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	<title>O Jardim do Diabo &#187; Reflexões</title>
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	<description>A mente desocupada é o Jardim do Diabo</description>
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		<title>Mar de Letras &#8211; afinal, o que é?</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Sep 2011 14:14:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Alguns amigos ainda me perguntam o que, afinal de contas, é o projeto Mar de Letras. Relembrando sua origem, fui parar no distante mês de julho de 2007, há mais de cinco anos atrás. Na época, eu estava em uma espécie de atoleiro literário. O último livro que eu publicara havia sido a novela juvenil [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alguns amigos ainda me perguntam o que, afinal de contas, é o projeto Mar de Letras. Relembrando sua origem, fui parar no distante mês de julho de 2007, há mais de cinco anos atrás. Na época, eu estava em uma espécie de atoleiro literário. O último livro que eu publicara havia sido a novela juvenil <em>A luz que guia também pode cegar</em>, em agosto de 2004. Iniciei dois projetos, um livro de contos chamado <em>As razões de Rita</em> (cuja ideia eu havia desenvolvido na Oficina de Criação Literária do Assis Brasil, em 2000) e um romance extremamente ambicioso que pretendia contar uma parte da história brasileira, após 1960, de um ponto de vista que ainda não foi contado, chamado <em>A metade sã da maçã</em>. Mas nenhum avançava. O livro de contos estava praticamente pronto, mas eu tinha dúvidas de sua qualidade literária. E o romance épico estava muito além da minha disponibilidade de tempo para um projeto de tal envergadura. Então, sufocado nessa aridez criativa, comecei a buscar alternativas para fugir da rotina da empresa que me tolhia a criatividade e encontrar uma forma de voltar a produzir literatura. Em outubro de 2006 eu havia comprado um pequeno apartamento em Capão da Canoa e a atração que sua janela exercia era simplesmente irresistível. Então, somei A+B e surgiu o projeto Mar de Letras, assim poeticamente explicado:</p>
<p><em>Chega de angústias e lamentações, de cobranças e sentimentos de culpa. Está na hora de não fazer algo. Seguir os instintos. Deixar rolar. Perceber o sinal, o grito, o chamado, a oportunidade. Ou nada disto, muito antes pelo contrário. Beber e vadiar. Pensar, caminhar, esquecer. Quem sou eu, de onde vim, para onde vou? Who knows? Who cares? Quem disse que eu devo ser alguém, ter alguma importância, fazer alguma diferença? Fui eu que pensei isso sozinho ou Shakespeare e Grouxo Marx me assopraram no ouvido? Ah, o velho direito ao foda-se&#8230;</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>O mar está lá. A janela está lá. A longa faixa de areia branca para ser marcada com passos reflexivos, o espaço idílico, o visual fantástico, quase irreal, está lá. Mas não é para funcionar como desculpa ou obrigação. Apenas acolher, aconchegar, embalar, incentivar. Útero e palco. Apenas ir. Sem planos e metas, sem obrigações ou compromissos.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Revisitar meus textos. É neles que me encontro, me vejo e me projeto, fui no agora, sou no agora e serei agora também. Detetive de mim mesmo, buscando minha identidade nas lembranças esquecidas, nos livros relembrados, no diagrama das dores e amores, dos amigos e tribos, nos grupos que freqüentei e nos que evitei, nos que me esnobaram e os que esnobei. Pensar meu pai, sua história como parte da História, sua história entrelaçada à minha, minha história refletindo a dele. Pensar minha mãe nos conflitos marcantes e na identidade arraigada que tatua uma parte fundamental de mim, talvez a mais fundamental, temo em pensar&#8230;</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Conjeturar meus contos que são fugas ou projeções, sim, mas que são acima de tudo desafio. Um desafio que me motiva, me incendeia, me enternece, me alegra indizivelmente. Caminhar pela beira da praia tentando construir um personagem, formatar uma trama, refletir sobre um tema às raias do absurdo ou da filosofia. Ou só caminhar. Pensar naquelas palavras que se alinham, nas frases que se entrelaçam, no jogo sonoro que é beleza mas também significado. Ou só pensar numa costela assada, numa cerveja gelada e numa <em>derrière</em> estonteante.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Vou. Preciso ir. Talvez já devesse ter ido. Bandini foi. Gabi foi. Tantos outros atenderam ao chamado que não veio do além, mas de si mesmos.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Fui.</em></p>
<p>E continuo indo&#8230;</p>
<div id="attachment_803" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/09/DSC08591_640x480.jpg"><img class="size-full wp-image-803" title="DSC08591_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/09/DSC08591_640x480.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">A janela do Mar de Letras, ao amanhecer...</p></div>
<div id="attachment_804" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/09/DSC04015_640x480.jpg"><img class="size-full wp-image-804" title="DSC04015_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2011/09/DSC04015_640x480.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">... e ao anoitecer</p></div>
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		<title>Temos a quem puxar</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Mar 2011 12:50:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>

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		<description><![CDATA[Luís Inácio Lula da Silva foi agraciado com o título de Doutor pela Universidade de Coimbra. O que comprova a veracidade das piadas de portugueses.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Luís Inácio Lula da Silva foi agraciado com o título de Doutor pela Universidade de Coimbra. O que comprova a veracidade das piadas de portugueses.</p>
