrasado mais uma vez. Na 2ª feira, tive que ir na empresa pela manhã: não havia conseguido fazer a programação financeira de toda a semana, desta vez menos por falta de dinheiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>MAR DE LETRAS – 23 a 28/05/2011</p>
<p>1-Este Mar de Letras começou com boas e más notícias: a má é que ele já arrancou atrasado mais uma vez. Na 2ª feira, tive que ir na empresa pela manhã: não havia conseguido fazer a programação financeira de toda a semana, desta vez menos por falta de dinheiro do que por falta de tempo; a boa notícia é que eu havia marcado para a 2ª feira de tarde uma nova reunião na Fritz &amp; Frida, por solicitação deles. Havia um novo capítulo para ser escrito e vários detalhes da publicação do livro que precisavam ser discutidos. Foi uma tarde bastante agradável, conversando sobre literatura e histórias de vida, alternativas de capa e possíveis títulos, estrutura de layout e estratégias de divulgação. Ainda não há uma data definida para a publicação, mas as coisas voltaram a se movimentar depois de uma brusca parada no final do ano passado. Beleza!</p>
<p>Saindo de Ivoti já no final da tarde, parti rumo a Capão por um caminho diferente, passando por Campo Bom, Parobé e, antes de Rolante, pegando à direita rumo à Santo Antônio. Apesar de ter feito a maior parte do caminho à noite e debaixo de chuva, foi bom escapar do velho circuito da BR 116 e freeway. Dizem que ir para lugares conhecidos por novos caminhos ajuda a prevenir o mal de Alzheimmer. Poderei dar minha opinião assim que me lembrar quem diabo é esse alemão Alz.</p>
<p>2-Como, neste final de semana, fiz dezenas de churrascos ― na sexta com a Lika, no domingo ao meio-dia com meu pai e, no domingo à noite, na casa de um amigo, ― e cheguei a Capão já depois das oito da noite, não cumpri o saboroso ritual de colocar fogo na churrasqueira para comemorar o início do sempre digno de comemoração Mar de Letras. Me contentei com coxinhas de galinha na manteiga com um spaghetini Barilla no 3. Uma delícia, considerando que não era carne assada nas brasas.</p>
<p>3-E, por falar em excesso de churrasco, isso acabou influenciando também meu almoço de terça-feira. Eu havia trazido uns filés de salmão congelados que comprara no Makro e resolvi experimentar uma receita que vi em um desses programas culinários que infestam a TV atualmente: filé de peixe grelhado com batatas cozidas grelhadas na manteiga. Achei interessante a forma como o gourmet do programa havia preparado as batatas: deixe-as cozinhar, com casca, na água fervente. Quando estiverem mais ou menos macias, corte-as em cubos médios (pode deixá-las com casca), tempere com sal ou tempero completo e coloque-as em uma frigideira com um pouco de manteiga. Deixe-as dourar levemente, virando-as para que dourem todas as faces. Tempere o filé de peixe com tempero completo, pimenta e limão e grelhe, também na manteiga. Para contrabalançar o sabor da manteiga e do peixe e dar um frescor ao prato, pique uma boa quantidade de salsinha e cebolinha frescas e espalhe sobre a batata e o peixe. É um prato leve, saudável e delicioso. E facílimo de fazer. Ah, para acompanhar, claro, um bom vinho, de preferência um tinto leve como Pinot Noir, Cabernet Franc ou Carmenère. <em>Salut!</em></p>
<p>3-No jornal de terça-feira li uma notícia que me deixou estupefato: um conhecidíssimo surfista gaúcho, pertencente a uma das mais tradicionais famílias do Estado, os Chaves Barcelos, assassinou a facadas o namorado de sua ex-esposa. O matador, Alemão Caio, com 54 anos; o morto, Zeca Bezerra, também surfista, com 50. Meus contemporâneos, famosas figuras da minha geração do surf, membros da classe alta, conhecidos personagens da elite gaúcha, com viagens e aventuras pelo Havaí, Indonésia e outros <em>points</em> famosos do surf mundial. De repente, envolvidos numa disputa amorosa que acabou numa tragédia que marcará suas famílias para sempre. Impressionante! Com essa notícia trágica na mente, cuia na mão e a garrafa térmica debaixo do braço, saí para uma longa caminha pela praia. E concluí mais uma vez que sou mesmo um rapaz de sorte.</p>
<p>4-Bom, não aconteceu na chegada mas aconteceu na tradicional quarta-feira: uma bela costela de ovelha foi para o fogo. Dia de churrasco, cerveja e futebol. Na TV, mais uma demonstração de que não existem jogos ganhos na véspera e que nem sempre uma vantagem conseguida numa partida é realmente decisiva. Em muitos campeonatos, a partir de uma determinada fase as disputas entre duas equipes passam a ser eliminatórias, com uma partida na casa de cada uma. E, em quase todas essas competições, o critério de desempate é o gol qualificado, ou seja, o gol marcado na casa do adversário. E aí, dependendo do resultado, se criam as falsas sensações de que a disputa já está vencida. Foi assim na Libertadores, onde o Internacional empatou em 1&#215;1 com o Peñarol em Montevidéu e precisava apenas de um empate em 0&#215;0 em pleno Beira Rio para seguir adiante na disputa. Perdeu por 2&#215;1 dentro de casa. O Grêmio, na final do Campeonato Gaúcho, fizera 3&#215;2 no Beira Rio e poderia, na sua casa, empatar e até perder por 1&#215;0 ou 2&#215;1 que seria o campeão gaúcho pelo quantidade de gols que havia feito no Beira-Rio. Entrou no gramado do Olímpico com a virtual faixa de campeão no peito. Pois tomou três gols em casa, foi conseguir o placar de 3&#215;2 já no final da partida, deixando tudo igual ao primeiro jogo, e acabou derrotado nos pênaltis. Quarta-feira aconteceu o mesmo com o Avai, time catarinense que vinha fazendo uma campanha espetacular na Copa do Brasil. No Rio de Janeiro havia empatado em 1&#215;1 com o Vasco da Gama e no jogo da volta, em Florianópolis, precisava apenas de um empate em 0&#215;0. Entrou em campo ovacionado por uma imensa e fanática torcida, entusiasmada com a possibilidade de um time pequeno como o Avaí conquistar um torneio tão importante que lhe daria a possibilidade de disputar a Libertadores da América, o mais importante campeonato do continente. Pois aos três minutos, em uma bola cruzada para a área, um zagueiro do Avaí pula e cabeceia de raspão contra o próprio gol. Um a zero para o Vasco. A partir daí o time catarinense ficou ansioso e não conseguiu se impor a um Vasco que fazia uma brilhante partida, com trocas de passes precisas e uma dupla de atacantes, Diego Souza e Alecsandro, criando jogadas brilhantes. Final: 2&#215;0 para o Vasco, Avaí eliminado e mais uma prova de que as vantagens podem ser ilusórias e que jogo de futebol só termina no apito final do juiz.</p>
<p>5-O último texto do livro da Fritz &amp; Frida que estou escrevendo gira em torno de políticas fiscais e o mal que impostos demasiadamente elevados ou mal formulados fazem aos negócios e à sociedade em geral. Estamos cansados de ouvir que o governo cobra muito e gasta mal. E este desperdício de um dinheiro que foi arrancado de pessoas que trabalharam muito para conquistá-lo se dá através de duas pragas que caracterizam a atividade do governo: incompetência e corrupção.</p>
<p>Mas há um outro aspecto igualmente grave e que poucas pessoas se dão conta: é da natureza do governo gastar mal. E isso acontece porque os governantes não produzem riquezas, mas são meros intermediários que as tiram de uns e entregam à outros (ficando, claro, com a maior parte a título de salários e corrupção). Há uma historinha que não canso de repetir e que exemplifica bem isso. Imagine que você vai comprar um presente para alguém. Agora imagine três situações: na primeira, você compra um presente com seu dinheiro para dá-lo a uma pessoa que você não conhece. Nesse caso, o aspecto mais importante é o preço. Você vai comprar algo bem barato, não dando muita importância para a qualidade. Agora imagine você comprando um presente para você mesmo, mas com o dinheiro dos outros. Nesse caso, o preço pouco importa. Afinal, não é você que vai pagar. O mais importante é a qualidade. Finalmente, temos a situação em que você vai comprar um presente com o dinheiro dos outros para dar a um desconhecido. Nesse caso, nem o preço e nem a qualidade são muito importantes. Se você pagar caro (levando uma comissão) e comprar uma porcaria, não vai fazer muita diferença. Pois administradores públicos, na maioria das vezes, estão fazendo exatamente isso: pegando um dinheiro que não é deles e comprando coisas para pessoas que não conhecem.</p>