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		<title>Os desabamentos no Rio de Janeiro: a pergunta que faltou</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Jan 2011 19:50:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[desabamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[O recente episódio dos desabamentos na região serrana do Rio de Janeiro produziu cenas e histórias de uma dramaticidade chocante. As imagens de destruição, desespero e morte foram assombrosas e não há como não ficar impressionado e comovido com a angústia e o sofrimento daqueles que foram atingidos por essa catástrofe. Mas há uma questão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O</strong> recente episódio dos desabamentos na região serrana do Rio de Janeiro produziu cenas e histórias de uma dramaticidade chocante. As imagens de destruição, desespero e morte foram assombrosas e não há como não ficar impressionado e comovido com a angústia e o sofrimento daqueles que foram atingidos por essa catástrofe. Mas há uma questão que não se enquadra nos manuais do “politicamente correto” e que precisa ser encarada.</p>
<p>Muito se especulou sobre os motivos que desencadearam uma calamidade de tamanha proporção e assistimos a um aguerrido duelo de responsabilizações. De um lado, governo e autoridades culpando os níveis elevados de chuvas que caíram na região e as ocupações de terrenos ilegais nas encostas dos morros (como se a responsabilidade de fiscalizar e coibir ocupações ilegais não fosse do próprio poder público). De outro lado, comentaristas, críticos e palpiteiros em geral culpando o governo pela falta de planejamento para atuar em situações de calamidade e pelas ocupações de terrenos ilegais (como se fossem os governantes que tivessem comprado tijolos e cimento e construído as casas).</p>
<p>Só que, em meio a esse embate, faltou uma pergunta fundamental que não foi feita aos atingidos pela tragédia: “Mas por que, afinal, vocês construíram suas casas em uma zona de risco como essa?”. Antes que o indignado leitor se revolte com a insensibilidade da pergunta, vamos imaginar algumas respostas.</p>
<p>Uma delas, certamente, seria: “nós somos pobres e não tínhamos outro lugar para ir”. Até pode ser verdade em muitos casos. Mas uma grande quantidade de construções que foram atingidas pelas águas e pelos desmoronamentos era de classe média ou alta, incluindo aí hotéis e pousadas de luxo. E mesmo que fosse o caso de dificuldade econômica, o risco de perder a vida deveria falar mais alto.</p>
<p>Outra resposta (na linha de culpar o governo) seria: “nós não sabíamos que era perigoso. Ninguém nos avisou”. O que, na grande maioria dos casos, não é verdade. As pessoas mais simples e que moram no local possuem o conhecimento transmitido pela experiência e sabem perfeitamente o risco das ameaças naturais, até porque não é a primeira vez que inundações e deslizamentos atingem a região. Já as pessoas que não moram na região e que construíram sítios de lazer, hotéis ou pousadas, certamente foram assessoradas por engenheiros que fizeram os projetos e que têm o dever, por formação profissional, de conhecer as características e os riscos dos terrenos utilizados.</p>
<p>De fato, o que está sendo negligenciado não apenas neste caso, mas na própria cultura brasileira, é a indispensável figura da “responsabilidade individual”. As pessoas devem ser responsáveis por seus atos. Ninguém está livre de uma catástrofe natural e pouco domínio temos sobre o imponderável. Mas temos, sim, a responsabilidade sobre as decisões que tomamos. Quando escolhemos um terreno na beira do mar, na encosta de um morro ou na margem de um rio, temos que ter plena consciência dos riscos inerentes e estarmos preparados para as suas consequências.</p>
<p>É importante o papel do poder público na fiscalização, informação de perigos iminentes e na mobilização de ajuda em casos de calamidade. Mas nada supera a importância da consciência e da responsabilidade de cada cidadão sobre suas decisões individuais.</p>
<p>&#8230;</p>
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		<title>Uma grande aventura</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Dec 2010 14:39:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
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		<category><![CDATA[Angra dos Reis]]></category>
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		<description><![CDATA[Semana retrasada tive a oportunidade de realizar uma aventura com a qual sonhava há muitos anos: passar uma semana velejando pelas praias paradisíacas de Angra dos Reis. E isso graças ao grande amigo Alberto, o Betão, também conhecido como Vadão, da dupla de motoqueiros Osmar e Vadão.
Revirei meu razoável arsenal de palavras para tentar descrever [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Semana retrasada tive a oportunidade de realizar uma aventura com a qual sonhava há muitos anos: passar uma semana velejando pelas praias paradisíacas de Angra dos Reis. E isso graças ao grande amigo Alberto, o Betão, também conhecido como Vadão, da dupla de motoqueiros Osmar e Vadão.</p>
<p>Revirei meu razoável arsenal de palavras para tentar descrever as sensações incríveis de cruzar pelas transparentes águas da baia de Angra dos Reis a bordo de um veleiro; de ancorar em um recanto abrigado cercado por uma natureza exuberante e assar um churrasco numa pequena churrasqueira instalada na popa do barco; de mergulhar nas águas cristalinas de algumas das praias mais lindas do planeta que em nada ficam devendo ao Caribe; de manejar o leme do barco enquanto o vento retesa as velas, aderna o casco e empurra aquele colosso de fibra e aço inoxidável; de ficar de pé no convés, de boca aberta, deslumbrado com o espetáculo das matas nativas que recobrem os morros, da água verde que reflete a luz do sol e do céu azul que contrasta com essa exuberância verdejante; de curtir a calma, a paz e a felicidade de amigos sentados na coberta de popa, compartilhando uma caipira adoçada pelo sabor da amizade e do companheirismo. Pensei onde arranjar palavras que pudessem, mesmo que pobremente, traduzir todas essas sensações&#8230; e falhei miseravelmente.</p>
<p>No final, descobri que as simples palavras ditas por um argentino que encontramos na enseada do Abrahão, que mora há vinte anos em um barco, traduzia boa parte daquilo que eu estava sentindo:  “Minha casinha é pequena. Mas, em compensação, minha piscina e meu jardim são um espetáculo”.</p>
<p>&#8211;*&#8211;</p>
<p>E, para quem acha que uma aventura dessas é privilégio de milionários, já vou avisando: estão enganados. Pelo mesmo preço que se paga, por pessoa, em uma pousada razoável em qualquer praia brasileira, é possível alugar um veleiro aqui <a href="http://www.angrasail.com/">http://www.angrasail.com</a> e navegar por algumas das praias mais belas do planeta. Como na maioria das grandes aventuras, muitas pessoas usam o dinheiro como desculpa para não abandonarem o conforto e a segurança do sofá da sala.</p>
<p>Como eu digo sempre: minha riqueza são meus amigos.</p>
<p>No final, muito mais importante do que o saldo da conta bancária é a coragem de abandonar a zona de conforto da rotina medíocre e encarar uma aventura de verdade.</p>
<div id="attachment_585" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/12/DSC06081-Small.jpg"><img class="size-full wp-image-585" title="DSC06081 (Small)" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/12/DSC06081-Small.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Vega, nosso veleiro de 35 pés</p></div>
<div id="attachment_586" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/12/DSC05900-Small.jpg"><img class="size-full wp-image-586" title="DSC05900 (Small)" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/12/DSC05900-Small.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Aportando na Lagoa Verde, em Ilha Grande</p></div>
<div id="attachment_587" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/12/DSC05912-Small.jpg"><img class="size-full wp-image-587" title="DSC05912 (Small)" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/12/DSC05912-Small.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Um paraíso de águas cristalinas</p></div>
<div id="attachment_588" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/12/DSC05743-Small.jpg"><img class="size-full wp-image-588" title="DSC05743 (Small)" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/12/DSC05743-Small.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Lika amada e uma caipira para os amigos</p></div>
<div id="attachment_589" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/12/DSC06071-Small.jpg"><img class="size-full wp-image-589" title="DSC06071 (Small)" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/12/DSC06071-Small.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Almoço num restaurante com vista espetacular!</p></div>
<div id="attachment_590" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/12/DSC06096-Small.jpg"><img class="size-full wp-image-590" title="DSC06096 (Small)" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/12/DSC06096-Small.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Voltando de uma caminhada pela praia</p></div>
<div id="attachment_592" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/12/DSC06153-Small.jpg"><img class="size-full wp-image-592" title="DSC06153 (Small)" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/12/DSC06153-Small.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;Lembrancinhas&quot; dos mergulhos entre pedras e corais</p></div>
<div id="attachment_594" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/12/DSC05981-Small.jpg"><img class="size-full wp-image-594" title="DSC05981 (Small)" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/12/DSC05981-Small.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Barco adernado a 20 graus em uma velejada furiosa</p></div>
<div id="attachment_595" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/12/DSC06264-Small.jpg"><img class="size-full wp-image-595" title="DSC06264 (Small)" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/12/DSC06264-Small.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Um brinde ao grande amigo Alberto que nos proporcionou essa aventura fantástica! Prosit, Betão!</p></div>
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		<title>Respeito à tradição</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Sep 2010 19:02:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[tradição]]></category>

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		<description><![CDATA[São sempre impressionantes os contrastes culturais, principalmente aqueles que conseguem colocar lado a lado as tradições mais autênticas de uma cultura primitiva e a modernidade de uma metrópole cosmopolita.
E é isso que se vê todos os anos por ocasião das comemorações da Revolução Farroupilha. Centenas de piquetes erguidos com costaneras se esparramam bem no centro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>São sempre impressionantes os contrastes culturais, principalmente aqueles que conseguem colocar lado a lado as tradições mais autênticas de uma cultura primitiva e a modernidade de uma metrópole cosmopolita.</p>
<p>E é isso que se vê todos os anos por ocasião das comemorações da <a href="http://www.pampasonline.com.br/tradicao/tradicao_revolucaofarroupilha.htm" target="_blank">Revolução Farroupilha</a>. Centenas de piquetes erguidos com costaneras se esparramam bem no centro de Porto Alegre, uma metrópole com um milhão e meio de habitantes, reproduzindo a <a href="http://www.paginadogaucho.com.br/hist/20set.htm" target="_blank">vida e as tradições do Rio Grande</a> campeiro. São gaúchos vestidos com botas, bombachas, lenços e faca na cintura, contando causos e passando o chimarrão de mão em mão. Ao lado, estaqueados em longos espetos cravados no chão, grandes pedaços de costela assam lentamente no fogo de lenha.</p>