<p>Imagino algum funcionário público lendo essas bem argumentadas linhas e partindo em defesa da classe: “Não é verdade! Há pessoas honestas que, inclusive, por gastarem um dinheiro que não é seu, tomam mais cuidado do que se fosse seu próprio salário”. Até pode ser. Exceções existem em todos os lugares. Mas infelizmente, conforme os noticiários, a realidade tem sido ainda pior do que a teoria.</p>
<p>6-Na quinta-feira o dia estava frio e chuvoso. Saí para caminhar já perto do meio dia, fiz o aprazível circuito da beira-mar pelo calçadão, depois passei na prefeitura para pegar o carnê do pagamento do IPTU do apartamento, fui até a agência do Itaú para abrir uma chamada conta eletrônica (na qual eles alcançam o objetivo supremo de qualquer banco que é não deixar a sua disposição nenhum funcionário – nem caixa, nem gerente, nem porteiro ‒ além de não lhe dar um talão de cheques com o qual você os inferniza na maldita tarefa de compensação) e depois passei no supermercado para comprar os ingredientes que faltavam para meu almoço e janta. A ideia era, em função do tempo pouco amistoso, encerrar por aí minhas saídas do dia. Mas não deu.</p>
<p>Já quase escurecendo, com o tempo mais firme, recebi aquele chamado irrecusável do mar. Desci até a rua, atravessei a avenida e, quando já me virava na direção do calçadão para iniciar uma lenta caminhada contemplativa, recebi um reforço do chamado. Caminhei pela areia até a beira do mar e fiquei olhando as ondas quebrarem na rebentação, tendo como moldura um céu azul-turquesa que começava a se tingir do tom róseo do pôr do sol. Ali estava, na minha frente, aquele espetáculo divino, aquela plasticidade inebriante da qual já falei aqui tantas vezes mas que não canso de exaltar. E me veio aquela sensação de infinita paz e reverência, aquele ânsia de fazer um profundo agradecimento, uma vontade de me ajoelhar e agradecer em infindáveis genuflexões a algum ente divino ou à ordem cósmica pela oportunidade de estar aqui e de desfrutar desse sentimento visceral.</p>
<p>Talvez alguns amigos coloquem essas adocicadas linhas na categoria de “viadagem”, não sem alguma razão.Mas vale o risco, vale o risco&#8230;</p>
<p>7-Esses idolatrados Mar de Letras têm como objetivo principal focar minha ainda claudicante carreira literária, envolto nesse ambiente marítimo que tanto me fascina. Mas eles também servem para resgatar alguns prazeres que, nessa caminhada meio atribulada, acabam abandonados à beira da estrada da vida. Nos últimos dias tenho conseguido dedilhar um pouco meu violão, desenferrujando os dedos há tanto distantes das cordas e dos acordes. E, em especial, tenho me esforçado para tocar a belíssima <em>When I need you</em>, de Albert Hammond, que descobri meses atrás em um programa do Multishow. Para quem tem um amor verdadeiro, recomendo. Veja aqui: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=7kN0it5yK4s">http://www.youtube.com/watch?v=7kN0it5yK4s</a>. É de arrepiar! Aqui, a tradução da letra: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=PfMbn4NjnSA">http://www.youtube.com/watch?v=PfMbn4NjnSA</a>.</p>
<div id="attachment_758" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/06/DSC00226_640x480.jpg"><img class="size-full wp-image-758" title="DSC00226_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/06/DSC00226_640x480.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">O sempre espetacular nascer do sol</p></div>
<div id="attachment_759" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/06/DSC00215_640x480.jpg"><img class="size-full wp-image-759" title="DSC00215_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/06/DSC00215_640x480.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Salmão com batatas grelhadas na manteiga: funcionou</p></div>
<div id="attachment_761" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/06/DSC00220_640x480.jpg"><img class="size-full wp-image-761" title="DSC00220_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/06/DSC00220_640x480.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">O pôr do sol entre os edifícios de Capão da Canoa</p></div>
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		<title>Mar de Letras com desmoronamentos</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Jan 2011 00:35:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
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1-Como de costume, mesmo tendo planejado o Mar de Letras com antecedência, na 2ª feira fico enrolado. Verifiquei emails, fiz um post para meu blog, paguei contas, guardei cacarecos e arrumei as tralhas para trazer para a praia. Roupas, computador, livros, filmes, revistas, raquetes de frescobol, minha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>MAR DE LETRAS – Semana de 10 a 14/01/2011</p>
<p>1-Como de costume, mesmo tendo planejado o Mar de Letras com antecedência, na 2ª feira fico enrolado. Verifiquei emails, fiz um post para meu blog, paguei contas, guardei cacarecos e arrumei as tralhas para trazer para a praia. Roupas, computador, livros, filmes, revistas, raquetes de frescobol, minha pasta de músicas para violão, gaita de boca, toalhas, lençol, fronhas, panos de prato, o diabo. Fiz duas viagens escada a baixo e enchi o porta-malas do carro. E acabei saindo depois do meio-dia. Como de costume.</p>
<p>2-Esse Mar de Letras não tem objetivos literários definidos. Quero redigir o último texto que falta para o livro da Fritz&amp;Frida (a orelha da capa), revisar meu planejamento de 2011 (em especial as próximas alternativas envolvendo minha empresa), encomendar a cortina para a janela da frente do apartamento da praia (o que eu já devia ter feito em dezembro), ler bastante, ver alguns filmes e escrever o que der vontade. Nada ambicioso. Na verdade, se em boa parte de 2010 minhas prioridades giraram em torno do livro da Fritz&amp;Frida, nesse final de ano o que está em jogo são questões muito importantes ligadas ao planejamento de 2011 para minha empresa. Essas questões representam, de certa maneira, o desfecho de parte das decisões que tomei em 1999, quando decidi iniciar uma nova etapa da minha vida através da Oficina de Criação Literária da Pós-graguação de letras da PUC e do começo de uma carreira literária.  Coisas de mexer com os nervos mesmo de um escorpião de sangue germânico como eu.</p>
<p>3-Para minha sorte (e grande felicidade) posso contar com o apoio, a sensatez, a inteligência, o carinho e a infinita paciência da Lika nesse momento complicado. Por isso não canso de repetir que Papai do Céu tem sido muito generoso comigo.</p>
<p>4-Quem se arrisca a adivinhar qual foi o cardápio de abertura desse Mar de Letras, na noite de 2ª feira? Certo. Churrasco, pão e cerveja. Ok, ok, sei que impressiono meus leitores pela criatividade e, em especial, pela imprevisibilidade. Mas que outra iguaria combina melhor com uma janela aberta para o horizonte, uma noite amena na altura do paralelo trinta e a liberdade da solidão voluntária? E, não bastasse isso, ainda havia o canto de sereia um belo pedaço de entrecot, em dueto com um afinado coro de Polares, me chamando da geladeira. Como diz aquela propaganda: “pecado seria resistir”.</p>
<p>5-Essa foi boa! Serve para empresários, gerentes ou qualquer executivo que tenha o poder de dar ordens relacionadas ao atendimento de clientes: fui no supermercado comprar queijo e salamito para fazer um picadinho de aperitivo. Na gôndola dos laticínios, havia apenas pedaços de queijo muito grandes ou muito caros. Então, fui até a fiambreria e disse: “quero um pedaço de queijo, mas sem fatiar. Quero fazer um picadinho”. E as meninas que atendem responderam: “Não podemos vender”. Quis saber o motivo e veio uma explicação meio tortuosa de proibição da saúde, algo assim. Não me convenci. Fui reclamar no caixa com um sujeito que eu conhecia e ele demonstrou total incredulidade. Não sabia de nada. Perto do caixa estava uma senhora que devia ser meio dona e ela me disse: “Não tem motivo para elas não venderem. Vamos lá ver isso”. Chegamos no balcão da fiambreria e ela perguntou: “Vocês não podem vender queijo em pedaço porquê?”. Aí, diante da autoridade, as meninas falaram a verdade. Uma outra dona (esses negócios familiares são cheios de donos) havia proibido porque um cliente, em um passado incerto, comprara um pedaço de queijo e depois devolvera não sei porque motivo. Ainda argumentei “vocês atendem centenas de clientes por dia. Por causa de um incidente com um deles vocês vão prejudicar todos os outros clientes?”. Mas essa meio-dona que havia ido comigo tirar satisfação ficou bem quietinha, o que significava que a senhora que deu a ordem pertencia a alguma hierarquia superior. Um típico exemplo, tão comum nos dias de hoje (apesar de todo o discurso de “o freguês tem sempre razão”) onde é muito mais importante o interesse da empresa e a burocracia interna do que as necessidades dos chatos dos clientes.</p>
<p>6-Hoje assisti à entrevista coletiva de Ronaldinho Gaúcho em sua apresentação ao Flamengo.  Por trás da ansiedade com o emprego novo (e um certo ar de surpresa pela quantidade de torcedores que compareceram à sua apresentação), percebi um semblante grave de angústia, uma expressão tênue mas irreprimível de apreensão. Ali estava a face de um homem que sabe que errou. Só que sua expressão carregada não era de dúvida ou remorso: era medo.</p>
<p>7-Fiquei impressionado com as cenas de horror e calamidade provocadas pelos deslizamentos de terra na região serrana do Rio de Janeiro. Não chegam a ser surpreendentes tragédias desse tipo ocorridas em bairros pobres da periferia onde barracos são erguidos de forma clandestina, com materiais de péssima qualidade e sem projetos de engenharia. Mas quando isso acontece em lugares nobres como Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo (e como já aconteceu em Angra dos Reis), lugares onde todos os cuidados com a qualidade e a segurança foram supostamente tomados, a sensação que tenho é de que o fim do mundo se aproxima.</p>
<p>8-Escrevi o texto que deve ser publicado na orelha principal do livro da Fritz&amp;Frida. Com a conhecida modéstia que me caracteriza, devo confessar que ficou bom. Muito bom.</p>
<p>9-Ontem, passeando pelo supermercado e fuçando as prateleiras em busca de inspiração para o jantar, me deparei com um pacote de salsichas bock. Não foi para o carrinho (vencido por um pedaço de frango assado que havia sobrado do almoço), mas ficou gravado no subconsciente. Hoje, quando voltei ao mercado para comprar os ingredientes que faltavam para o almoço (que decidi que seria rápido e leve, composto por torradas com salamito, queijo, tomate e alface), lá estava o pacote novamente, me olhando com uma expressão insinuante. E, desta vez, venceu. Peguei mais um repolho, um pote de mostarda extraforte e voltei para casa pronto para fazer meu apreciado prato alemão: chucrute com salsichas bock.  Meu repolho refogado com vinagre de vinho branco e tirinhas de salamito frito não fica exatamente igual ao chucrute original fermentado. Mas, ainda assim, é uma delícia. Prosit.</p>
<p>10-O tempo tem andado um pouco enfarruscado nesse Mar de Letras. Nada, claro, que se compare à calamidade que se abateu sobre o Rio de Janeiro e que já contabiliza quase quinhentas mortes. Nem às enchentes assombrosas que castigam a Austrália ou às nevascas que soterram a América do Norte. Mas está longe de ser aquele tempo quente, vigoroso, alegre, típico do verão. Me faz lembrar de uma menininha que foi entrevistada pela TV, em meio à água, lama e destruição da serra carioca. Disse ela, com um profundo ar de inocência: “Tio, acho que o mundo está acabando&#8230;”.</p>
<p>11-Hoje me atrasei vendo os telejornais do meio-dia (que, na Globo, começam a uma e meia da tarde) e resolvi almoçar fora. Fui até o centro em busca de um <em>a la minuta</em>, com minha mente antecipando a saborosa mistura brasileira de arroz e feijão. Acabei sentado no famoso <em>La Passiva</em>, um restaurante uruguaio. Para minha surpresa, me apresentaram um <em>a La minuta</em> sem feijão. Menos mal que a compensação valeu a pena: estava incluído no preço do prato uma sobremesa. E me deliciei com uma bola de um soberbo sorvete de flocos.</p>
<p>12-Sexta-feira, às quatro da tarde, fui buscar a Lika na rodoviária. Fim do Mar de Letras e início de um delicioso final de semana com amigos, caminhadas, peixe assado e muito carinho. Generoso, muito generoso.</p>
<div id="attachment_621" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/01/DSC06444_640x480.jpg"><img class="size-full wp-image-621" title="DSC06444_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/01/DSC06444_640x480.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Mar de Letras: um final de tarde inspirador</p></div>
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		<title>Mar de letras com lareira</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Aug 2010 02:18:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Grandes eventos]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[A estrada]]></category>
		<category><![CDATA[Cormac McCarthy]]></category>
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		<category><![CDATA[Mar de Letras]]></category>
		<category><![CDATA[nascer do sol]]></category>
		<category><![CDATA[O livro de Eli]]></category>
		<category><![CDATA[Vida simples]]></category>

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		<description><![CDATA[1-Socorro, socorro! Estou sendo atropelado por uma manada imensa de pieguice! São dezenas, centenas de selvagens clichês e lugares-comuns me pisoteando com seus cascos doces e afáveis! Estou cercado, as patas levantam uma poeira melosa que gruda na pele e me entorpece. Tento fugir mas não consigo. Não posso. Não quero&#8230;
Primeiro, é o fato de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>1-Socorro, socorro! Estou sendo atropelado por uma manada imensa de pieguice! São dezenas, centenas de selvagens clichês e lugares-comuns me pisoteando com seus cascos doces e afáveis! Estou cercado, as patas levantam uma poeira melosa que gruda na pele e me entorpece. Tento fugir mas não consigo. Não posso. Não quero&#8230;</p>
<p>Primeiro, é o fato de estar eu aqui em mais um Mar de Letras, desfrutando dessa possibilidade maravilhosa que é poder ficar uma semana inteira completamente dedicado à duas das atividades que mais me dão prazer: ler e escrever. E, dessa vez, sem nenhuma pressão de prazo ou conteúdo. Apenas <em>carpe dien</em>! Maravilhoso.</p>
<p>Segundo, é o tempo ter me brindado com dois belos espetáculos: um céu de porcelana, límpido como um sonho de patricinha lendo a Capricho e um mar azul aveludado debruçado sob minha janela. E a lua, ah a lua, cheia, enorme, dourada ao nascer por trás da linha do horizonte e tornando-se branca e bela e tingindo o mar com uma longa franja fluorescente enquanto sobe para o céu. Tudo muito, muito, muito lindo.</p>
<p>E na minha chegada, segunda de tarde, saio a caminhar pela beira da praia, com o sol acariciando a pele e o azul do mar acariciando os olhos e a doce lembrança de minha companheira amada acariciando as lembranças. E chegam mais lembranças, penso na minha filha também amada, nas coisas que tenho, naquelas que não tenho mas não me faltam, nos bons amigos, na minha moto neste momento recebendo uma pintura personalizada, no pedaço de costela e nos corações de frango que me esperam na geladeira, e nas cervejas, e no Reservado Concha y Toro Cabernet Sauvignon que comprei com certa audácia, nos dois pacotes de lenha encostados à lareira, nos três filmes que comprei e que descansam ao lado da TV e do aparelho de DVD, em todas as coisas boas que conquistei e todas as pessoas maravilhosas que conheço e em toda a felicidade que isso tudo me proporciona e olha eu aí afogado em pieguice&#8230;</p>