<p>Em meio a esse pedaço do Rio Grande gaudério milhares de seres urbanos circulam vestidos com calças jeans e bermudas, camisetas estampadas e vestidos esvoaçantes, terno e gravata, sapatos lustrosos e tênis. Mas também muitos citadinos se fantasiam com botas e bombachas, usadas como forma de cultuar a tradição.</p>
<p>É bonito de se ver. Por mais estranhos que sejam esses falsos gaudérios e, não raro, até mesmo ridículos, há um forte traço cultural de costumes e valores que os une. E essa valorização cria uma identidade da qual o povo riograndense se orgulha.</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=QQHQobyX3Y8" target="_blank"><strong>Hino Rio Grandense</strong></a></p>
<p>Como a aurora precursora<br />
Do farol da divindade,<br />
Foi o Vinte de Setembro<br />
O precursor da liberdade.</p>
<p>Mostremos valor, constância,<br />
Nesta ímpia e injusta guerra;<br />
Sirvam nossas façanhas<br />
De modelo a toda a terra.<br />
Sirvam nossas façanhas<br />
De modelo a toda a terra.</p>
<p>Mas não basta, para ser livre,<br />
Ser forte, aguerrido e bravo;<br />
Povo que não tem virtude,<br />
Acaba por ser escravo.</p>
<p>Mostremos valor, constância,<br />
Nesta ímpia e injusta guerra;<br />
Sirvam nossas façanhas<br />
De modelo a toda a terra.<br />
Sirvam nossas façanhas<br />
De modelo a toda a terra.</p>
<div id="attachment_465" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/09/DSC05296_640x480.jpg"><img class="size-full wp-image-465" title="DSC05296_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/09/DSC05296_640x480.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Costela assada em fogo de chão: tradição gaúcha</p></div>
<div id="attachment_472" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/09/DSC05299_640x4801.jpg"><img class="size-full wp-image-472" title="DSC05299_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/09/DSC05299_640x4801.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Um galo, o despertador do pampa</p></div>
<div id="attachment_466" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/09/DSC05311_640x480.jpg"><img class="size-full wp-image-466" title="DSC05311_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/09/DSC05311_640x480.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Dois seres urbanos mas que valorizam a tradição</p></div>
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		<title>Angústia e celebração</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Aug 2010 20:09:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estávamos em cinco motos. Na frente, puxando o bonde, ia o Xukrutz, morador de Florianópolis e conhecedor da região. Atrás dele, Zé Águia, Daisson, Russo, Rudy e eu, fechando o bonde como ferrolho. Havíamos saído de Florianópolis às nove da manhã de sexta-feira, apanhado Zé Águia e Rudy pelo caminho e já seguíamos adiante de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estávamos em cinco motos. Na frente, puxando o bonde, ia o Xukrutz, morador de Florianópolis e conhecedor da região. Atrás dele, Zé Águia, Daisson, Russo, Rudy e eu, fechando o bonde como ferrolho. Havíamos saído de Florianópolis às nove da manhã de sexta-feira, apanhado Zé Águia e Rudy pelo caminho e já seguíamos adiante de Itajaí, acelerando por uma BR 101 movimentada e cheia de caminhões. O destino era Morretes, no Paraná, onde comeríamos o famoso barreado e, no sábado, subiríamos a Serra da Graciosa rumo à Limeira, em São Paulo, para participar da festa de aniversário do motogrupo <a href="http://www.sombreros.com.br/" target="_blank">SombreroS</a>.</p>
<p>Começamos uma leve subida em um trecho de pista dupla, com um canteiro no meio, uma vala para escoamento de água e um muro de concreto separando da pista contrária. No topo do aclive iniciava uma curva pouco acentuada à direita. A 100 quilômetros por hora, acompanhando o fluxo do trânsito, me mantinha concentrado na pista, no movimento de carros e caminhões ao meu redor, na moto do Rudy que seguia logo à minha frente e na correta tomada de curva. De repente, escuto um barulho forte e, pela visão periférica, vejo à minha esquerda, dentro da vala, uma nuvem de poeira e uma moto dando uma cambalhota no ar a mais de um metro e meio de altura! A reação imediata que chega junto com o susto é a de manter o controle da moto. Liguei o pisca e, na primeira brecha, fui para o acostamento da direita, fiz a volta e retornei alguns metros. Já havia carros parando e um companheiro do grupo, que parara no acostamento da esquerda, corria para dentro do valo. Desci da moto, tirei o capacete e corri na mesma direção, atravessando a BR meio afoito. Na vala, deitado de costas, com a jaqueta preta de motociclista toda suja de terra e grama, com a perna esquerda dobrada num ângulo preocupante, estava nosso amigo Daisson.</p>
<p>A partir daí, tudo aconteceu de forma meio confusa e desordenada. O tempo parecia passar depressa demais, as pessoas correndo para todos os lados, carros parando, tudo meio irreal como se fosse um pesadelo. E, estranhamente, se tinha a sensação de que o tempo havia parado, com o Daisson estendido ao lado da estrada naquela valeta de concreto, nós ao redor tentando reconfortá-lo com palavras confusas, a moto logo adiante tombada no asfalto, a ambulância demorando a chegar.</p>
<p>Não há como descrever o pânico, a incredulidade, a angústia de ver um amigo naquela situação crítica e a sensação de inutilidade que nos sufoca, de incapacidade de prestar ajuda. Alguns ficaram ao lado dele tentando mantê-lo acordado e lúcido, outros se reuniram para erguer a moto e recolher seus pertences que ficaram espalhados pelo acostamento, todos lutando contra o nervosismo até a chegada da ambulância.</p>
<p>Quando a sirene surgiu e a ambulância estacionou ao nosso lado, despejando enfermeiros pela porta traseira, o medo começou a ceder lugar para a esperança. O espanto do acidente e a enorme angústia de estar ao lado de uma cena de dor e destruição foi substituída por mãos hábeis, equipamentos de socorro e palavras que nos reconfortaram. Apesar da gravidade do acidente, nosso amigo estava fora de perigo e a caminho do hospital.</p>