<p>2-Segunda-feira o jantar foi preparado pela minha Lika amada. Não, ela não está aqui na praia comigo. Mas no final de semana ela tinha feito uma carne de panela espetacular e congelou o pouco que sobrara. Não tive dúvidas: peguei o pote do freezer e coloquei na sacola térmica que trouxe para a praia. De noite, coloquei a carne na panela de ferro, acrescentei mais dois pedaços de costela, um tomate picado, coentro, salsa, sálvia, manjericão, sal e uma dose generosa de molho de pimenta vermelha. Para acompanhar, cozinhei alguns pedaços de aipim. Junte a isso aquele Cabernet Sauvignon da Concha y Toro e tive um banquete digno de um imperador romano. Bem, talvez um pouco menos. Mas é a pieguice, a pieguice&#8230;</p>
<p>3-Depois do jantar assisti ao filme <em>O livro de Eli</em>, com Denzel Washington. No começo me pareceu uma dessas ficções científicas cheias de violência e com final melancólico. Não apenas o enredo mas a própria estética do filme é muito semelhante a <em>Mad Max</em>. Num futuro não muito distante, após uma guerra de extermínio maciço, não há mais quase sobreviventes sobre a terra. Um homem solitário caminha pelas estradas carregando um livro misterioso que ele lê todas as noites. Certo dia ele escuta uma voz que o manda apanhar o livro e caminhar em direção ao oeste. E ele cumpre essa missão sem saber exatamente porquê. No caminho, ele encontra vários grupos de bandidos e saqueadores e têm que lutar contra eles. Mas, além de ser um exímio lutador, quando ele recebeu a missão foi também informado que seria protegido. E enfrenta dois, três, cinco, dez bandidos ao mesmo tempo e sempre vence. Lá pela metade do filme descobrimos que o livro que ele carrega é um dos últimos exemplares da bíblia, já que todos os demais foram queimados por serem julgados perigosos. E que a missão que a voz lhe dera é levar esse único exemplar até onde há um tipógrafo para que possam ser impressos outros exemplares. O interessante é que ele fracassa em sua missão e, ao mesmo tempo, tem sucesso. Apesar da conotação fortemente religiosa e da dicotomia algo caricata do &#8220;bem contra o mal&#8221;, o filme tem algumas sacadas surpreendentes. Dá para assistir, mas sem muitas expectativas.</p>
<p>4-Semana passada, estive com meu editor, o Walmor Santos. Fui reclamar que, nesse ano de 2010, ele ainda não vendeu nenhum trabalho meu dentro do projeto O autor na sala de aula. Entre outras explicações, ele argumentou que os temas dos meus livros são muito pesados e que me faltam mais títulos, especialmente infanto-juvenis, para serem trabalhados em séries menos avançadas. Seria uma questão de logística. As escolas acabam escolhendo autores que possuem um leque mais abrangente de obras e que podem trabalhar com um número maior de turmas. Em resumo, saí da reunião com o compromisso de escrever alguns textos que possam ser direcionados para trabalhos com o Ensino Básico. Já produzi alguma coisa mas sinto dificuldade em escrever algo &#8220;mais simples&#8221;.</p>
<p>4-Estava lendo <em>Meridiano de sangue</em>, de Cormac McCarthy. Estava mas não estou mais porque cansei. Já havia lido <em>Onde os velhos não tem vez </em>dele (comentários <a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/bonequinhas-e-outros-papos/" target="_blank">aqui</a>), livro que acabou virando filme oscarizado, e tinha ficado com uma impressão ambígua. Boa quanto à história e à densidade do texto. Ruim quanto ao estilo. E um pouco incomodado com o excesso de violência, em geral uma violência gratuita. Não sei aonde ouvi falar desse outro livro de McCarthy mas encomendei-o com expectativa. Assim que chegou, a orelha e a contracapa diziam: &#8220;<em>Meridiano de sangue</em> é um marco da literatura norteamericana contemporânea. Harold Bloom o compara a <em>Mobby Dick</em>, de Herman Melville, e a <em>Enquanto agonizo</em>, de William Faulkner&#8221;. Fiquei com um pé atrás: muita pretensão. E continua: &#8220;Esta obra prima descreve o mundo brutal na fronteira entre o Texas e o México na metade do século XIX&#8221; e &#8220;<em>Meridiano de sangue</em> é um romance épico. Nele, McCarthy reiventa a mitologia do Oeste americano para criar uma obra ao mesmo tempo grandiosa e arrebatadora&#8221;. Um exagero. O romance é arrastado e com um estilo literário meio experimentalista. Não há travessões para marcar os diálogos, os discursos indiretos são frequentes, há várias frases curtas e truncadas com o objetivo de causar efeito, alguns jogos de palavras escorregam para um pedantismo que tenta impressionar. E há o famigerado recurso de trocar as vírgulas por uma sequência intermináveis de &#8220;es&#8221; (e o kid desceu do cavalo e caminhou até a sombra e sentou-se e descansou). E McCarthy não está falando de alguma intriga numa corte européia mas de um bando de mercenários que cruza terras áridas do oeste à cavalo atrás de escalpos de índios. Setenta por cento do texto são descrições de paisagens: montanhas, vales, escarpas, arbustos, argila, sol, lua, calor, ocotillos e opúncias, desertos, planícies, arroios.</p>
<p>Outra parte significativa são cenas de uma violência nauseante: &#8220;O branco ergueu o olhar ébrio e o preto avançou e com um único golpe decepou sua cabeça. Duas cordas espessas de sangue escuro e duas mais finas subiram como serpentes do toco do seu pescoço e num arco foram sibilar dentro do fogo&#8221;. &#8220;O caminho foi se estreitando entre rochedos e após algum tempo chegaram a um arbusto de cujos ramos pendiam bebês mortos. Pararam lado a lado, hesitantes sob o calor. Aquelas pequenas vítimas, sete, oito delas, haviam sido perfuradas no maxilar inferior e estavam desse modo penduradas pelas gargantas nos galhos partidos de um pé de prosópis para fitar cegamente o céu nu. Calvas e pálidas e inchadas, larvais de algum ser indefinido&#8221;.</p>
<p>Em termos literários o livro é profundo, denso, rico esteticamente, com vocabulário caudaloso e figuras de linguagem complexas. Mas a história não flui. A sensação é de que estamos caminhando ao lado de um trem enorme e complicado e o maquinista não nos dá a chance de embarcarmos para aproveitar a viagem. Acabamos presos apenas à imagem do trem, sem conhecermos direito seus passageiros ou a paisagem que ele atravessa. Tem cara daqueles livros escritos para a crítica literária e não para o leitor.</p>
<p>5-E, por falar em McCarthy, acabei de ver um filme baseado em outro de seus livros. É <em>A estrada</em>,  estrelado por Viggo Mortensen. Foi duro de assistir. O filme é angustiante, deprimente às raias do desespero. O enredo é muito parecido com O livro de Ely (comentado acima): um dia, um grande clarão branco extingue toda a vida vegetal e animal na face da terra. Sobram apenas algumas famílias que, aos poucos, vão morrendo de fome em uma terra estéril que nada mais fornece aos seus habitantes. Um tema que deve provocar orgasmos nas ONGs ambientalistas. Como nesse mundo aniquilado só restaram seres humanos, logo eles passam a fazer parte do próprio cardápio do almoço e do jantar. O suicídio se transforma em uma epidemia, uma válvula de escape que as pessoas usam para fugir do desespero da fome ou para não virarem bifes na mesa dos que abandonaram seus pruridos civilizatórios em nome da sobrevivência. Viggo Mortensen é um dos sobreviventes que vaga pela estrada com seu filho, lembrando constantemente da esposa que não conseguiu resistir ao desespero e também optou por acabar com a própria vida. E o filme é a jornada de pai e filho magérrimos, imundos, famintos, vagando como mendigos pela estrada, fugindo de eventuais grupos que transformaram o canibalismno em sua forma de sobrevivência. Comecei a ver o filme na terça e parei no meio. Uma sensação de desconforto e angústia começou a me deprimir. Só terminei de assistir na quinta, forçando a barra. É para quem gosta de mergulhar em reflexões mórbidas.</p>