<p>Só então, passada a reação inicial de se mobilizar em torno do ferido e tentar ajudar na medida do possível é que alguns se deram ao direito de começar a tremer e a confessar o susto e o medo que sentiram. Demorou um bom tempo, após a partida da ambulância e do guincho que viera buscar a moto, para conseguirmos recolocar os capacetes, as luvas e ligarmos, meio receosos, nossas motocicletas.</p>
<p>E assim terminava, prematuramente, nossa aventura em direção a <a href="http://www.google.com.br/images?hl=pt-BR&amp;q=serra+da+graciosa&amp;um=1&amp;ie=UTF-8&amp;source=univ&amp;ei=Pg18TMrgN8P88AaT_LSjBg&amp;sa=X&amp;oi=image_result_group&amp;ct=title&amp;resnum=4&amp;ved=0CDMQsAQwAw&amp;biw=1920&amp;bih=867" target="_blank">Serra da Graciosa</a>, ao Barreado de Morretes e a grande festa de aniversário dos SombreroS. Esse roteiro, planejado com antecedência e entusiasmo, foi substituído pela vigília angustiada no pátio do hospital <a href="http://www.hospitalmarieta.com.br/" target="_blank">Marieta Konder Bornhausen</a>, ao longo de todo o resto da sexta-feira, a espera dos resultados das radiografias e do diagnóstico médico.</p>
<p>Mas quem acha que esse cancelamento de planos tão carinhosamente arquitetados só teve tristezas se engana por completo. De repente, a importância das amizades e a força e a solidariedade dessas parcerias muitas vezes alimentadas apenas na virtualidade da internet, e que era o objetivo principal da reunião no aniversário dos SombreroS, se fez presente com ainda mais intensidade no pátio do Marieta Bornhausen. Amigos e conhecidos da <a href="http://br.groups.yahoo.com/group/shadow600/" target="_blank">Lista Shadow</a> e de outros recantos reais e virtuais se reuniram em torno da solidariedade a um amigo e, entre pastéis, cerveja, coca-cola, risadas, angústias, rezas e muita torcida positiva, exercitaram seu ritual de amizade e parceria.</p>
<p>Que este momento difícil se preste não para moralismos baratos ou regras e recomendações de conduta. Que ele sirva, isso sim, para a celebração dessa maravilha que é estar vivo, e vivendo entre amigos e amores verdadeiros.</p>
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		<title>Mar de letras com lareira</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Aug 2010 02:18:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Grandes eventos]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[A estrada]]></category>
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		<category><![CDATA[O livro de Eli]]></category>
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		<description><![CDATA[1-Socorro, socorro! Estou sendo atropelado por uma manada imensa de pieguice! São dezenas, centenas de selvagens clichês e lugares-comuns me pisoteando com seus cascos doces e afáveis! Estou cercado, as patas levantam uma poeira melosa que gruda na pele e me entorpece. Tento fugir mas não consigo. Não posso. Não quero&#8230;
Primeiro, é o fato de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>1-Socorro, socorro! Estou sendo atropelado por uma manada imensa de pieguice! São dezenas, centenas de selvagens clichês e lugares-comuns me pisoteando com seus cascos doces e afáveis! Estou cercado, as patas levantam uma poeira melosa que gruda na pele e me entorpece. Tento fugir mas não consigo. Não posso. Não quero&#8230;</p>
<p>Primeiro, é o fato de estar eu aqui em mais um Mar de Letras, desfrutando dessa possibilidade maravilhosa que é poder ficar uma semana inteira completamente dedicado à duas das atividades que mais me dão prazer: ler e escrever. E, dessa vez, sem nenhuma pressão de prazo ou conteúdo. Apenas <em>carpe dien</em>! Maravilhoso.</p>
<p>Segundo, é o tempo ter me brindado com dois belos espetáculos: um céu de porcelana, límpido como um sonho de patricinha lendo a Capricho e um mar azul aveludado debruçado sob minha janela. E a lua, ah a lua, cheia, enorme, dourada ao nascer por trás da linha do horizonte e tornando-se branca e bela e tingindo o mar com uma longa franja fluorescente enquanto sobe para o céu. Tudo muito, muito, muito lindo.</p>
<p>E na minha chegada, segunda de tarde, saio a caminhar pela beira da praia, com o sol acariciando a pele e o azul do mar acariciando os olhos e a doce lembrança de minha companheira amada acariciando as lembranças. E chegam mais lembranças, penso na minha filha também amada, nas coisas que tenho, naquelas que não tenho mas não me faltam, nos bons amigos, na minha moto neste momento recebendo uma pintura personalizada, no pedaço de costela e nos corações de frango que me esperam na geladeira, e nas cervejas, e no Reservado Concha y Toro Cabernet Sauvignon que comprei com certa audácia, nos dois pacotes de lenha encostados à lareira, nos três filmes que comprei e que descansam ao lado da TV e do aparelho de DVD, em todas as coisas boas que conquistei e todas as pessoas maravilhosas que conheço e em toda a felicidade que isso tudo me proporciona e olha eu aí afogado em pieguice&#8230;</p>
<p>2-Segunda-feira o jantar foi preparado pela minha Lika amada. Não, ela não está aqui na praia comigo. Mas no final de semana ela tinha feito uma carne de panela espetacular e congelou o pouco que sobrara. Não tive dúvidas: peguei o pote do freezer e coloquei na sacola térmica que trouxe para a praia. De noite, coloquei a carne na panela de ferro, acrescentei mais dois pedaços de costela, um tomate picado, coentro, salsa, sálvia, manjericão, sal e uma dose generosa de molho de pimenta vermelha. Para acompanhar, cozinhei alguns pedaços de aipim. Junte a isso aquele Cabernet Sauvignon da Concha y Toro e tive um banquete digno de um imperador romano. Bem, talvez um pouco menos. Mas é a pieguice, a pieguice&#8230;</p>