<p>Mas o mais impressionante do filme não é a miséria e a dor física da fome, mas a destruição das relações humanas. Todos se olham como inimigos. Ninguém confia mais em ninguém. Todos estão reduzidos à animais empenhados apenas na própria sobrevivência. Numa cena, o menino pergunta a um homem: &#8220;Você tem filhos?&#8221;. Ele responde: &#8220;Sim&#8221;. E o menino pergunta, com a maior naturalidade: &#8220;E você não comeu eles?&#8221;.</p>
<p>6-Não sou de me engajar nessas campanhas televisivas ou radiofônicas que prometem prêmios, viagens ou encontros com ídolos enfadonhos. Mas surgiu uma na Globo à qual não consegui resistir. A chamada é apoteótica e vem seguida de imagens de dois cantores interpretando seus  principais sucessos. &#8220;Você quer ganhar um ringtone para seu celular com as músicas de Milionário e José Rico?&#8221; diz o locutor com voz de barítono. Não resisto e grito a plenos pulmões: &#8220;NÃÃÃÃÃÃÃOOOO&#8221;.</p>
<p>7-Sábado acordei bem cedo e sentei na frente da janela para assistir ao nascer do sol. É sempre um espetáculo deslumbrante. Fiquei lá, de boca aberta, feliz, inundado por nova onda de sentimentos de dar inveja a qualquer manual de auto-ajuda. Depois, resolvi mudar minha rotina e, ao invés de preparar o mate e ficar lendo e escrevendo e apreciando essa obra-prima da natureza que é minha janela, resolvi sair para caminhar de térmica e cuia na mão. Não estava tão frio e pude arriscar sair de calção. O sol estava alto e, para o norte, o céu azul, riscado por nuvens esparsas. Mas, para o sul, a visão era diferente: tempo fechado, nuvens de um azul carregado e um cheiro inconfundível de chuva. Saí na direção norte e tropecei com outro obstáculo: um vento nordeste irritante que fazia com que uma nuvem de areia corresse a um palmo do chão. Depois de dez minutos desisti de tomar mate com areia.</p>
<p>8-Li numa edição da revista <em>Vida Simples</em> um artigo de Luiz Alberto Marinho sobre uma pesquisa feita por pela agência de propaganda multinacional JWT, que resolvera pesquisar o tamanho da ansiedade das pessoas em oito países, incluindo o Brasil. Contrariando aquela imagem que se tem do brasileiro como um sujeito despreocupado e de bem com a vida, a pesquisa descobriu que o nível de preocupação e ansiedade dos brasileiros é alto. Os motivos são um pouco diferentes daqueles que preoupam os moradores de países mais desenvolvidos, onde a crise financeira andava, por exemplo, tirando o sono de quase 90% dos japoneses. No Brasil, as preocupações são mais básicas: violência, custo de vida, corrupção, desemprego, a eterna impunidade de crimosos de todos os tipos, de assassinos e traficantes a deputados e senadores. A pesquisa tinha como objetivo sugerir estratégias de propaganda que se adaptassem a essa realidade. Além de propor uma maior ênfase no otimismo, bom-humor, nacionalismo e nostalgia, a agência sugeriu que as empresas ressaltassem a enorme quantidade de produtos e serviços que os consumidores têm à sua disposição e seu grande poder de escolha, inclusive para optar por novos padrões de consumo. É um exercício psicológico meio complicado, mas a verdade é que são as pessoas que estão no controle. Elas podem escolher o que vão e o que não vão comprar,  decidindo o quanto vão deixar se influenciar por símbolos de status ou apelos consumistas. Em um mundo instável e, muitas vezes, hostil, ajuda perceber que, ao menos em relação às coisas que nos cercam, somos nós que estamos no controle.</p>
<div id="attachment_434" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/08/DSC04880_640x4802.jpg"><img class="size-full wp-image-434 " title="DSC04880_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/08/DSC04880_640x4802.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Mate, churrasco na lareira e boa literatura</p></div>
<div id="attachment_432" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/08/DSC04893_640x480.jpg"><img class="size-full wp-image-432" title="DSC04893_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/08/DSC04893_640x480.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Um espetáculo para assistir de joelhos</p></div>
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		<title>Mar de Letras, bendito seja</title>
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		<pubDate>Sun, 02 May 2010 16:12:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Philip Roth]]></category>

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1-No planejamento de 2010, elegi como uma das prioridades mais prioritárias(com o perdão da redundância) o Projeto Mar de Letras. E não apenas pelo ócio reparador, pelo exercício intelectual edificante ou pelas eventuais produções literárias. O Projeto Mar de Letras é uma espécie de ponta de lança, de projeto piloto de um desejo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>26/04 a 01/05</p>
<p>1-No planejamento de 2010, elegi como uma das prioridades mais prioritárias(com o perdão da redundância) o Projeto Mar de Letras. E não apenas pelo ócio reparador, pelo exercício intelectual edificante ou pelas eventuais produções literárias. O Projeto Mar de Letras é uma espécie de ponta de lança, de projeto piloto de um desejo maior, uma nova fase após a conturbada jornada de menino-prodígio, jovem-trabalhador-exemplar, filhinho-de-papai, empresário peixe-fora-d&#8217;água e alma perdida. Metade do plano já funcionou.</p>
<p>2-Cheguei na praia, 2a feira, debaixo de chuva e, mesmo que o tempo tenha ameaçado dar uma trégua para que eu pudesse dar aquele velho pulo no centro e comprar algumas bobagens, na volta desabou um temporal que me fez chegar ao apartamento completamente encharcado. Porém, a noite, o céu limpou e fui dormir com estrelinhas espalhadas pelo firmamento. Muito meigo por parte de São Pedro, depois daquela bomba d`àgua que ele me jogou na cabeça.</p>
<p>3-Semelhante ao Mar de Letras de Março, esse também está completamente focado no novo livro que estou escrevendo sob encomenda. É uma pena porque, de todos os objetivos inerentes ao espírito lúdico e intelectualmente produtivo que imaginei para o Mar de Letras, só resta o trabalho árduo de escrever e escrever. Pior que é escrever a história dos outros, e não a de todos e minha também, que é o nome que se dá para ficção. Mas ainda assim é bem melhor do que digitar códigos de barra na internet ou decidir quais os fornecedores que serão brindados com o grampo por falta de dinheiro.</p>
<p>4-Esqueci de dizer que, além da obrigatoriedade de trabalhar quase que exclusivamente no livro da Fritz&amp;Frida, esse Mar de Letras começou meio capenga. Como não consegui adiantar todos os compromissos de uma semana, tive que passar na empresa na 2a feira de manhã. Trabalhei até o meio-dia e, na saída, passei no Makro Atacado imaginando algumas possibilidades gastronômicas para a semana especial que se prefigurava. Até um pacote com mexilhões, anéis de lula, pedaços de polvo e camarão eu comprei, imaginando algo parecido com a soberba Casuela de Calamares que fiz certo dia para a Lika. Espero que não fique só na imaginação. Até um Merlot de boa cepa veio junto como incentivo.</p>
<p>5-Segunda a noite comi um pedaço de pizza que trouxe de Porto Alegre, levemente incrementada com mais uns pedaços de queijo e uma lata de sardinha ao molho de tomate. Gastronomicamente, um início pobre, confesso. Pretendo, para os próximos Mares de Letra, elegar a gastronomia como parte integrante e prioritária do projeto.</p>