<p>3-Depois do jantar assisti ao filme <em>O livro de Eli</em>, com Denzel Washington. No começo me pareceu uma dessas ficções científicas cheias de violência e com final melancólico. Não apenas o enredo mas a própria estética do filme é muito semelhante a <em>Mad Max</em>. Num futuro não muito distante, após uma guerra de extermínio maciço, não há mais quase sobreviventes sobre a terra. Um homem solitário caminha pelas estradas carregando um livro misterioso que ele lê todas as noites. Certo dia ele escuta uma voz que o manda apanhar o livro e caminhar em direção ao oeste. E ele cumpre essa missão sem saber exatamente porquê. No caminho, ele encontra vários grupos de bandidos e saqueadores e têm que lutar contra eles. Mas, além de ser um exímio lutador, quando ele recebeu a missão foi também informado que seria protegido. E enfrenta dois, três, cinco, dez bandidos ao mesmo tempo e sempre vence. Lá pela metade do filme descobrimos que o livro que ele carrega é um dos últimos exemplares da bíblia, já que todos os demais foram queimados por serem julgados perigosos. E que a missão que a voz lhe dera é levar esse único exemplar até onde há um tipógrafo para que possam ser impressos outros exemplares. O interessante é que ele fracassa em sua missão e, ao mesmo tempo, tem sucesso. Apesar da conotação fortemente religiosa e da dicotomia algo caricata do &#8220;bem contra o mal&#8221;, o filme tem algumas sacadas surpreendentes. Dá para assistir, mas sem muitas expectativas.</p>
<p>4-Semana passada, estive com meu editor, o Walmor Santos. Fui reclamar que, nesse ano de 2010, ele ainda não vendeu nenhum trabalho meu dentro do projeto O autor na sala de aula. Entre outras explicações, ele argumentou que os temas dos meus livros são muito pesados e que me faltam mais títulos, especialmente infanto-juvenis, para serem trabalhados em séries menos avançadas. Seria uma questão de logística. As escolas acabam escolhendo autores que possuem um leque mais abrangente de obras e que podem trabalhar com um número maior de turmas. Em resumo, saí da reunião com o compromisso de escrever alguns textos que possam ser direcionados para trabalhos com o Ensino Básico. Já produzi alguma coisa mas sinto dificuldade em escrever algo &#8220;mais simples&#8221;.</p>
<p>4-Estava lendo <em>Meridiano de sangue</em>, de Cormac McCarthy. Estava mas não estou mais porque cansei. Já havia lido <em>Onde os velhos não tem vez </em>dele (comentários <a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/bonequinhas-e-outros-papos/" target="_blank">aqui</a>), livro que acabou virando filme oscarizado, e tinha ficado com uma impressão ambígua. Boa quanto à história e à densidade do texto. Ruim quanto ao estilo. E um pouco incomodado com o excesso de violência, em geral uma violência gratuita. Não sei aonde ouvi falar desse outro livro de McCarthy mas encomendei-o com expectativa. Assim que chegou, a orelha e a contracapa diziam: &#8220;<em>Meridiano de sangue</em> é um marco da literatura norteamericana contemporânea. Harold Bloom o compara a <em>Mobby Dick</em>, de Herman Melville, e a <em>Enquanto agonizo</em>, de William Faulkner&#8221;. Fiquei com um pé atrás: muita pretensão. E continua: &#8220;Esta obra prima descreve o mundo brutal na fronteira entre o Texas e o México na metade do século XIX&#8221; e &#8220;<em>Meridiano de sangue</em> é um romance épico. Nele, McCarthy reiventa a mitologia do Oeste americano para criar uma obra ao mesmo tempo grandiosa e arrebatadora&#8221;. Um exagero. O romance é arrastado e com um estilo literário meio experimentalista. Não há travessões para marcar os diálogos, os discursos indiretos são frequentes, há várias frases curtas e truncadas com o objetivo de causar efeito, alguns jogos de palavras escorregam para um pedantismo que tenta impressionar. E há o famigerado recurso de trocar as vírgulas por uma sequência intermináveis de &#8220;es&#8221; (e o kid desceu do cavalo e caminhou até a sombra e sentou-se e descansou). E McCarthy não está falando de alguma intriga numa corte européia mas de um bando de mercenários que cruza terras áridas do oeste à cavalo atrás de escalpos de índios. Setenta por cento do texto são descrições de paisagens: montanhas, vales, escarpas, arbustos, argila, sol, lua, calor, ocotillos e opúncias, desertos, planícies, arroios.</p>
<p>Outra parte significativa são cenas de uma violência nauseante: &#8220;O branco ergueu o olhar ébrio e o preto avançou e com um único golpe decepou sua cabeça. Duas cordas espessas de sangue escuro e duas mais finas subiram como serpentes do toco do seu pescoço e num arco foram sibilar dentro do fogo&#8221;. &#8220;O caminho foi se estreitando entre rochedos e após algum tempo chegaram a um arbusto de cujos ramos pendiam bebês mortos. Pararam lado a lado, hesitantes sob o calor. Aquelas pequenas vítimas, sete, oito delas, haviam sido perfuradas no maxilar inferior e estavam desse modo penduradas pelas gargantas nos galhos partidos de um pé de prosópis para fitar cegamente o céu nu. Calvas e pálidas e inchadas, larvais de algum ser indefinido&#8221;.</p>
<p>Em termos literários o livro é profundo, denso, rico esteticamente, com vocabulário caudaloso e figuras de linguagem complexas. Mas a história não flui. A sensação é de que estamos caminhando ao lado de um trem enorme e complicado e o maquinista não nos dá a chance de embarcarmos para aproveitar a viagem. Acabamos presos apenas à imagem do trem, sem conhecermos direito seus passageiros ou a paisagem que ele atravessa. Tem cara daqueles livros escritos para a crítica literária e não para o leitor.</p>
<p>5-E, por falar em McCarthy, acabei de ver um filme baseado em outro de seus livros. É <em>A estrada</em>,  estrelado por Viggo Mortensen. Foi duro de assistir. O filme é angustiante, deprimente às raias do desespero. O enredo é muito parecido com O livro de Ely (comentado acima): um dia, um grande clarão branco extingue toda a vida vegetal e animal na face da terra. Sobram apenas algumas famílias que, aos poucos, vão morrendo de fome em uma terra estéril que nada mais fornece aos seus habitantes. Um tema que deve provocar orgasmos nas ONGs ambientalistas. Como nesse mundo aniquilado só restaram seres humanos, logo eles passam a fazer parte do próprio cardápio do almoço e do jantar. O suicídio se transforma em uma epidemia, uma válvula de escape que as pessoas usam para fugir do desespero da fome ou para não virarem bifes na mesa dos que abandonaram seus pruridos civilizatórios em nome da sobrevivência. Viggo Mortensen é um dos sobreviventes que vaga pela estrada com seu filho, lembrando constantemente da esposa que não conseguiu resistir ao desespero e também optou por acabar com a própria vida. E o filme é a jornada de pai e filho magérrimos, imundos, famintos, vagando como mendigos pela estrada, fugindo de eventuais grupos que transformaram o canibalismno em sua forma de sobrevivência. Comecei a ver o filme na terça e parei no meio. Uma sensação de desconforto e angústia começou a me deprimir. Só terminei de assistir na quinta, forçando a barra. É para quem gosta de mergulhar em reflexões mórbidas.</p>
<p>Mas o mais impressionante do filme não é a miséria e a dor física da fome, mas a destruição das relações humanas. Todos se olham como inimigos. Ninguém confia mais em ninguém. Todos estão reduzidos à animais empenhados apenas na própria sobrevivência. Numa cena, o menino pergunta a um homem: &#8220;Você tem filhos?&#8221;. Ele responde: &#8220;Sim&#8221;. E o menino pergunta, com a maior naturalidade: &#8220;E você não comeu eles?&#8221;.</p>
<p>6-Não sou de me engajar nessas campanhas televisivas ou radiofônicas que prometem prêmios, viagens ou encontros com ídolos enfadonhos. Mas surgiu uma na Globo à qual não consegui resistir. A chamada é apoteótica e vem seguida de imagens de dois cantores interpretando seus  principais sucessos. &#8220;Você quer ganhar um ringtone para seu celular com as músicas de Milionário e José Rico?&#8221; diz o locutor com voz de barítono. Não resisto e grito a plenos pulmões: &#8220;NÃÃÃÃÃÃÃOOOO&#8221;.</p>
<p>7-Sábado acordei bem cedo e sentei na frente da janela para assistir ao nascer do sol. É sempre um espetáculo deslumbrante. Fiquei lá, de boca aberta, feliz, inundado por nova onda de sentimentos de dar inveja a qualquer manual de auto-ajuda. Depois, resolvi mudar minha rotina e, ao invés de preparar o mate e ficar lendo e escrevendo e apreciando essa obra-prima da natureza que é minha janela, resolvi sair para caminhar de térmica e cuia na mão. Não estava tão frio e pude arriscar sair de calção. O sol estava alto e, para o norte, o céu azul, riscado por nuvens esparsas. Mas, para o sul, a visão era diferente: tempo fechado, nuvens de um azul carregado e um cheiro inconfundível de chuva. Saí na direção norte e tropecei com outro obstáculo: um vento nordeste irritante que fazia com que uma nuvem de areia corresse a um palmo do chão. Depois de dez minutos desisti de tomar mate com areia.</p>
<p>8-Li numa edição da revista <em>Vida Simples</em> um artigo de Luiz Alberto Marinho sobre uma pesquisa feita por pela agência de propaganda multinacional JWT, que resolvera pesquisar o tamanho da ansiedade das pessoas em oito países, incluindo o Brasil. Contrariando aquela imagem que se tem do brasileiro como um sujeito despreocupado e de bem com a vida, a pesquisa descobriu que o nível de preocupação e ansiedade dos brasileiros é alto. Os motivos são um pouco diferentes daqueles que preoupam os moradores de países mais desenvolvidos, onde a crise financeira andava, por exemplo, tirando o sono de quase 90% dos japoneses. No Brasil, as preocupações são mais básicas: violência, custo de vida, corrupção, desemprego, a eterna impunidade de crimosos de todos os tipos, de assassinos e traficantes a deputados e senadores. A pesquisa tinha como objetivo sugerir estratégias de propaganda que se adaptassem a essa realidade. Além de propor uma maior ênfase no otimismo, bom-humor, nacionalismo e nostalgia, a agência sugeriu que as empresas ressaltassem a enorme quantidade de produtos e serviços que os consumidores têm à sua disposição e seu grande poder de escolha, inclusive para optar por novos padrões de consumo. É um exercício psicológico meio complicado, mas a verdade é que são as pessoas que estão no controle. Elas podem escolher o que vão e o que não vão comprar,  decidindo o quanto vão deixar se influenciar por símbolos de status ou apelos consumistas. Em um mundo instável e, muitas vezes, hostil, ajuda perceber que, ao menos em relação às coisas que nos cercam, somos nós que estamos no controle.</p>
<div id="attachment_434" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/08/DSC04880_640x4802.jpg"><img class="size-full wp-image-434 " title="DSC04880_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/08/DSC04880_640x4802.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Mate, churrasco na lareira e boa literatura</p></div>
<div id="attachment_432" class="wp-caption alignnone" style="width: 650px"><a href="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/08/DSC04893_640x480.jpg"><img class="size-full wp-image-432" title="DSC04893_640x480" src="http://www.kleberboelter.com/ojardimdodiabo/wp-content/uploads/2010/08/DSC04893_640x480.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a><p class="wp-caption-text">Um espetáculo para assistir de joelhos</p></div>
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		<title>Sentenças não apagam a verdade</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jun 2010 01:09:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[As veias abertas da América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[Eduardo Galeano]]></category>
		<category><![CDATA[Ford]]></category>
		<category><![CDATA[Olívio Dutra]]></category>
		<category><![CDATA[PT]]></category>