<p>6-Para aumentar minha produtividade na produção dos textos do novo, decidi que o cardápio do meio-dia se resumiria a um sanduiche. O motivo não é tanto a perda de tempo na confecção de um cardápio mais elaborado, mas os efeitos colaterais da degustação de uma refeição mais substanciosa acompanhada, invariavelmente, de cerveja ou vinho. A produção intelectual do início da tarde fica algo prejudicada. No entanto, esse plano falhou miseravelmente na terça-feira. Acontece que, no retorno da minha caminhada da manhã, já perto do meio-dia, passei em frente a um dos quiosques da beira-mar de Capão e um aroma irrestível penetrou em minhas narinas e me arrastou até o lugar de onde ele vinha: uma churrasqueira. Isso mudou imediatamente meus planos para o jantar, que era um espagueti a bolonhesa com iscas de peito de frango (tudo ingredientes que já estavam na geladeira). Fiz o espagueti no almoço e tirei do congelador um belo pedaço de maminha que irá para a churrasqueira à noite.</p>
<p>7-Fazia tempo que não faltava luz em Capão da Canoa. Ao menos não por mais de duas horas, como aconteceu na terça-feira. Interessante que sempre que falta luz relembro que esse é, sem dúvida nenhuma, uma das invenções mais imprescindíveis do ser humano. Mas, ao mesmo tempo, sua ausência revela uma porção de coisas que estavam ocultas (ou, no caso, melhor seria dizer ofuscadas). Por exemplo, terça era noite de lua cheia. E é sempre um espetáculo fantástico ver a lua surgindo no horizonte, atrás do mar, linda e brilhante. Mas, com todas as luzes de Capão apagadas, ela brilhou ainda mais imponente. Avassalador. Daquelas coisas de assistir de joelhos, agradecendo a verdadeira dádiva.</p>
<p>8-Também descobri, com a falta de luz, que não tenho em casa nem lanterna, nem uma mísera vela. Ainda bem que uma pequena luminária que uso no meu notebook e que funciona conectada à porta USB, quebrou o galho. E à lua cheia, claro, que iluminou parte da minha sala como se fosse dia.</p>
<p>9-Outra coisa da qual estava afastado (e que, de vez em quando, me traz muitas saudades) era meu violão. Desta vez não esqueci de trazer o afinador eletrônico (que substitui, como uma muleta, minha incapacidade deprimente de distinguir tons) e meu livrinho de músicas. Os dedos vacilaram nas pestanas e começaram a doer logo após os primeiros acordes. Mas o coração pulou faceirinho uma barbaridade.</p>
<p>10-Vi, pela janela, um velhinho atravessar a rua com seu passo claudicante. Usava um casaco de crochê mostarda, um gorro preto de lã, sandálias e meias escuras. Arrastava as pernas com dificuldade, olhando para os lados e para o chão à sua frente com desconfiança. Do outro lado da rua, na calçada, uma menina loirinha de uns treze anos, vestindo uma bermuda de malha azul brilhante e uma camisetinha branca sem mangas, avançava rápida sobre seu par de patins. Nunca antes esse contraste me pareceu tão aterrorizante. Será que é porque nunca antes eu tive cinquenta e um anos?????????????</p>
<p>11-Depois das chuvas, os dias têm sido lindíssimos. Claros, ensolarados, com uma temperatura de país civilizado. Não bastasse isso, o mar está liso e azulado, com as longas linhas de ondas quebrando muito brancas. As caminhadas da manhã são revigorantes. Terça, havia um vento sudoeste frio e irritante, que tive que driblar voltando da caminhada pela avenida Paraguaçú. Mas ver o movimento, as vitrines coloridas e a agitação de tamanho exato do centro de Capão da Canoa também tem sua beleza. Acho que estou ficando velho e sentimental&#8230;</p>
<p>12-Na nova versão cinematográfica de Sherlock Holmes, o famoso detetive afirma: &#8220;É inconveniente tentar criar teorias com fatos incompletos. Fatalmente você deturpará os fatos para provar sua teoria, ao invés de procurar uma teoria que explique os fatos, como manda a boa ciência&#8221;. Eis uma das pragas modernas: todas as pessoas estão cheias de teorias e pouco se lixam para os fatos. A realidade, quando se trata de desejos e necessidades, é totalmente irrelevante. Daí para se chegar a conclusão de que todos tem a sua própria verdade foi um tapa. E deu nessa merda na qual estamos atolados. O fato é que não poderia ter dado em outra coisa.</p>
<p>13-Descobri hoje, na propaganda política obrigatória e indesejável, que o Partido Progressista faz parte da base do Governo Lula. Dizia um dos políticos que ocupava a telinha que o governo do PT defendia pontos importantes da cartilha do partido. Quem é o PP? Não sei. Mas descobri também que um de seus principais membros é Paulo Maluf. Depois, querem que se leve a política a sério no Brasil&#8230;</p>
<p>14-&#8221;A hipocrisia é nosso último reduto de privacidade&#8221;, diz Cindy, uma scort-girl, no livro &#8220;Fletcher venceu&#8221;, de Gregory McDonald. Sim, estou lendo um livro de Fletcher, um jornalista atrapalhado que desrespeita tudo que é regra e gosta de brincar de detetive. É uma paródia, de gosto duvidoso e qualidade literária pobre. Espero que não seja a decadência, mas apenas um prato leve entre leituras mais pesadas. Na verdade, cansei um pouco de ver Philip Roth falando de suas paranóias com a velhice e sua fixação com a morte.</p>
<p>15-Sábado, último dia de Mar de Letras, acordei muito cedo para assistir ao nascer do sol. Cevei um mate, ajeitei a cadeira na frente da janela, sentei e aguardei o espetáculo. Por mais que eu estivesse preparado, não imaginaria algo tão esplêndido. Magnífico. Maravilhoso. Fantástico. Espetacular. Extasiante. Monumental. Incrível. Mágico. Inebriante. Etc, etc, etc&#8230; Sei que a alegria e a felicidade faz uma literatura muito mais pobre do que a dor e a angústia. Já dizia Vinícius de Morais, nosso querido e eternamente embriagado poetinha: &#8220;mas pra fazer um samba com beleza / é preciso um bocado de tristeza / é preciso um bocado de tristeza / se não não se faz um samba, não&#8221;. Ah, foda-se a tristeza e até a boa literatura. Nessa hora, quero mesmo é poder sentir toda essa felicidade que a vida me reservou (ou eu conquistei, sei lá). Só sei que vale a pena lutar por ela, mesmo tendo que sacrificar outras coisas. Inclusive a boa literatura.</p>
<div id="attachment_355" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/05/DSC04015_640x4801.jpg"><img class="size-full wp-image-355" title="DSC04015_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/05/DSC04015_640x4801.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">A lua surgindo no horizonte</p></div>
<div id="attachment_356" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/05/DSC04050_640x4801.jpg"><img class="size-full wp-image-356" title="DSC04050_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/05/DSC04050_640x4801.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">O nascer do sol... indescritível</p></div>
<p>&#8230;</p>
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		<title>Mar de Letras again</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Mar 2010 02:13:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Altair Martins]]></category>
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		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
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		<description><![CDATA[14 a 20/03/2010
1-Eis-me novamente em Capão para mais uma edição do Mar de Letras. Depois das últimas confissões sobre o prazer quase transcendental que esse retiro ócio-literário-espiritual me proporciona, desnecessário repetí-las. Apenas para não deixar passar em branco esse momento de intenso sentimento, vou abandonar momentaneamente a linguagem literária para reafirmar essa sensação de uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>14 a 20/03/2010</p>
<p>1-Eis-me novamente em Capão para mais uma edição do <em>Mar de Letras</em>. Depois das últimas confissões sobre o prazer quase transcendental que esse retiro ócio-literário-espiritual me proporciona, desnecessário repetí-las. Apenas para não deixar passar em branco esse momento de intenso sentimento, vou abandonar momentaneamente a linguagem literária para reafirmar essa sensação de uma forma mais, como direi, popular: é bom pra caralho!</p>