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		<description><![CDATA[Em decisão de primeira instância,a juíza Lilian Cristiane Siman, da 5° Vara da Fazenda Pública de Porto  Alegre, condenou a Ford a pagar duas indenizações ao governo do Estado: a  primeira no valor de R$ 42 milhões e a segunda de R$ 92 milhões. Na decisão, a magistrada alega que a Ford foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em decisão de primeira instância,a juíza Lilian Cristiane Siman, da 5° Vara da Fazenda Pública de Porto  Alegre, condenou a Ford a pagar duas indenizações ao governo do Estado: a  primeira no valor de R$ 42 milhões e a segunda de R$ 92 milhões. Na decisão, a magistrada alega que a Ford foi responsável pelo  rompimento do contrato e que o governo do Estado cumpriu todos os pontos que haviam sido acordados.</p>
<p>Uma das (poucas) vantagens de se ter uma certa idade é que nos tornamos testemunhas de certos fatos da história.</p>
<p>Esse imenso, incomensurável e absurdo equívoco do então eleito governador Olívio Dutra, do PT, provocado pela arrogância e pela imaturidade, jamais será apagado, nem mesmo por uma sentença judicial. Esse episódio eu vi, e acompanhei muito de perto porque na época tinha algum contato no meio político. E vi, entre perplexo e consternado, o momento em que a Ford desistiu de tentar falar com o governo (que humilhou, com um certo sadismo, os executivos da empresa americana como se tivesse se vingando de todo o colonialismo falsamente imaginado nas <em>Veias abertas da América Latina</em>, de Eduardo Galeano).</p>
<p>O que se seguiu ao anúncio da Ford de transferir o imenso investimento para a Bahia foi patético: um clima de pânico se instaurou no primeiro escalão do governo do PT porque eles jamais imaginaram que aquilo pudesse acontecer. Pela cartilha do PT, o Rio Grande do Sul estava entregando seus tesouros para um bandido que havia conseguido um saque monumental. Não imaginaram que pudesse haver outra vítima ávida para ser saqueada.</p>
<p>Infelizmente, foi uma perda que afetará várias gerações de gaúchos, e que nenhuma sentença jurídica contestável poderá apagar da história.</p>
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		<title>Devassa de mentirinha</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 16:09:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[devassa]]></category>
		<category><![CDATA[Paris Hilton]]></category>
		<category><![CDATA[Schincariol]]></category>

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		<description><![CDATA[O Conar (Conselho nacional de Autoregulamentação Publicitária) proibiu a veiculação de comercial da cerveja Devassa, nova marca da cervejaria Schincariol, estrelado pela polêmica Paris Hilton. O argumento é de que a campanha comercial teria &#8220;apelo sensual excessivo&#8221; e seria &#8220;desrespeitosa à condição feminina e de natureza sexista&#8221;.
Não gosto da Paris Hilton e muito menos da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Conar (Conselho nacional de Autoregulamentação Publicitária) proibiu a veiculação de comercial da cerveja Devassa, nova marca da cervejaria Schincariol, estrelado pela polêmica Paris Hilton. O argumento é de que a campanha comercial teria &#8220;apelo sensual excessivo&#8221; e seria &#8220;desrespeitosa à condição feminina e de natureza sexista&#8221;.</p>
<p>Não gosto da Paris Hilton e muito menos da Schincariol. Mas, como ser humano normal, fiquei automaticamente curioso para saber que excessos de libertinagem essa escandalosa propaganda havia cometido que justificasse a aplicação de algo tão deplorável e fora de moda quanto a censura.</p>
<p>Felizmente, a internet veio nos libertar do jugo autoritário dos donos da verdade e da virtude. Bastou digitar algumas palavras e dar um clique e encontrei a escorraçada propaganda <a href="http://www.youtube.com/watch?v=8wpUJNkKCE4" target="_blank">aqui</a>. Me ajeitei na cadeira e me preparei para uma experiência proibida, tórrida, talvez, quem sabe, até devassa.</p>
<p>Que decepção! O comercial mostra a Paris Hilton completamente vestida, num quarto de hotel envidraçado, esfregando uma lata de cerveja pelo corpo com a sensualidade de um chipanzé amestrado, enquanto um bando de admiradores pouco convincentes fica apreciando a cena de longe. Perto do que se vê na televisão brasileira, bem poderia ser o comercial de uma paróquia convocando seus fiéis para um comportamento mais recatado.</p>
<p>Só há duas explicações. Ou o pessoal da Ambev, usando o poder absurdo que possui, resolveu dar uma rasteira na concorrente, ou o pessoal da Schin se deu conta de que uma proibição do Conar e toda a polêmica gerada pela medida quixotesca daria um recall maior do que a veiculação normal deste comercial fraquinho.</p>
<p>Por via das dúvidas, vou continuar bebendo Bohemia.</p>
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		<title>Estamos avisados</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 20:15:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kleber Boelter</dc:creator>
				<category><![CDATA[Amigos]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia de botequim]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[paraíso]]></category>

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		<description><![CDATA[Sábado, voltamos da Praia da Barra, em Garopaba, após uma semana e meia mergulhados numa deliciosa imitação do paraíso.
Domingo, fomos ao enterro do pai de um grande amigo nosso, que morreu de forma inesperada.
Registro esse contraste não para provocar filosofadas de botequim sobre a finitude da vida ou a fragilidade de nossa condição humana. É [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sábado, voltamos da Praia da Barra, em Garopaba, após uma semana e meia mergulhados numa deliciosa imitação do paraíso.</p>
<p>Domingo, fomos ao enterro do pai de um grande amigo nosso, que morreu de forma inesperada.</p>
<p>Registro esse contraste não para provocar filosofadas de botequim sobre a finitude da vida ou a fragilidade de nossa condição humana. É para lembrar de não ficarmos reclamando por bobagens nem adiando projetos por preguiça ou covardia.</p>
<p>Sei que não funciona. Mas estamos avisados.</p>
<p>&#8230;</p>
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