<p>2-Bueno, deixe-me retirar o ócio e o espiritual. O Mar de Letras de janeiro tinha uma forte carga de relax após os quatro anos da Faculdade de Letras. Eu estava com um fartão da PUC (agora estou com saudades, fazer o quê&#8230;), e queria mesmo vadiar, apenas vadiar. Por isso caminhei muito, li muito, vi vários filmes e produzi uma razoável quantidade de textos descomprometidos. Dessa vez, porém, estou aqui com um compromisso e já bastante atrasado. Em dezembro, fechei contrato para a produção de mais uma história empresarial de uma importante indústria de alimentos do Vale dos Sinos. Com as festas de final de ano, as várias férias (esse foi um ano generoso!) e mais carnaval e otras cositas, acabei ficando atrasado com meu cronograma. Consegui fazer várias entrevistas e recolher boa quantidade de material, mas a produção literária estava um fiasco. Então, esse Mar de Letras foi uma concentração para recuperar o atraso. Deu certo.</p>
<p>3-Mas, em contrapartida, todo o resto foi pobre de doer.</p>
<p>4-Em termos de leitura, avancei mais algumas páginas do livro que eu já estava lendo, <em>maisquememória</em>, do Marcelo Bakes, mas sem dedicação nem entusiasmo. É um livro estranho, que merece o rótulo de interessante mas que não me fez perder o sono nenhuma noite. Consegui ler um conto do Altair Martins, publicado no jornal literário Rascunho que assino (e pouco leio), uma reportagem antiga sobre uma viagem de moto de um maluco até Ushuaia (maluco não por ter ido até lá de moto, mas por ter feito isso em três dias e meio, com uma média de quase mil quilômetros por dia!). Ah, e li também um rótulo de um vidro de azeite de oliva. Pouco, muito pouco. Também tentei ler uns dois artigos da <em>Speak-Up</em>, uma espécie de curso de inglês em formato de revista, mas o resultado foi tão lamentável que nem conta. Apaga aí.</p>
<p>5-Em termos culinários, foi pior ainda. Tirando os churrascos de segunda, quinta e sexta, o resto foi alguns sanduíches sem imaginação, uma galinha assada no forno com menos imaginação ainda e uma omelete sem comentários. Arrisquei uma salada de siri, usando um pouco da carne que havia comprado para fazer umas casquinhas no sábado para minha amada e a sogra, mas o resultado foi decepcionante. Não das casquinhas, bem entendido. Mas, pensando bem, que chances tinha uma salada de siri de sair uma coisa que prestasse?</p>
<p>6-No departamento cinematográfico, as coisas não foram muito melhores. Remei dois dias num filme chato de doer que simplesmente não engrenava. O nome do dito era <em>O solista</em>, com o Downey Junior e o Jamie Fox. Os atores não são ruins, mas o roteiro se arrastava para lugar nenhum. Simplesmente abandonei o maldito. Praga de alguma associação anti-pirataria?</p>
<p>7-Também tentei o <em>The blind side</em> (pessimamente traduzido em português para <em>Um sonho possível</em>), filme que deu um espantoso Oscar para Sandra Bulock na edição desse ano. Em tese, o filme se baseia numa história real. Mas é tão inverossímel que só pode mesmo ter acontecido na realidade. Na ficção, não convence.</p>
<p>8-Quanto ao Oscar da Sandra, certamente foi uma piada da Academia. Logo, logo eles devem chamar a Meryl Streep, pedir desculpas e dizer que as piadas da cerimônia estão mesmo ficando cada vez mais sem graça.</p>
<p>9-Para não dizer que foi tudo lamentável, cinematograficamente falando, dei boas risadas com o DVD do show do Guri de Uruguaiana, uma competente criação do Jairo Kobe. Ver o Michael Jackson e o Elvis Presley interpretando o <em>Canto Alegretense</em> foi de lascar. E as participações do Rui Biriva e do Daniel Torres estavam excelentes.</p>
<p>10-O tempo ajudou e consegui manter longas e deliciosas caminhadas à beira mar. Como o mar estava limpo e a areia livre do enxame de porcos que caminham sobre duas patas e transformam a praia num lixão a céu aberto durante a temporada, foi só alegria. Deu até para filosofar sobre o incrível contraste entre a obra de Deus e a obra dos homens, expostas lado a lado. Mas ficou tão piegas que vou poupar vocês, estimados leitores.</p>
<p>11-Escrevo essas tortuosas linhas na sexta-feira, depois de um churrasquinho amigo e de terminar de ver o filme da Sandra Bulock, e já recordo que amanhã é dia de voltar para a cidade. Algumas lamentações até caberiam, mas seria uma ingratidão.</p>
<p>12-Nesse entrevero, troquei vários telefonemas com minha amada que está na maior ansiedade. Depois de dez anos com seu valente Ka, ela está trocando de carro. Merecido, muito merecido. É uma mulher adorável, cheia de entusiasmo e batalhadora. Merece até o excepcional (e modesto) parceiro que tem.</p>
<p>13-Como nem tudo é perfeito, acabo de lembrar que a pia está cheia de louça, talheres, copos e espetos. Minha saudade da minha amada aumentou.</p>
<p>14-Por mais inacreditável que pareça (e é realmente inacreditável), depois da fraca produção literária da segunda-feira decidi que teria que mudar minha rotina para que pudesse chegar ao menos perto do objetivo deste Mar de Letras. Então, acordei às sete e meia na terça e, na quarta, quinta e hoje, às sete. Eu disse que era inacraditável. Eu próprio não acredito. E amanhã, sábado, pretendo acordar às sete de novo. Acredito menos ainda.</p>
<p>15-Pois acordei de novo às sete! Foi demais! Nem São Pedro aguentou. Choveu uma barbaridade.</p>
<p>16-Mas chuva só é castigo para quem fica. Como eu ia embora da praia, logo saiu um sol de rachar.</p>
<p>17-Nada que abalasse meu bom humor ou diminuísse essa minha espécie de felicidade existencial. Ah, que bem me faz um <em>Mar de Letras</em>!</p>
<p>&#8230;</p>
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		<title>Mar de Letras 01_2010 &#8211; II</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jan 2010 00:38:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Anthony Bourdain]]></category>
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		<category><![CDATA[Cliff Janeway]]></category>
		<category><![CDATA[Em busca do prato perfeito]]></category>
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		<description><![CDATA[Diário de bombordo
Por falar em Bastardos Inglórios, o filme de Quentim Tarantino tem uma trama interessante. Durante a segunda Guerra Mundial, um grupo de judeus forma uma unidade de elite cujo único objetivo é caçar e matar nazistas. E o chefe dessa unidade, interpretado por Brad Pitt, exige de cada um de seus comandados um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Diário de bombordo</strong></p>
<p>Por falar em <em>Bastardos Inglórios</em>, o filme de Quentim Tarantino tem uma trama interessante. Durante a segunda Guerra Mundial, um grupo de judeus forma uma unidade de elite cujo único objetivo é caçar e matar nazistas. E o chefe dessa unidade, interpretado por Brad Pitt, exige de cada um de seus comandados um mínimo de cem escalpos de alemães. É ao menos uma abordagem diferente daquela que o cinema nos acostumou a ver, com milhares de judeus marchando submissos para as câmaras de gás. No desenrolar da ação, duas outras tramas paralelas se entrelaçam numa conspiração para eliminar o terceiro Reich.</p>
<p>Mas o filme é Tarantino demais. Não são as referências cinematográficas extra-filme, nem o clima indisfarçável de western e o constante ar de paródia e de deboche que acaba me incomodando. Essa fórmula, que zomba do conceito de verossimilhança, precisa de mais humor ou mais cinismo para funcionar. Em <em>Bastardos Inglórios</em> faltaram ambos.</p>
<p>&#8230;x&#8230;</p>
<p>Quarta-feira acordei tarde de novo. Não tinha mais a pedra no estômago, mas continuei com remorso, agora também por perder novamente outro pedaço da manhã. Ao menos o tempo tem me ajudado. Chovia quando levantei e, exceto por alguns breves minutos ao longo do dia, o céu esteve sempre cinzento. Na verdade, esteve assim na segunda e na terça-feira. Cevei meu mate e, pensando sobre os planos para 2010, li alguns relatos das poucas vezes em que consegui executar meu projeto Mar de Letras no ano passado. Mas já falei disso e falei com gosto.</p>
<p>Evitei o mesmo erro de terça e comi uma fatia de cuca integral às onze, três pedaços de milho verde à uma e um sanduíche aquecido na torradeira às duas. Isso permitiu que eu voltasse a pensar com carinho na janta e isso me levou, inevitavelmente, a um belo pedaço de costela assada. Fora essa fidelidade gauchesca ao churrasco, devo confessar que esse Mar de Letras está terrivelmente pobre em termos gastronômicos.</p>
<p>&#8230;x&#8230;</p>
<p>Terminei de ler <em>O último caso da colecionadora de livros</em>, de John Dunning. Foi uma enorme decepção. John Dunning é o autor de um dos melhores livros policiais que já li até hoje. A empatia com seu detetive Cliff Janeway, que conheci em <em>Impressões e Provas</em>, foi imediata. Não apenas o texto era bem construído e o ritmo rápido e contagiante. A saga pessoal de Janeway me cativou. Ele é um policial durão que, nas horas vagas, coleciona livros raros. No meio da trama, ao enfrentar um criminoso abjeto que constantemente se livra da lei graças à sua fortuna pessoal, a advogados imorais e a um sistema frouxo que beneficia os criminosos, ele passa dos limites e é obrigado a abandonar seu emprego. Então, corajosa (ou temerariamente), ele se atira num sonho maluco de virar livreiro. Falando assim, pode soar meio inverossímil. Aliás, policial durão que coleciona livros raros parace uma baita viadagem. Mas a narrativa é bem construída e Janeway transita bem nesse duplo papel, com um certo ar de menino perdido que não sabe o que quer da vida.</p>
<p>Já nesse <em>O último caso da colecionadora de livros</em> tudo é ruim. A trama é mal arquitetada e tudo soa meio falso. A investigação de Janeway é arrastada, claudicante e sem uma lógica que o leitor possa acompanhar. Mas o pior é que a narrativa se arrasta por quase quatrocentas páginas com um desenrolar absurdo. O grande detetive Janeway, dono de uma livraria em Denver, passa quase todo o livro trabalhando de ajudante em hipódromos, carregando feno, lavando e esfregando cavalos e limpando bosta das baias. Nos intervalos ele interroga pessoas de forma aleatória e com resultados pífios.</p>
<p>Acho que John Dunning perdeu um leitor.</p>
<p>&#8230;x&#8230;</p>
<p><em>Foi um amigo que me levou a esse lugar, há algum tempo, numa ruazinha estreita e calçada de pedras de Edimburgo. (&#8230;) Um lugar perfeito para tomar uma cerveja, acreditem. Um pub de esquina, despretensioso, com uma pequena placa e janelas esfumaçadas. Da rua não se pode ver nada lá dentro. (&#8230;) É a calma perfeita, e o primeiro gole de cerveja inspira sentimentos de serenidade quase transcendental. O refúgio ideal, longe do mundo moderno, longe de todos os seus problemas. Imediatamente depois de dependurar meu casaco num velho cabide, virei para meu amigo e comuniquei: “Vou ficar morando aqui”.</em></p>
<p>Essa pequena passagem do livro <em>Em busca do prato perfeito</em>, de Anthony Bourdain (que peguei na estante após abandonar John Dunning), me fez lembrar com imensa saudade dos pubs de Londres. A calma, a paz, a serenidade, um ar meio medieval em meio às mesas e balcões de madeiras pesadas e escuras, uma sensação de isolamento mesmo em meio a outras pessoas, um estranho sentimento de se estar em um encontro perfeito com nós mesmos, prontos para confidências, abertos a pensamentos impuros, dispostos a uma honestidade brutal ou a um simples e reconfortante silêncio respeitoso.</p>
<p>Ainda há lugares para se fugir desse burburinho de gente barulhenta que se acotovela feito um enxame de formigas na beira da praia de Capão ou desses malditos carros de som que passam anunciando as ofertas do Shoping de Fábricas ou as promessas estridentes dos Aqualoucos.</p>
<p>&#8230;</p>
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		<title>Um cara sensível</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Oct 2008 23:16:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[American Chopper]]></category>
		<category><![CDATA[Deus está morto?]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[Mar de Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Sou sensível aos meus leitores. E foram milhares de reclamações sobre a falta de atualização do blog. Bem, talvez centenas. Dezenas? Não importa. Eles têm razão. Meu leitores são, para mim, como um deus. Não sei bem como são ou onde ficam. Na verdade, não tenho sequer certeza de que existem. Mas eles têm sempre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sou sensível aos meus leitores. E foram milhares de reclamações sobre a falta de atualização do blog. Bem, talvez centenas. Dezenas? Não importa. Eles têm razão. Meu leitores são, para mim, como um deus. Não sei bem como são ou onde ficam. Na verdade, não tenho sequer certeza de que existem. Mas eles têm sempre razão. Quase sempre. Ou, pelo menos, de vez em quando.</p>
<p>____________________________________________________</p>
<p><strong>Deus está morto?</strong></p>
<p>Está confirmado: dia 11 de novembro, uma terça-feira, às 19:00 horas, no Pavilhão de Autógrafos da Feira do Livro de Porto Alegre, acontecerá o lançamento do livro &#8220;Deus está morto?&#8221;, de autoria desse escriba que vos tecla. A presença de meus familiares, amigos, conhecidos e dos milhares de leitores que pediram novidades será muito importante. Até para eu não passar por mentiroso.</p>
<p>____________________________________________________</p>
<p><strong>Inimigo meu</strong></p>
<p>Que saudades do Mar de Letras! Será que estou me sabotando? Ou é apenas uma fase, aquela circunstância incontrolável que logo passará, aquela emergência profissional que logo será superada, aquele problema familiar que já vai passar? A quem tentamos enganar com esse papel de vítimas?</p>
<p>_____________________________________________________</p>
<p><strong>Não canso de me surpreender&#8230;</strong></p>
<p>Nesse semestre estou cursando a disciplina de Prática I da Faculdade de Letras da PUC. Traduzindo, isso significa estágio obrigatório. Ou seja, estou dando aulas para uma turma de oitava série da Escola Estadual Plácido de Castro, uma escola pública próxima aqui de casa. Uma experiência extraordinária em todos os sentidos. Ali está o retrato deprimente de uma realidade escolar que coloca o Brasil como um dos últimos classificados em qualquer ranking que se faça sobre educação. Mas ali estão a Isabel, a Náthalie, Samantha, Bruna, Vinícius, Eduardo, Mateus, Marja, Cassiano, Camila, Nicholas e tantos outros, adolescentes com seus problemas e seus sonhos, uns que não sabem o que querem da vida e outros que sonham em montar uma banda, uns que gostam de futebol e outros que tocam violão, gente boa em sua grande maioria. É uma dimensão humana com a qual eu não estava acostumado. E mesmo que, às vezes, dê vontade de ressuscitar o relho, a palmatória ou o castigo do joelho no milho, resta a esperança de salvar alguma alma. Nem que seja apenas a minha&#8230;</p>
<p>__________________________________________________</p>
<p><strong>À beira do abismo</strong></p>
<p>Hoje foi dia de votação para eleger prefeito e vereador de Porto Alegre. Seguramente uma das eleições em que menos estive interessado. E não dá para me considerar um alienado. A representação política sofreu um tal processo de degenaração nos últimos anos que nada mais faz diferença. Uma oportunidade de ouro para ditadores de plantão.</p>
<p>__________________________________________________</p>
<p><strong>Coragem</strong></p>
<p>Assisti agora à noite no GNT um episódio do American Chopper. Eles estavam fazendo testes para a contratação de novos funcionários e apareceu uma morena bonita, de uns trinta anos, que fora gerente de restaurante. Ela gostava de pilotar motos e estava fazendo teste para soldadora. Isso mesmo: soldadora! Entrevistada, foi enfática: seria um sonho se pudesse ser soldadora de uma fábrica que fizesse motos. Morro e não vejo tudo!</p>
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